Resenha de livro: O Mundo Muçulmano

No feriado, fazendo uma viagem longa, eu lembrei de um livro que estava no meu e-reader e eu queria dar uma olhada com calma: O Mundo Muçulmano, de Peter Demant, publicado no Brasil pela Editora Contexto.

A sinopse tinha me convencido de que poderia ser interessante:

“Os muçulmanos constituem uma ameaça ao mundo ocidental? O islã é uma religião de violência? Por que o islamismo é a crença que mais cresce em todo o planeta? Como sua bela e rica tradição cultural convive com a profusão dos homens-bomba, dos atentados em série e do terrorismo em larga escala?Para responder a essas e outras perguntas, Peter Demant escreveu um livro provocativo e esclarecedor. Uma obra monumental do ponto de vista histórico, que rastreia as origens do mundo muçulmano, discute seus impasses contemporâneos e aponta as ações que precisam ser desencadeadas para se evitar uma ameaçadora ´guerra entre civilizações´.”

Aprendi muito com a leitura, tanto sobre a história do mundo muçulmano, quanto da presença árabe no mundo pós 11 de setembro. Eu tinha lido, ainda na adolescência, no auge das mudanças sociais da Queda do Muro de Berlim, do Massacre da Praça da Paz Celestial e do fim da URSS, a biografia de Maomé e o Livro Verde do Aiatolá Khomeini.

E sobre o livro que indico hoje. Muito bem documentado, pode ser considerado uma obra de referência, em especial pela cronologia e por nos ensinar termos (Islã tem um significado ligado a Submissão, sabia?), mas eu não sou especialista na área para avaliar com precisão. O que me chamou atenção foi o fato do autor não ser nem árabe nem muçulmano.

Ele se esforça ao longo do texto para ser o observador mais isento possível, tratando de forma metódica e muito didática (afinal, é professor) o mundo muçulmano, sempre deixando claro que é um ocidental diante do islã.

Para quem tem curiosidade sobre este mundo, eu recomendo a leitura. Tem mais valor para nosso futuro próximo do que a maioria entende. 😉

E neste começo de articulação do novo governo brasileiro, entender o Oriente Médio se tornou ainda mais valioso, né?

E eu falo do Brasil por um motivo em especial: o autor é professor da USP, o que faz com que o livro tenha um discurso e um olhar próprios, de certa forma raros para nossa realidade editorial.

Historiador e professor de Relações Internacionais, especializado em questões do Oriente Médio, o mundo muçulmano e as relações islã-ocidente, Peter Robert Demant é holandês, fez Mestrado (1981) e doutorado (1988) em História Moderna e Contemporânea pela Universiteit van Amsterdam, na Holanda; e Livre-Docência em História Contemporânea pela Universidade de São Paulo (2007). Atualmente é professor associado no Departamento de História da USP, lecionando também no Instituto de Relações Internacionais (IRI-USP) e pesquisando principalmente nos temas: Oriente Médio, islã e islamismo, conflito Israel-Palestina, e a hegemonia do ocidente e sua contestação.

No youtube, tem aulas interessantes do professor:

 

Eu já tinha lido e resenhado, no ano passado, dois livros sobre o crescimento do islamismo na Europa: Submissão, de Michel Houellebecq (que relacionei com o filme Caminhos do Terror) e Na Pele de Uma Jihadista, de Anna Erelle, ambos publicados pela Companhia das Letras.

Um é ficção, outro uma (pretensa e discutível) reportagem. Mas ambos informam ou, pelo menos, nos deixam curiosos para saber mais.

Outro autor que me chamou atenção sobre o Oriente Médio é Bernard Lewis, publicado no Brasil pela Zahar em obras como O Oriente Médio; O que deu errado no Oriente Médio? e Os assassinos. Se/quando eu tiver tempo, talvez me aprofunde no tema em alguma obra dele. Bernard Lewis é professor emérito de estudos orientais na Universidade de Princeton (EUA) e reconhecido internacionalmente como um dos maiores especialistas em Oriente Médio na atualidade. Ganhou o prêmio George Polk com “The Revolt of Islam”, artigo originalmente publicado na revista The New Yorker, depois ampliado para constituir o livro.

Percebam que o olhar dele é outro:

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.