Deixe o carro na garagem

sem carro transporte coletivoHoje eu levei os meninos na escola, tarefa que é do Gui, mas ele está viajando. Como faço todo dia quando vou buscar, optei por ir a pé, pois são 500m e acho o ar fresco da manhã uma delícia. Além disto, na ida ou na volta, conversamos, vemos pássaros, cumprimentamos pessoas. Para animar minha manhã, encontrei na saída a Deborah, mãe de uma colega do Enzo com quem tenho várias afinidades. Ela é filha de coreanos e eu sempre ligo àquela cultura a muitas coisas belas, aliás, a uma busca pelo belo. Enfim, alguns minutos para pôr o papo em dia e já marcamos um passeio na Pinacoteca ou no Museu da Língua Portuguesa com as crianças, que comungam dos mesmos interesses. Se eu estivesse de carro, nada disso teria acontecido, a gente teria, no máximo, acenado uma para outra.

Cheguei em casa e li este post da Ladybug BrasilSociedade do descartável: repensando a vida – que falava exatamente disto. Lúcia conta como sua vida mudou – e não foi para pior – quando abriu mão do carro. Identifiquei-me porque se eu posso, caminho, se for meio longe, eu vou de “coletivo” na boa. Eu nunca fui ligada em carro, não sei se porque eu morava em Curitiba, onde tem bons ônibus, se porque sempre estudei no Centro ou se é um conceito meu. No Japão nos adaptamos, Gui e eu, maravilhosamente bem ao esquema de bicicleta + trem para ir trabalhar e em Tokyo caminhávamos, animados, uns 1500 a 2000 metros para a redação, no inverno ou no verão. No post Lúcia “libera” as famílias com crianças. Quando mudei para cá Giorgio tinha completado 2 anos e a gente saiu muito de ônibus e metrô. Enzo com 4 e Gio com 2. Eu só tirei carta aqui, um ano depois e ainda hoje – mesmo com carro zero e bicombustível na garagem – opto pelo metrô. No máximo eu vou de carro até o metrô mais próximo, deixo no estacionamento e no centro a gente faz tudo a pé ou no “trem”, o que é uma diversão para eles e uma tranqüilidade para nós. Um dia preciso escrever aqui sobre os roteiros culturais bárbaros que dá para fazer em Sampa sem carro. Rende uma série. E, como disse a Lúcia, rende um trabalho de formiguinha, como aquele das sacolas plásticas, para levantar a questão e conscientizar o povo.

Para completar o tema manhã, a querida Anny, do Blog Linha, dedicou um post – Amanhecer!!! – para me dar sorte no novo endereço. Postou hoje cedo, com foto de uma praia lá pras bandas de Salvador. Delicia!

P.S. Para reforçar minha tese: precisei busca-los de carro na escola, porque o Enzo (xará) vinha passar a tarde com o Giorgio e seriam muitas crianças para uma só mãe atravessar a rua – só atravessamos uma rua e com sinaleiro, mas é bom cuidar. A pé chego lá na escola em 5 minutos, mas demorei quase 15 porque outras mães saíam pela garagem na mesma hora (congestionamento na garagem do prédio na hora do almoço é muito paulistano, né?) e na frente da escola não tinha nenhum lugar para parar. Dei duas voltas para achar uma vaga… desperdício total, né? E ainda perdemos os passarinhos e flores do caminho.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.