Se torcer sai sangue… #meiahora

Quando eu morava em Curitiba tinha uma piadinha sobre um dos jornais mais populares de lá, a Tribuna do Paraná, que dizia “se torcer sai sangue”. Pois hoje, ao receber minha segunda “quentinha” com o novo tabloide diário paulistano, o Meia Hora, lembrei na hora desta chamada. Vejam a imagem que estampava a marmita:

“Bife tarado enrola cenoura e bacon ao mesmo tempo”.

A ação do jornal – que contei ontem no Conversas de Cozinha – envolve também pratos em restaurantes populares tradicionais da capital paulista e eu fiquei imaginando, muito curiosa, como seria a reação popular a esta chamada com duplo sentido.

O duplo sentido e o humor (não vou chamar de bom humor, mas humor inteligente é) do Meia Hora é uma das características que notei no jornal. A chamada de hoje – Afoga o ganso, Brasil! (em referência ao primeiro jogo da Era Mano, com o jogo contra EUA às 21h) – é uma piada que muita gente faria. E a chance de se ver nas linhas escritas por jornalistas é o que faz os jornais populares tão interessantes mundo afora desde que a imprensa surgiu.

A imprensa marrom nasceu com a classe operária, seja na França dos enciclopedistas ou na América dos imigrantes operários, ela sempre foi a chance de se informar, se divertir e, creiam, aprender. Foi com jornais muito baratos que os imigrantes começaram a aprender inglês, é com ela que nossa população urbana mais humilde sabe do que se passa no mundo. Nós, que temos horário livre para ver Jornal da Globo e acompanhar o Roda Viva até a meia noite, não entendemos quem acorda de madrugadinha e já está usando transporte público às 5h da manhã. É para estes que um jornal que pode ser lido em meia hora vale: tudo bem condensado, em linguagem semelhante à que o cara usa para conversar com o colega de jornada e ainda tem o quê de piadinha, sem o qual não dá para aguentar o rojão.

Possivelmente eu não seria leitora do diário, mas não deixo de valorizar o fato de, em tempos de internet, blogs, jornalismo colaborativo, TV e rádio no celular, ainda surgirem produtos impressos novos para atender a esta parcela da população que nem sempre (raramente) tem acesso às novas mídias.

P.S. Imprensa marrom é a forma como podem ser chamados órgãos de imprensa considerados publicamente como sensacionalistas e que busquem alta audiência e vendagem através da divulgação exagerada de fatos e acontecimentos. É o equivalente brasileiro e português do termo yellow journalism. Em todos os casos há transgressão da ética jornalística tradicional. […] A ideia é que os recursos jornalísticos usados pela imprensa marrom criam um ar de desconexão entre a responsabilidade dessas empresas com sua informação e origem da informação (colunistas, especialistas, apresentadores “irados”).

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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