entretenimento / relacionamentos
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Estou acompanhando o blog da missérie que estréia hoje na Globo, Queridos Amigos. Gui e eu vimos chamadas nos intervalos do Jornal da Globo e a imagem de amigos correndo na praia, num reveillon, com música da Elis (é ela mesmo?) no fundo, nos deixou curiosos e foi ele quem me pediu para saber do que se tratava. Todos sabem que gosto de TV (mesmo sem ver novelas das oito há anos) e esta mistura de nostalgia e amizade é a minha cara. Estes anos obscuros que o seriado vai mostrar foram os da nossa infância e começo de adolescência dos dissabores que vimos nossos pais e tios passarem. Para alguns será um retrato da própria vida, para outros a imagem de pura ficção.

O epicentro da história está em Léo, personagem que reune os amigos depois de muitos anos separados e tenta fazer com que todos realizem seus sonhos. Quem o interpreta é Dan Stulbach, sobre quem já falei da minha simpatia, e que foi responsável pela produção da minissérie, baseada em livro de Maria Adelaide Amaral. Ele falou sobre o livro dela, “Aos meus amigos”, disse que ele daria uma boa minissérie. Pouco tempo depois, a autora ligou para o ator dizendo que transformaria o livro numa minissérie.

Quem esteve na coletiva no há uma semana afirma que a série tem tudo para dar certo:

“Do pouco que se viu pode-se perceber a delicadeza no tratamento das cenas, não só a preocupação estética, mas pela sutileza com que a direção – e o elenco – soube fugir das fórmulas óbvias e dos chavões. Isso fica evidente no tom dos atores, na edição que intercala cenas de ficção à outras reais – garimpadas dos telejornais de 1989 – e na emoção evidente, que transborda sem jamais ser excessiva.”

Ano das primeiras eleições diretas no Brasil depois de 30 anos, fase em que o mundo digeria a Perestroika e assistia ao Massacre na Praça da Paz Celestial, antevendo mudanças bruscas na geopolítica européia (queda do Muro de Berlim, antevia-se a dissolução da Iuguslávia), 1989 foi marcante para mim também, pois neste ano deixei de morar com minha mãe e irmãos e passei a levar quase que uma vida de república com meu pai divorciado – que trabalhava muito – e descobri a política (fui da Juventude Comunista um dia, risos), as ONGs, militei pelo voto aos 16 anos, aprendi violão, fiz muitas amizades com intercambistas estrangeiros (uma delas uma alemã, minha amiga até hoje, que se ressentia muito por não ter estado em seu país naquele ano) e descobri o mundo. Um mundo que ainda era triste e se dividia não mais em esquerda e direita, mas em velhos marxistas e novos yuppies, sem espaço para quem não sabia ainda o que queria ser.

E você, o que fazia em 1989?

P.S. O herói da história é inspirado no amigo da autora, Décio Bar, um jornalista, poeta e militante político que se sucidou em 1991. Como conta em entrevista, eles tinham sido “unha e carne em 1960, no Colégio Estadual de São Paulo. Aluno do 3º científico, ele percebeu na mocinha do 1º clássico uma pupila em potencial. Apresentou-lhe, então, livros de Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Albert Camus. Cabulavam aulas para assistir a filmes franceses no Cine Coral, na Rua Sete de Abril, ou recitar poesias no Viaduto do Chá. “Estávamos juntos de segunda a segunda, mas jamais namoramos”, afirma, categórica.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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