Ser mãe não é mais ter o “avental todo sujo de ovo”

Recebi há pouco um comentário num texto antigo num portal colaborativo, chamado Caligafia e os Palms.  Erick (sem sobrenome) me criticava por eu estar falando de uma mudança na educação focando simplesmente na realidade de escola particular que eu vivo, menosprezando a duríssima realidade das escolas públicas. Ao sugerir uma mudança (que se preocupem menos com caligrafia e deixem mais tempo para os alunos lerem, se aculturarem, pesquisarem) eu teria sido injusta e leviana, porque não considerei os problemas maiores que a educação no Brasil vive.

Bom, eu já fui voluntária em muitas ações sociais (não sou atualmente por pura falta de tempo) e praticamente só estudei em escolas públicas. Aqui mesmo, no blog, eu falo sobre educação com certa frequência. Mas como mãe eu não conheço outra realidade, eu só posso criticar e procurar melhorar a minha. Bradar contra as falhas do ensino público sem nunca ter visitado uma escola pública de são paulo (sou do Paraná e moro aqui há 4 anos) seria uma hipocrisia à qual não me atrevo.

Outra crítica dele me doeu de verdade. Como eu comentava no texto que a escola poderia se comunicar com os pais por e-mail (ou até bluetooth, brinquei, mas enfim, enviar os avisos de forma tecnológica também, porque a gente vê antes o e-mail do que a agenda do filho e não custaria nada nos brifar do conteúdo das reuniões!), ele me disse que ver os cadernos e agendas é “ser mãe”, como se por buscar mais tecnologia e praticidade eu estivesse deixando este papel de lado. Doeu e esta não posso aguentar calada, né?

Ser mãe não é mais ter o “avental todo sujo de ovo”! É ser profissional, atenta ao mundo, estar ligada na realidade profissional na qual os filhos estarão inseridos num futuro próximo. As mães da escola dos meus filhos são todas conectadas, a escola também, então não vejo motivos para eu “não desejar” que os comunicados se reciclem. E são estas mudanças em ambientes particulares que criam exemplos a serem seguidos nos ambientes públicos. Continuo querendo updates por e-mail, briefing e conclusões de reuniões e tudo mais que a tecnologia puder fazer para a comunidade da escola estar mais atenta, ser mais ativa e trocar mais.

Ontem eu estive numa reunião com o Secretario Municipal de Comunicação, Marcus Vinícius Sinval, e, num grupo de blogueiros, pude colaborar com idéias e sugestões para a democratização e o acesso real às informações públicas e uteis. Sem minha visão geek (inclusive como mãe e cidadã, não só como profissional) não creio que isso seria possível. Eu estaria ainda brigando por “livro prá comida e prato prá educação”, como diz a música dos Paralamas do Sucesso, discutindo o sexo dos anjos sem chegar a lugar algum nem contribuir de fato com uma melhoria da sociedade. E fazer isso definitivamente não combina comigo.

P.S. A reunião foi uma consequência da série de encontros que Manoel Fernandes, publisher da Bites, promove neste ano entre blolgueiros e empresários e neste período eleitoral foi ampliada para os candidatos a prefeito de São Paulo. Do encontro com Kassab surgiram algumas sugestões e o Secretário, que não estava presente na ocasião, quis nos encontrar ontem. Estiveram comigo Edney Souza, Juliano Spyer, Ricardo Cobra e Pedro Markun. Ainda vai render um post, prometo. 🙂

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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