Respeito e personagens de HQ

Estou em licença-médica tratando uma sinusite e outras “ites” em decorrência de uma gripe mal-curada. Ficar sem trabalhar significa ficar sem usar o computador, ou, como diz o Giorgio, “ficar liberada”. Mas como abri o Desabafo de Mãe e lembrei que tem texto meu como manchete hoje, vou deixar uma palhinha e um convite para que todos possam conferir.
Aqui em casa, com meus filhos saindo da primeira infância e já trazendo muito comportamento e valores dos colegas de escola e dos desenhos animados, a palavra que mais tenho tido que enfatizar é respeito. Conceito difícil de impor, mais ainda que os limites, porque precisamos sempre repetir, nas varias situações “sociais”, o que seria indicado.

Por exemplo, não se pode usar “fala sério!” com a vizinha de setenta anos, mas eu não posso simplesmente proibi-los de usar gírias no cotidiano, sob o risco deles ficarem uns “adultinhos” que não se encaixam na própria idade. Então entra o respeito e noção de diferença: com a fulana, por ser uma pessoa mais velha e formal, não pode. Com os amiguinhos da mesma idade, pode.

Mas o mundo hoje é diferente do meu. Quando era criança eu chamava as professoras de senhora, mesmo sendo jovens. Enzo fez jardim 2 e primeiro ano do ensino fundamental com uma professora que era informal (e uma excelente professora!), e os liberava para chamá-la como quisessem. Eu logo chamei atenção quando ele chegou em casa e falou da “Pro”… mandei chamar de Catarina. Ela me respondeu que não se incomoda, que podiam chamar de Cata, Pro, o que quisessem… Noto que todas indicam apelidos para eles, assim se aproximam. E eles apreciam esta intimidade.

Intimidade não é inimiga do respeito. Deveria ser uma aliada, mas não é fácil para os pais atualmente encontrar o meio termo. Como o Giorgio ainda é pequeno, procuro uns exemplos acessíveis para ele entender as situações e Enzo acaba entrando no jogo comigo. Como já comentei aqui, passamos parte do tempo livre juntos lendo gibis e vendo desenhos de super heróis. De uns tempos para cá, conforme fui vendo que o Giorgio se envolvia muito com a Turma da Mônica, comecei a conversar sobre as atitudes dos personagens.

A turminha, como muitas coisas da nossa infância, não tinha nada de “politicamente correto”… pelo contrário, eles são terríves! Chico Bento cola nas provas, engana os pais para ir pescar, rouba goiabas e o vizinho lhe manda chumbo (literalmente). Mônica bate em todos os meninos da rua e os obriga a fazer suas vontades (quantas vezes eles brincam de casinha forçados, com olhos roxos?), e nunca vi os Souza pais chamarem a atenção dela.

Nem os da Magali, que deve ter uma síndrome! Se uma criança comesse o lanche do seu filho, você acharia certo? E por aí a turminha vai… o Cascão, eu sempre digo, se fosse mesmo daquele jeito ou já estaria no hospital internado com doenças graves ou seus pais estariam perdendo a guarda dele por descuido. No turbilhão de estorinhas (divertidas claro, como tudo que não é politicamente correto!) nós conversamos sobre os valores e atualmente mais que tudo sobre o respeito aos outros, às diferenças, às regras sociais.

Outro dia estava lendo o blog Carpe Diem, da colega de Desabafo Emanuelle Albuquerque, e ela falava sobre o livro Pollyana que resolveu reler recentemente. Eu tinha lembrança do jogo do contente desta mocinha tão boazinha que era chatinha, mas a Manu comentava vários conceitos preconceituosos do enredo. Dei risada sobre a Pollyana, pois, por ser muito aquariana, nunca gostei muito deste personagem (risos).

No entanto, como comentou a Manu, ainda indicam este livro e sem pensar que, como Tom Sawyer e Huck Finn, de Mark Twain, não tem nada de politicamente correto! Mas será que dá para obrigar os filhos só ao politicamente correto?

Fomos a um evento da Editora Cosacnaify há alguns dias sobre o livro Capitão Cueca, que é outro destes nada corretos, mas divertidos sob o ponto de vista infantil. E que como o Tom Saywer ensina a criança a sobreviver às adversidades.

Atualmente tenho desafios com o Enzo no início do ensino fundamental que me forçam a apresentá-lo a histórias que são de enfrentamento, porque já passamos por alguns casos (suaves) de bullying, a agressão/perseguição física ou verbal por colegas. Nesta hora, a gente pensa na hora: vamos ver Karatê Kid, quem sabe o mestre Miyagi ensina a reagir? (risos)

No segundo grau fiz um debate sobre politicamente correto… era época disto nos EUA, ainda se pensava que um dia chegaria a estas paragens! Pensei: puxa, nós sobrevivemos, tantas de nós foram apresentadas à Pollyana por nossas mães (creio que quase todas as atuais avós leram este livro), sobrevivemos e estamos fazendo nossa parte sendo cidadãs corretas.

Quando vejo as crianças interagindo nas festas de escola ou de aniversário vejo que eles brigam, mas se dão bem e, conversando com os amigos de meus filhos, noto que eles sabem o que deve ser feito, o certo e o errado, então, fico resignada e concluo que temos ainda que confiar no futuro e pensar de forma rousseauniana, que todos temos em nós o quê bom do Emílio!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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