cultura web / empreendedorismo

Há algumas semanas acompanho a reação dos blogs (e da mídia, pois li também na Época) aos comerciais do Estadão que ridicularizavam os blogs. Gostei de algumas atitudes de blogueiros e acho importante que nos posicionemos diante desta situação, mas no fundo me perguntei: para quem os blogs falam? Quem são os “ÃO”?

Leio sobre economia, mesmo sem entender muito, e uma das minhas leituras é o Dinheirama. Confesso que muitas vezes os temas passam tão longe de minha realidade financeira atual que eu me pergunto para quem são. Será que os 63% da população brasileira que não tem poder de consumo, segundo li num post da Ceila outro dia, também pensa assim? E será que os 37% que sobram estão mesmo preocupados com a integridade de quem lhes escreve?

Segundo dados demográficos do orkut, o maior sucesso atual em rede de relacionamento aqui, o Brasil corresponde a 53,74% dos usuários. Apesar de fazer parte deste grupo desde antes de ultrapassarmos os americanos (que hoje são 18,96%), eu sou minoria, pois estou na faixa dos 31-35 anos, ou seja, 4,79%. A maioria maciça e esmagadora, 60,20%, tem 18 a 25 anos. Considerando-se que não é possível aparecer com menos de 18 anos lá, conto aí muitos adolescentes. Serão estes os leitores de blogs? Se forem, todos nós, blogueiros, estamos no caminho errado e devemos nos rever: ou passamos a falar de temas que lhes interessem ou assumimos a função de complementar a educação deles (alguns o fazem e bem) ou encaramos a realidade de escrevermos apenas para “miguxos”.

Acredito que o caminho, voluntário ou não, é o terceiro, pelo menos por enquanto, pois o internauta brasileiro ainda não está adaptado à interatividade que os blogs sugerem e que os mantém vivos, por isso contamos com os coleguinhas para comentar nossos textos. Os blogs corporativos podem começar a ajudar a formar na faixa dos 10% que estão acima de 25 anos um hábito novo como usuário da web 2.0, mas enquanto isto não acontece, creio que o caminho é chamar quem está perto de si (geográfica ou virtualmente) para que conheçam este mundinho ainda tão fechado em nós e descubram a sensação de se fazer ouvir (ler). Hoje feira acontece o Blog Day, que tem como um dos objetivos indicar novos blogueiros e assim amplificar a rede e mostrar novos mundos nesta blogosfera. Minhas indicações serão pessoas que vi nas últimas semanas passarem a ter seus próprios novos (ou revividos) espaços para mostrar as maravilhas que pensam. Isto eu chamo de apadrinhar um blog e já tenho alguns na minha listinha de madrinha.

Enfim, no meio da polêmica toda do Estadão, que afinal não saiu de nosso mundinho, creio que o caminho ainda é o da educação cívica. Dar a muitos outros o direito e o dever de opinar sobre o que se passa em nossa sociedade e assim mudar o comportamento calado do “homem cordial” que alguns brasileiros insistem em assumir.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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