Ratatouille

Este texto foi publicado no Desabafo de Mãe.

Algumas misturas dão certo. Outras não. Na minha concepção, ratos e crianças combinavam, mas ratos e cozinha não! Mas depois de ver o filme Ratatouille (chamado de Ra-ta-tui pelas crianças brasileiras) mudei de idéia. E mudamos um pouco a capacidade de apreciar alimentos em família.

Apesar de Enzo começar a apreciar a boa culinária (ou seja, provar e gostar de muita coisa saudável e apetitosa), quem me surpreendeu foi Giorgio. Aos quatro anos, como a maioria das crianças desta idade, ele não come nada diferente. Fica na sua “rotina” gastronômica e não se arrisca. Mas ao voltar do cinema quando assistimos Ratatouille, ele logo me falou: “vou provar estas comidas juntas que nem o Rémy, vai ficar bom!”

No começo do filme, o ratinho Rémy ensina isto para o irmão pardo e gordinho, tentando explicar o que aprendeu nas aulas de culinária que via na TV da casa sobre a qual vive o clã de ratos chefiado por seu pai. As aulas eram do chéf Gusteau, que acaba sendo o mentor espiritual do ratinho cozinheiro no filme todo.

A partir daí, são muitas trapalhadas dignas dos melhores desenhos animados, com direito a belas paisagens francesas e detalhes incríveis do interior do suposto famoso restaurante francês. Já notaram como os ratinhos funcionam bem no imaginário infantil? Nossa geração (e outras antes) foi fã de Jerry (do gato Tom) e Mickey Mouse. Algum tempo depois, foi a vez do Stuart Little e Hamtaro ganharem as crianças do mundo. Pois Rémy tem essas qualidades e ainda é nobre de espírito, enfim, é impossível não amá-lo.

Não gostei do enfoque da imprensa que começava as sinopses dizendo que o ratinho sonhava em ser um grande chef. Na verdade, a grande sacada da história é o fato de ele pouco a pouco, em virtude das coincidências e infortúnios de sua vida, descobrir em si a capacidade de ser chef.

O mesmo ocorre em nossas vidas. Altos e baixos que acabam nos levando ao sucesso de forma inusitada. Como no filme Carros, uma das mensagens ressalta que vivemos escolhendo carreira e família e, ainda assim, é possível encontrar um caminho onde as duas coisas convivam em harmonia.

A outra mensagem, repetida à exaustão e que encantou Enzo, é de que “todo mundo pode cozinhar”. Não ser um grande chef, mas todo mundo pode fazer aquilo que sonha se estiver disposto a se empenhar de coração. Para os pais fica a mensagem de que devemos estar dispostos a permitir que nossos filhos busquem (e encontrem) sua felicidade e realização, mesmo que seja em condições inusitadas para nós.

Não deixe de ver o filme, especialmente se, como nós, você também é fã de outros sucessos Disney Pixar, como Monstros S.A., Toy Story, Vida de Inseto, Os incríveis, Procurando Nemo e Carros.

O que conta o filme?
“Ratatouille” é o nome de um prato da culinária francesa popular feito com ingredientes que crianças não gostam: tomate, berinjela e pimentão. Para piorar, grande parte da animação se passa na cozinha. Mesmo assim, com tantas coisas adultas, o filme agrada em cheio às crianças porque tem uma história simples e engraçada.

Remy é um rato que está em Paris e gosta de culinária, mas o fato dele não ser humano dificulta seus sonhos. Num lance do destino forma uma improvável parceria com um rapaz desajeitado, Linguini, o novo ajudante de cozinha de um tradicional mas decadente restaurante parisiense.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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