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Desde 1961, 12 de dezembro é o Dia Nacional do Cego, uma data que busca conscientizar a sociedade para questões importantes como preconceito e discriminação, além de reduzir o desconhecimento sobre pessoas com deficiência visual.

Segundo dados do censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, 18,6% da população brasileira possui algum tipo de deficiência visual. Desse total, 6,5 milhões apresentam deficiência visual severa, sendo que 506 mil têm perda total da visão (0,3% da população) e 6 milhões tem grande dificuldade para enxergar (3,2%).

Cresci em Curitiba e morava perto do Instituto Paranaense de Cegos. Uma das lembranças que tenho, logo que comecei a sair sozinha de casa pelas ruas do Batel, foi de ajudar pessoas com dificuldade de visão a atravessar a rua. No começo eu tinha vergonha, depois comecei a agir por impulso, puxar um papo enquanto estava junto na esquina e atravessar junto. Logo estava oferecendo o braço, especialmente para mulheres, pois eu me identificava com a situação de vulnerabilidade de quem pode sentir receio de ser “conduzida” por um homem. Ainda não se falava em sororidade, mas eu já sabia que uma voz feminina poderia ser tranquilizador.

Mas na verdade eles não deveriam precisar de gente como eu! E logo não precisarão!

O Contran (Conselho Nacional do Trânsito, do Ministério das Cidades), aprovou a resolução que padroniza e regulamenta os sinais sonoros para pessoas com deficiência visual no Brasil.

Uma das mudanças que entrarão em vigor a partir de janeiro de 2020 é a identificação dos equipamentos com sinalização em braille e alerta com mensagem verbal de indicação para orientar o pedestre.

João Felippe, especialista em orientação e mobilidade da Laramara – Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, explica que a norma reforça os direitos previstos na Lei Brasileira de Inclusão, pois “a falta de estrutura das cidades sempre foi o impeditivo para propiciar um contexto favorável no processo de inclusão e participação social. A nova regulamentação é com certeza um avanço importante para a sociedade”.

Em São Paulo, onde a tecnologia está entre as mais difusas do país, existem apenas oito semáforos acessíveis para atender cerca de 2,7 milhões de pessoas com deficiência visual.

Onde estão?

  • A maioria está na região do Aeroporto de Congonhas e próximo às instituições assistenciais, como a Laramara, porém nem todos funcionam plenamente.
  • Na rua Vergueiro, por exemplo, em frente ao Centro Cultural São Paulo – onde existe um dos maiores acervos em Braille da capital -, o equipamento opera parcialmente.
  • No cruzamento da rua Conselheiro Brotero com a rua Brigadeiro Galvão, o sinal foi vandalizado e está sem manutenção desde 2016.

Os equipamentos não auxiliam apenas a cegos ou quem tem baixa visão, pois também são importantes para pedestres distraídos e idosos.

“Se somar a sinalização visual ao alerta sonoro é possível melhorar a segurança de todos. Imagine se alguém for atravessar um cruzamento mexendo no celular e não prestar a atenção, ou seja, a orientação do som irá beneficiá-lo”.

Com a nova legislação dos semáforos sonoros, a tendência é que o Brasil suba de posição no ranking do Social Progress Imperative, índice que avalia o progresso social em todos os continentes. Hoje, o país ocupa a 43º colocação na lista, que tem como líderes a Dinamarca, a Finlândia e a Islândia, respectivamente.

Precisamos de mais? Com certeza! E precisamos nos manter informados para saber se nosso país está melhorando mesmo na inclusão. Você sabia que neste ano o Senado Federal aprovou obrigatoriedade do uso do Braille em contratos entre deficientes visuais e bancos?

E que em Recife há um aplicativo de celular que ajuda os deficientes visuais na hora de pegar ônibus? O CittaBus Acessibilidade utiliza avisos sonoros para informar quando o veículo está chegando ao ponto do ônibus. O recurso está disponivel de graça nas plataformas iOs e Android.

Devagar o app chega a outras cidades. Quer que chegue na sua? Faça pressão, fale com vereadores, reuna pessoas e entidades.

Leia também:

Acesso em reverso: Seminário Internacional sobre Cultura e Acessibilidade

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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