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Neste feriado, com a companhia do meu filho, encarei o filme baseado no livro O quarto de Jack.

Que obra bem feita! Delicado, sem aliviar a seriedade do tema, com um elenco enxuto que compensa cada cena – e mereceu cada prêmio. E foram muitos, concorrendo com figuras e filmes incríveis. Mas Brie Larson mereceu o Oscar!

 

No meio do filme, comentei do caso do austríaco que inspirou a escritora e tanto para ele que não sabia de nada, quanto para mim, que acompanhei o caso, foi assustador estar no lugar da mãe sequestrada e do filho que viveu toda vida em cativeiro.

Recomendo muito!

Para quem não sabe do caso, que eu comentei no blog há muitos anos, não por acaso perguntando como podemos ajudar as vítimas de abuso sexual a se reintegrarem a sociedade, fator que considero o mais valioso deste filme.

Qual é a melhor forma e momento para orientarmos uma criança sobre os riscos do abuso sexual infantil?

Na época da minha mãe, nascida nos anos 1940, uma história assim (raramente contada, vamos admitir) viraria um filme em que a polícia salvariam a menina antes dos abusos começarem. Na minha época, nascida nos anos 1970, o filme acabaria quando os pais encontrassem de novo a filha, sem pensar como ela se viraria depois. E na época dos meus filhos, nascidos nos anos 2000, graças a Deus se pensa como esses jovens, no caso a mãe e o filho, podem viver no mundo real depois de tudo!

Como ajudar as vitimas de violência sexual na sua reintegração à sociedade

E sobre o caso que inspirou o filme, que vi na Netflix:

A semente de “O Quarto de Jack” foi o caso de rapto e incesto que chocou o mundo em 2008, quando se descobriu o porão onde o austríaco Josef Fritzl trancou e violentou a filha por 24 anos. Ao ser libertada, Elisabeth Fritzl tinha sete filhos da relação forçada com o pai. Josef Fritzl foi descoberto em abril de 2008. Da relação nasceram sete crianças, três mantidas no porão e três adotadas por ele, que forjou o abandono dos netos pela filha desaparecida na porta de sua casa. Uma delas morreu depois do parto e foi incinerada pelo criminoso. Fritzl confessou e foi condenado à prisão perpétua por estupro, cárcere privado e homicídio no mesmo ano. Hoje, Elisabeth e os filhos sobreviventes vivem em lugar secreto com nova identidade.

 

O caçula, Felix, com cinco anos, nunca tinha visto a luz solar.

“Fui atraída pela ideia de uma criança emergindo no mundo moderno, tendo crescido sem qualquer contato com o exterior”, conta a irlandesa Emma Donoghue, autora do livro.

O filme tenderia a resultar em uma obra taciturna e deprimente, como a história real que o inspirou. Mas graças à Emma Donoghue, que concorre ao Oscar de roteiro adaptado, a trama focaliza mais a lição de resiliência e transformação do que a evidente e conhecida brutalidade do caso.

 

Ainda assim a condição dos protagonistas é perturbadora. A mãe precisa esconder o filho no guarda-roupa quando seu raptor a visita para estuprá-la.

“Quando li o livro, fui tocado pelo otimismo de Jack. As crianças vêem luz até nos momentos mais obscuros”, contou o irlandês Lenny Abrahamson, indicado ao Oscar de melhor diretor pelo filme.

O diretor acertou ao traduzir nas telas a relação mágica do garoto com o quarto, algo que o livro valoriza em detalhes. O cativeiro é, afinal, o único mundo que ele conhece.

“É lindo ver como a mãe se esforça para dar uma vida decente ao filho, que é cercado de amor. Ele se sente protegido no quarto’’, conta Abrahamson.

Nas mãos de um cineasta com visão mais comercial, o material provavelmente seria traduzido como um policial tradicional. E aqui mora o que eu comentei acima: o filme continua, não é um filme de investigação, de busca implacável ou de luta de tribunal.

É uma história de sobrevivência e amor.

Ah, Brie será nova Capitã Marvel e foi um caminho longo até chegar neste ponto.

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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