relacionamentos

“Falar, de maneira clara sobre o assunto em seu blog oficial (e provavelmente em várias entrevistas daqui pra frente) sem ter a necessidade de ser porque ficou doente ou foi pego fazendo algo “moralmente discutível” é o grande trunfo de Rick Martin.”

@maxreinert em A importância de dizer sim

Na quarta eu li o texto do Max citado acima, pensei em tudo que ele disse sobre as dificuldades de assumir sua escolha e, acima de tudo, seu jeito de ser, e acabei dando razão ao meu amigo. Sem viver na pele a experiência não temos como saber do que se trata nada. Podemos dizer “imagino”, “avalio”, mas não há como afirmar que “sabemos” sem ser (muito) leviano. Eu não avalio nem imagino, mas vejo, à luz de quem vive num nicho étnico e vem de uma mistura de sangue não tão festejada pelas famílias, que este aspecto da importância da figura na qual se espelhar, para admirar e para se refletir, seja de suma importância e é um dos aspectos que eu jamais pensei sobre o Rick.

Quando eu tinha a idade do meu filho mais velho o Rick era meu “Menudo” favorito e creio que fosse justamente porque ele tinha um lado feminino que me permitia me ver. Ele sempre foi assim e não penso que escondesse de fato, eu jamais o vi como um heterossexual, apesar de tudo que a imprensa tentava mostrar. E quando seus filhos vieram por inseminação creio que ele já tinha dado seu recado, mas, agora como mãe, admiro sua atitude de encarar de frente e ser honesto já, antes que mil suposições e confusões desnecessárias surgissem na família que ele forma e da qual parece cuidar com tanto empenho.

E cuidar da família – bem como ser cuidado e amado pela família, notem bem! – é um direito que todos os seres humanos têm. Este direito, que felizmente cada vez mais “autoridades” admitem e que a sociedade aprende, aos trancos a barrancos, a respeitar, está descrito na matéria de @juliareis “Filho, eu sou gay” – Sete pais contam como assumiram a homossexualidade para os filhos.

Mauricio, pai de Bryan, é um dos entrevistados de @juliareis e conta sua experiência no blog Papai Gay

Tentei ajudar a Julia a encontrar um personagem específico, amigo de amigos nossos com quem passamos vários finais de semana e viajamos para praia e etc logo que mudamos para Sampa, mas não consegui reaver o contato. O moço em questão tinha um filho natural (segundo contam fruto de uma bebedeira e de uma noite com uma moça que queria provar que ele não era gay) que passava os finais de semana com o pai e foi amigo de brincadeira dos meus meninos. A mãe largou a criança após o nascimento, passando a guarda definitiva para o pai e nunca mais voltando. Mas isso nem me deixava com pena. O que eu achava triste na história era que o pai não criava o menino, era uma pessoa tão presa no próprio preconceito que não achava saudável o garoto crescer num ambiente gay, por isso delegou a tarefa aos próprios pais. Mas, enfim, era pai – e linha dura.

Além destes dois, convivi com alguns casos de famílias gays desde minha infância, e o que notei é que, a despeito do imenso amor entre pais e filhos, a questão de ser linha dura e de se forçar a ser um pai comme il fault ainda pesa em muitos gays, o que infelizmente os distancia dos filhos. O segredo é dar amor, limites e cuidados para que os filhos sejam capazes de se tornar pessoas íntegras e felizes, o resto (e aqui entram as escolhas deles, suas opções, aptidões, dons) será por conta deles e tende a ser bom se eles são capazes de se sentir no direito de ser alguém, né?

E aqui entre o meu “so what” do título. Não entendo porque as pessoas fazem tanta confusão, tanto furor sobre este tema (a notificação do Ricky Martin) e aceitam de forma tão pacífica e apática certos casos de abuso infantil, de descuido familiar, de violência doméstica contra mulher e tantos outros problemas reais que temos para enfrentar e tanta coisa que temos para mudar.

😉

P.S. Para quem se interessa pelo tema, indico o post Sobre Gays e suas famílias.

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Dramaturgo, Ator, Diretor, Light Designer, Blogueiro... e, às vezes, hablo spañol! Motivos de orgulho: vive dignamente trabalhando como artista no Brasil... quer maior motivo de orgulho do que esse? Fundador da Téspis Cia. de Teatro.

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