Saímos do hospital (depois da mordedura do pitbull)

Eis que finalmente estou dando uma notícia pessoal, depois de contar com a delicadeza da Tiffany e da Simone narrando aqui os avanços do Giorgio desde o evento da terça-feira, 08/07. Ainda não li os comentários nem mensagens de amigos e, além de agradecer, peço que me perdoem porque não conseguirei ler ou responder nos próximos dias. Mas Tiffany leu e me contou que são todos muito afetuosos. Nossa família agradece sinceramente.

Como minha irmã contou, Giorgio teve alta no final da tarde de ontem e estamos na casa dos meus pais. Em virtude da nova cirurgia plástica de restauração da pálpebra superior do olho direito teremos que ficar aqui em Curitiba até o dia 22 quando Giorgio se submeterá a nova cirurgia de retirada dos pontos. Precisaram reconstruir o tecido conjuntival (interno, que protege o globo ocular, pelo que entendi) da pálpebra inferior e superior e estes pontos só podem ser retirados em centro cirúrgico. No mais, os pontos da bochecha, nariz, queixo, parte superior do crânio e parte de trás da orelha secaram bem e já foram retirados.

O cabelo comprido e liso do Pé de Feijãozinho recobriu boa parte da cicatriz na parte superior do crânio e não será necessário cortar o cabelo para igualar. Quem o conhece se lembra dos longos e curvados cílios do meu caçula. O cirurgião plástico Rogério Bittencourt teve a delicadeza (mais uma, dentre incontáveis) de reconstruir a pálpebra sem fazer tricotomia, o que facilitou o reconhecimento facial dele. Claro que vivemos uma fase de adaptação, Giorgio ainda se recusa a olhar no espelho e tem usado um óculos de sol para evitar enxergar de fato o olho em recuperação.

No hospital, ainda todo enfaixado, ele brincava que era uma mistura do Muminho com o Frank (da Turma da Mônica) e agora teremos pela frente uma rotina de Zé Vampir porque precisaremos evitar o sol por cerca de seis meses, no mínimo, para evitar cicatrizes. Mas o fato de ele fazer piada – continua com muito bom humor, alto astral e generosidade que não passam desapercebidos a ninguém – nos deixa tranquilos, cientes de que ele passará por tudo com força, altivez e fé que sempre lhe caracterizaram, agindo, como não me canso de falar, como um verdadeiro príncipe guerreiro destemido – destemido ele sempre foi, tanto que achou que podia dar um pedaço mandioca frita do seu próprio prato para a pitbull sozinho! Hoje, já na casa da avó – onde ocorreu o ataque e felizmente da qual temos infinitamente mais lembranças felizes e amorosas para compensar – ele contou que a reação da Chérrie foi  motivada pelo pequeno agrado que ele queria fazer. Um acidente, que podia ser evitado, mas não foi proposital.

Independente do que aconteceu, agora precisamos nos concentrar em viver bem, não perder a chance de estar juntos, de nos amar, aproveitar a vida (hoje, sem pensar em demasia no ontem e no (amanhã) e procurar viver em harmonia – inclusive com animais – pautando nossos atos no respeito ao próximo e no bom senso. E, como insistiu conosco um amigo de infância (Adriano Maeda, neurocirurgião no Hospital Cajuru, referência em trauma em Curitiba e local onde o Giorgio está sendo atendido), precisamos continuar a vida com normalidade, sem permitir que este evento seja fonte de trauma maior para nossa família, sem que Giorgio se imagine digno de piedade ou de tratamento especial – de uma pessoa portadora de deficiência ou necessidade especial – porque efetivamente (e com a Graça de Deus) não é o caso.

Bem, agora meu mocinho está pedindo a atenção da mamãe. Um abraço a quem me lê.

[update] A foto que estava neste post se perdeu e hoje, 20/05/2009, por conta de um post, uma conversa por twitter e orkut na comunidade porque se sujar faz bem sobre nossa escolha de um cãozinho, revivi este post. Deixo abaixo uma foto do Giorgio tirada em 06/09/2008, quando ele fez a terceira e última cirurgia plástica depois da mordedura de pitbull. Hoje ele está muito bem, graças  a Deus, mas ainda tem um certo medo de cães!

 

Volta do Giorgio ao hospital, dois meses depois do acidente.
Volta do Giorgio ao hospital, dois meses depois do acidente.

 

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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