As releituras artísticas ensinam?

Esta é uma pergunta que pode me fazer ser apedrejada. Mas é justo que o faça: será que as releituras artísticas ensinam às crianças pequenas o significado da obra de arte “copiada”? Ao rever um quadro de Monet eles conseguem entender o coração e a alma do artista que pintava lindos quadros do seu jardim?

O assunto veio à tona porque vi uma obra, compartilhada pelo amigo @SilvioAlvarez (artista plástico que tem uma grande ligação com a sustentabilidade e usa e abusa de colagens em suas obras), de uma releitura coletiva de Monet proposta por @telma31rj para alunos da escola MOPI, no Rio de Janeiro. Postei a imagem no grupo Mães (e pais) com filhos no Facebook e logo começamos uma conversa por lá sobre este modelo de educação artística tão em voga atualmente. Em poucos minutos @1001roteirinhos postou a imagem de um trabalho sobre Tarsila do Amaral feito pelas crianças do Jardim1 da escola de seu filho.

E será que as crianças aprendem de fato com estas colagens e desenhos?

Eu acreditava que não até vivenciar duas situações: Giorgio, que teve uma tarefa de releitura de Tarsila do Amaral no Jardim 1 (#aos3) foi meu companheiro de passeio na exposição da pintora na Pinacoteca algum tempo depois. Claro que ele – como todos, creio – se emocionou (ou sentiu-se impactado) ao ver de perto o Abapuru, obra que me impressionou muito na primeira Bienal de Artes que vi em São Paulo (#aos14), reconhecendo-a como a obra sobre a qual a turma fizera a releitura. Até aí, achei natural. A surpresa veio com o genuíno interesse – e certo desconforto com obras como Operários – e a noção sincera de que ele sabia o significado da obra.

No mesmo passeio uma outra curiosidade: Enzo (#aos7) e já um desenhista apaixonado, se encantou com os desenhos da artista que retratavam paisagens que vira em viagens pelo interior (creio que de Minas Gerais) e ficou conversando sobre o que via com nossos acompanhantes. E uma senhora que passeava por lá ficou ao seu redor, ouvindo e aproveitando a interpretação infantil dos “rascunhos” de paisagens da grande artista brasileira.

E aí, com os meus filhos tão pequenos relendo tão bem a alma e as motivações dos artistas, confesso que passei a confiar na argumentação dos professores sobre a importância da aprendizagem por meio da vivência e experiências do fazer artístico, do desenvolvimento do olhar estético e da contextualização histórica da arte.

E vocês, o que acham? Reler arte ensina ou só grava por memorização? Seria melhor criar livremente sem copiar estilos?

P.S. Sut-Mie, a @viagempimpolhos, é mãe coruja e acha que sim: olhem a releitura de Vik Muniz que a filhota dela fez na escola.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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