mãe / relacionamentos

Quem viveu a virada do milênio se lembra da executiva Maria Silvia Bastos Marques. No mesmo ano em que Xuxa assumiu sua produção independente (Sacha), ela encarou o comando de uma das maiores empresas do Brasil, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) aos quatro meses de gestação de gêmeos. Um mês depois do nascimento dos bebês, voltou ao trabalho, sucitando discussões sobre o papel da mulher no trabalho e em casa.

Na sexta-feira eu conversava com uma executiva que é um retrato deste tipo de mulher: sempre trabalhou e a filha de sete anos fica com duas empregadas. “Preciso de dois turnos de empregada”, contou. Tenho uma amiga que, mãe de 3 meninas, tem um turno de babá à noite (ela é dentista e o marido médico oncologista, ambos fazem plantões).

Ao contrário do que a gente imaginava antigamente, as mulheres que optam por ser mães sem deixar a profissão de lado são bem presentes. Não raro levam ou buscam os filhos na escola, sabem tudo da rotina, conhecem decor e salteado desenhos animados como quem está em casa. Mesmo assim elas convivem com algo que as mães que não têm uma rotina tão pesada podem não experimentar com tanta força: a culpa. Creio que toda criança é grudada na mãe, tem seus momentos de mimo e de chamego, mas para estas mães muito ocupadas tudo parece ser motivado por sua ausência. Em entrevista pelo Dia da Mulher, Maria Silvia (a que citei no começo do post) falou:

“Em primeiro lugar, é preciso não ter culpa. Minha postura é que meus filhos devem ter orgulho da sua mãe, que trabalha duro. Busco estar presente […] e também que eles tenham a certeza que o trabalho é fundamental na minha vida, mas que eles serão sempre a minha prioridade”

E ela também ressaltava algo que eu considero fundalmental nas novas famílias (como a que Guilherme e eu formamos): a tendência de equilibrar mais as funções familiares entre o casal, de forma a que homens e mulheres possam ter as mesmas oportunidades em suas vidas profissionais. Mas é preciso ser muito organizada e construir uma infraestrutura adequada, no trabalho e em casa. Sinto muito isso na minha vida, na qual meus clientes. Não sou funcionária de nenhuma empresa, mas eu tenho clientes como Editora Abril, Kraft Foods e STB Brasil, e no acordo de trabalho que tenho com eles está claro que minha disponibilidade de tempo para atividades externas (reuniões, eventos, etc) normalmente está vinculada à rotina escolar dos meninos. Tenho demandas que fogem disso, claro. Para estas eu conto com o companheirismo do Gui, que assume as responsabilidades sem pestanejar e sem se chamar de “pãe” – e eu vejo o novo pai não como uma mãe num homem e sim como um homem de seu tempo, capaz de assumir todos os papeis que lhe forem exigidos. 😉

Enfim, estou relembrando isso – e outras reflexões sobre a mulher atual devem surgir nesta semana – porque é Dia da Mulher e podemos reflexionar nesta data, que já foi marcada por situações muito endurecidas de luta por direitos e igualdade no século XX, que temos algumas batalhas já ganhas e que, graças a estas conquistas, podemos move on, seguir em frente de cabeça erguida, tendo a maternidade como um ativo (algo que nos diferencia positivamente) e não um passivo que temos que carregar como uma cruz.

🙂

Feliz Dia da Mulher

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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