Rage (e um forum de sustentabilidade) against the machine no #SWU

Queridos leitores, como contei logo que este blog aceitou ser #insider do #SWUBrasil, eu não iria ao festival e acompanharia o Fórum pela web. Mas pudemos indicar dois representantes por blog (escolhi @djmisscloud pela óbvia ligação com a música e @alinekelly pelo trabalho social em prol da sustentabilidade) e pudemos juntas indicar alguns nomes para irem ao Fórum (@renatoguimaraes @lidifaria @tuliomalaspina @teeetchy).

Convidei-os também a compartilhar conosco suas impressões sobre o Fórum (e o festival, para quem ficou lá e viu tudo) e deixo aqui duas sugestões de leitura: o post do Renato, no blog SustentaNews, SWU: música, sustentabilidade e dia perdido. E abaixo publico o texto inédito e exclusivo de Claudia.

Fórum: Negócios sustentáveis

É meus amigos, não choveu em Itu mas fez muuuuuuito frio.

Fomos recebidos dentro do Fórum do SWU pelo trabalho da TerraCycle, um trabalho de reciclagem patrocinado pela Nestlé, como objetivo de dar um destino sustentável às embalagens. Esse material será transformado em sacolas, mochilas e estojos comercializados no site e nas lojas Wal-Mart.

A abertura feita pelo criador do SWU, o publicitário Eduardo Fischer contou a história do pássaro que de gota em gota tenta apagar o fogo da floresta. Essa foi imagem deu o tom para todos os palestrantes seguintes. Começa com você, começa com todos nós – especialmente no campo dos negócios sustentáveis o consumidor é que pode começar uma mudança de atitude das empresas afinal de contas o lucro é o incentivo mais que cada mude nós pode dar às corporações.

O professor da PUC/SP, Ladislau Dowbor foi um dos palestrantes mais ovacionados desse primeiro dia de fórum.
  • Sobre o SWU: “Temos que tranformar atitudes individuais e atitudes sistêmicas”
  • Sobre o micro-crédito: “Pobre tem palavra, rico tem advogado.”
Outro destaque foi Matt O’Hayer, presidente da Vital Farms, empresa que produz ovos em escala industrial e com responsabilidade ambiental.
  • Sobre o preço dos alimentos orgânicos: “A comida barata é a mais cara que podemos consumir, pois acarreta num custo sobre os serviços de saúde”
  • Sobre as galinhas criadas soltas: “São animais que tem 1/3 a menos de colesterol e alto índice de vitamina C, imagine só!”

Bom, aqui acaba a parte bonita e utópica do SWU, logo na saída após ouvir o “Egg Man” dizer que a comida barata é a mais cara que se pode consumir, vamos às opções de alimentação: Cheeseburger no Gordão Lanches e suas bandejinhas de isopor…

Reciclado?

Durante as duas primeiras horas, a coleta de lixo até que não foi tão ruim, embora o conceito de separação de resíduos não ter sido bem disseminado. Imagino que o público não saiba o que onde latas, garrafas, isopor e lixo orgânico devem ser colocados.

Depois disso, sem a devida manutenção, o que se viu foram montanhas de lixo se acumulando onde seriam os pontos de coleta. Lamentável!

Outras atrações

RATM

A principal atração da noite merece um destaque à parte.

Primeiro, a quem interessar possa e se não souber saiba, a ideologia da banda é e sempre foi COMUNISTA. O som é radical, tem uma sonoridade própria e tem uma mensagem essencialmente não-capitalista.

Por isso, a estrela vermelha, a dedicatória ao MST, a menção da Via Campesina e a Internacional Comunista entoada antes do bix – se alguém não sabia disso devia ter se informado melhor.

Segundo, dentro de poucos minutos , ou duas músicas, o RATM mostrou porque é e deveria ser o headline da primeira noite do festival. No frio congelante de Itu, eles colocaram fogo na galera que esperava por eles ansiosamente durante todo o dia.

Neste contexto, a organização colocar uma tenda na área “Premium” à frente da pista tira a visão já dizia: a galera não vai gostar, viu? Quem estava no pista “não-vip” começou a se espremer contra o alambrado (até porque a saída de emergência médica era pela pista vip – a maneira mais fácil de mudar seu status no show). Após muita invasão era inevitável que a segurança não seria suficiente para segurar o entusiasmo da multidão. Após contido o principio de tumulto, o som falhou (ou foi cortado, quem sabe?) aumentando as vaias do público.

Com a intervenção do vocalista Zac La Rocha que pediu aos fãs que “Tomassem conta uns dos outros” e o show pode continuar sem maiores sobressaltos.

No fim das contas eu acho que isso que esse deveria ser o espírito do SWU: Cuidar uns dos outros, e da nossa casa, será que podemos começar?

P.S. – O Post Show

Depois de um dia inteiro de muita música, muito discurso, pouca educação e uma pitada de confusão, hora de ir pra casa. O que ninguém esperava era a invasão de  ônibus e vans em busca do público que deixou praticamente ao mesmo tempo. Faltou comunicação com a polícia? Não sei, mas efetivamente o trecho entre a Fazenda Maeda e a rodovia que foi feito em aproximadamente 10 minutos na vinda demorou 3 HORAS na volta.

Sempre existem problemas e imprevistos em qualquer evento – e quanto mais ambiciosos, maiores eles são – mas a falta de preparação/treinamento da organização do festival ficaram evidentes e foram gritantes até para quem não estava lá. Segundo os idealizadores que deveria ficar para quem participou do SWU é o “experiência” de festival, para quem viveu esse final foi uma experiência mais para traumatizante.

Claudia Santos (@djmisscloud)

P.S. Explicando porque sou insider e não fui: primeiro porque me sinto sem ânimo (sou velha?) para festivais e shows que demoram, não tem onde sentar, o que beber e todas estas frescurinhas que depois de uma certa idade a gente acha tão importantes… segundo porque é feriado de Dia das Crianças e “Família em primeiro lugar”, eu estou dedicando as horas disponíveis aos que amo acima de tudo.

Sinto muito por as desventuras dos envolvidos com o fórum, mas, eu confesso, não tinha expectativas tão superiores quanto à logística do festival. Mas esperava um pouco mais do fórum – que fosse ao lar livre ou pelo menos aberto (como o primeiro flashmob) evitando uso de energia elétrica (tivemos flashmob disso, o segundo, cantando Minha Alma do Rappa sem usar equipamentos), que fosse inclusivo e não fechado (e permitisse que as pessoas interessadas se aproximassem e acompanhassem), que (por conta do horario) reverberasse em todos os espaços do festival em telões. Acima de tudo esperava que duas coisas que são as mais citadas até mesmo em ações de greenwashing: controle dos resíduos (oferta e manutenção de lixeiras separadas) e cuidado com alimentação adequada (e nem precisava, mas podia, ser com carne certificada e tals). Num delírio, por conta do flashmob do dia do carro, sonhei com uma ênfase na concretização de rede de transporte solidário e coletivo para chegar e sair do local.
Enfim, tudo que pensei ficou na utopia. Uma pena!
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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