Quem foi educado para nos querer?

“O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa?”
Ruth Manus

No feriado, um texto fez muita gente se dividir entre feminista, machista e cansado desta guerra. (risos)

Li reflexões interessantes e trouxe algumas delas para cá:

“Eu não acho que cuidar de casa e filhos seja uma tarefa ruim ou menos importante, mas parece que muitas meninas da nossa geração acham isso. Não adianta a gente se emancipar e depois querer contratar outras mulheres pra fazer o trabalho doméstico pagando um salário de miséria. Mulheres que muitas vezes vão abandonar seus filhos também, e suas casas, pra cuidar das nossas.”
Larissa Popp Abrahão 

Tudo no texto, de alguma forma, remete a minha vida, embora eu seja claramente de outra geração, tenha feito escolhas pessoais que incluiam a casa e a família, e nunca tenha tido, dos meus pais, a oportunidade de escolher se queria ou não ser bem sucedida no trabalho. Sou porque meu marido é da turma dos homens que quis um ser humano pleno ao seu lado.

Mas, como a Sara já escreveu por aqui, me cansa sempre ser vista como um E.T. porque tenho um bom marido e tive um bom pai.

“Eu sei que não devia ser assim, que nós, mulheres que temos maridos que ajudam em casa e que nos incentivam a voar, não deveríamos nos sentir “sortudas”, sabe? Mas ainda é a realidade de muita gente.”
Sara Martinez

 

Gosto da visão de que dividimos a vida por amor. Se não for assim, melhor ficar sozinha.

“Em casa é tudo dividido e dividido por amor, não por obrigação, eu cozinho pra ele e ele pra mim, como forma de carinho, de cuidado, não porque alguém definiu que a gente tem que cozinhar. É muito louco as pessoas pensarem assim.”
Mirian Bottan 

A pergunta: “Escolha difícil, ser avó ou presidente dos EUA?”
A resposta: “Muitos vovôs fizeram isso”.

E me lembrou deste outro impasse, que mostra que o preconceito e a cobrança contra as mulheres ainda está longe de acabar. Além de me remeter à frase de John Lennon com a qual descrevi a candidatura de Hillary Clinton contra Barack Obama:

“A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem”.

Para mudar isso, temos que trazer o tema à tona, conversar, tirar da invisibilidade social este peso que ainda carregamos.

Está nas nossas mãos ajudar a mudar essa realidade, seja ajudando e incentivando mulheres próximas, seja contaminando o marido, seja criando homens e mulheres que enxerguem as coisas de outro jeito. Eu faço a minha parte, com meus meninos e minha menina, mas também com meus colegas de trabalho, com a ajudante que cuida da minha casa, com o mundo à minha volta.

E você, o que tem feito?

🙂

A incrível geração de homens que NÃO aparenta ser incrível (Carta à Ruth Manus)

Vale ver também a reação dos meninos, como o post do blog Machos de respeito, A incrível geração de homens que NÃO aparenta ser incrível (Carta à Ruth Manus) e da Nana Queiroz (a moça do “Não mereço ser estuprada”), À espera de uma geração de mulheres que não julga o que a outra quer.

E este update da Val:

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.