Uma bacia hidrográfica monitorada 24 horas por dia… e fica no Brasil!

Você sabia que a bacia hidrográfica do Rio Formoso, no Tocantins, é a primeira e única do Brasil a ter sua vazão monitorada 24 horas por dia?

Opa, Sam, por que você está escrevendo sobre Tocantins e Bacia hidográfica?

Primeiro porque eu me apaixonei pelo estado quando para Palmas participar da Intercom Norte.

Quando uma cidade nasce pronta, ela festeja com orgulho seus 23 anos

Em segundo lugar, porque estou de olho nesta questão das bacias e dos rios há anos, né, gente?

Dá uma pesquisada no blog que vai entender:

Mostre que os bons são a maioria! 🙂 #semanaotimismo

Dia Nacional em Defesa do Velho Chico #velhochico

Uma das minhas amigas de longa data e que faz parte do grupo de trabalhos do CBH do Rio São Francisco é a engenheira ambiental Daiane Santana, do blog Vivo Verde. Formada pela UFT, ela trabalhou por um tempo liberando outorgas para o Rio Formoso.

🙂

E enfim, conversamos muito depois da Crise Hídrica de 2016, que foi justamente quando o Ministério Público do Estado do Tocantins impetrou uma Ação Cautelar contra os produtores rurais pela retirada excessiva de água e contra o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) órgão ambiental fiscalizador.

O Tribunal de Justiça, ao receber e analisar a ação, convidou a Universidade Federal do Tocantins para contribuir no processo, sob o viés técnico, a fim de apoiar sua decisão. Foi assim que surgiu a parceria entre CAS Tecnologia (empresa especializada no desenvolvimento de soluções de redes inteligentes e de tecnologia da informação) e o Instituto de Atenção às Cidades (IAC) da Universidade Federal do Tocantins (UFT).

O objetivo é nobre: evoluir a gestão de recursos hídricos na bacia, a fim de reestabelecer a segurança hídrica aos produtores e ao meio ambiente.

A microrregião do Rio Formoso é uma das microrregiões do estado brasileiro do Tocantins pertencente à mesorregião Ocidental do Tocantins. Em 2006 o IBGE estimou a população desta região em 112.020 habitantes, mas sabemos que o estado cresceu muito neste período e afinal são treze municípios na microrregião, numa área total de 51.405,340 km².

A Gestão de Alto Nível visa dar condições ao órgão gestor estadual, o Naturatins, de tomar providências quanto à redução ou manutenção das vazões captadas mais rapidamente e assim não ocorrer o comprometimento dos corpos hídricos ou a suspensão abrupta das captações. O princípio da Gestão de Alto Nível é reduzir as incertezas, permitindo aos usuários e órgão gestor monitorar permanentemente a disponibilidade e a demanda hídrica.

Eu acredito mesmo nestas parcerias, sabem? E considero que merecem apoio da gente, divulgando para que sejam “copiadas”!

Vejam só:

Para que o produtor rural esteja ciente e atento ao volume de água que capta do rio, o projeto Gestão de Alto Nível disponibilizou um aplicativo pioneiro no Brasil, que apresenta tanto a disponibilidade hídrica da bacia bem como as vazões em tempo real de todas as bombas hidráulicas. A aplicação pode ser acessada de qualquer dispositivo com acesso à internet. A partir de um mapa o usuário clica sobre a estação de interesse, de disponibilidade ou de captação. A partir daí as informações gerais da estação ou bomba são apresentadas, assim como as vazões em tempo real e as séries históricas no formato de tabelas e gráficos dinâmicos, tudo muito fácil de usar.

O que mudou?

Antes do monitoramento, nem o produtor nem o órgão fiscalizador sabiam quanto de água cada bomba retirava do curso d’água. Com o monitoramento, o produtor consegue saber se está captando além de sua vazão ou volume diário permitido e até mesmo se está captando mais do que a necessidade de água para a irrigação, podendo reduzir as horas de trabalho da bomba e também economizar em energia, pois eficiência hídrica é também eficiência energética.

O objetivo do projeto é reestabelecer a segurança hídrica da bacia, reduzir as incertezas associadas ao volume de água existente e mediar a quantidade ideal a ser captada pelos produtores rurais sem prejudicar sua capacidade.

Quantos são os produtores envolvidos?

Atualmente, cerca de 40 produtores instalados no entorno da bacia captam água para seus projetos de irrigação por meio de bombas hidráulicas. O projeto consiste em um aparelho conectado a cada uma dessas bombas (formado por medidor de vazão ultrassônico e por um painel solar) que monitora, em tempo real, a quantidade de água retirada. A CAS Tecnologia fornece a tecnologia que faz a coleta e a entrega dos dados para a Universidade Federal do Tocantins.

Em campo foram instalados, em cada bomba, os equipamentos da estação de medição, composta por uma microusina solar, o medidor ultrassônico de vazão e o transmissor de dados da CAS Tecnologia, que recebe a leitura de corrente elétrica e envia essa informação a cada 15 minutos via rede de telefonia GPRS ou 3G. Os dados seguem para o servidor de comunicação Hemera Iris , da CAS Tecnologia , na nuvem, que então são acessados pela Universidade Federal do Tocantins, onde são armazenados pela aplicação GAN, que decodifica o sinal e o transforma em um valor de vazão, em litros por segundo. Assim, pesquisadores ficam de olho nos índices que indicam se a água do rio está sendo captada corretamente ou não.

Quantos são os pontos instalados na bacia?

Ao todo, são 98 bombas hidráulicas pertencentes aos produtores rurais que captam água para seus projetos de irrigação. Destas, 77 já possuem o aparelho de medição instalados. Com o transmissor da CAS Tecnologia, são 63 bombas hidráulicas. Em média, os produtores rurais retiram 1500 L/s dos rios e chegam a operar 24h/dia. A título de comparação, a principal estação elevatória, responsável por abastecer cerca de 70% da capital do Tocantins, Palmas, retira 800 L/s do curso d’água.

“Os volumes captados por cada bomba são muito altos, em média, 1500 litros por segundo, e com esse número expressivo de bombas o grande risco é interromper o fluxo da água na calha do rio, comprometendo assim os demais usos da água, assim como a fauna e a flora associada ao manancial”, explica o Dr. Felipe de Azevedo Marques, presidente do IAC/UFT e Coordenador Geral do Projeto Gestão de Alto Nível.

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.