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Li uma adaptação de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, quando eu tinha 10 anos e cursava a quarta série. Foi fantástico, mas não tanto quanto tinha sido ver o longa da Disney com o Gato Risonho, Chapeleiro Maluco, Lebre de Colete Branco e a própria Alice, uma menina que ao mesmo tempo fugia tanto da minha realidade quanto me fazia encontrar empatia em sua forma de contestar as regras e encontrar soluções.

Afinal, que mente senão a infantil para admitir o ridículo de pintar rosas brancas de vermelhas? E quem mais encararia a insanidade do chá do Chapeleiro Maluco e seus convivas sendo capaz de diverti-se com o que presenciava? Depois que nos tornamos adultos perdemos esta capacidade de ver o mundo com olhos diferentes e eu sempre pensei que o livro de Alice fosse sobre isso.

Eis que há um ano minha família espera com ansiedade o lançamento de Alice de Tim Burton nos cinemas. Muito além de ser 3D e da Disney, meu filho ansiava por ver novamente sua dupla favorita na Sétima Arte: Tim Burton e Johnny Depp. Mas, quem aprecia cinema sabe que os dois não são exatamente craques em filmes infantis e que a profundidade da mensagem se mescla ao noir e pode assustar muita gente. Fui ver uma das sessões de Alice para imprensa e, apesar de ter gostado do que vi, não levei os meninos ainda para conferir a nova versão. Sinceramente, fiquei na dúvida se eles vão gostar.

Como Paula Taitelbaum, lemos o livro e isso cria expectativa. Mas ela garante que filha de 9 anos gostou mais do que a mãe. Afinal são as crianças as mais capazes de reviver o mundo dos sonhos de Alice: se é na toca do coelho que surge o País das Maravilhas, é na imaginação de Alice que esse país se torna real. A “realidade” de Alice no País das Maravilhas é um retrato das discussões sobre o mundo inglês de 145 anos atrás, mas até hoje encanta as pessoas com sua crítica à ridigez e disciplina exigidas na época da Revolução Industrial. Segundo a escritora Ninfa Parreiras, especialista da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, “a personagem Alice transgride, troca, experimenta, faz mudanças. Ela é uma criança”.

A Alice do filme não é mais uma criança, mas é uma moça de 19 anos decidida a ser a dona do seu destino em todos os momentos, em dúvida sobre o que vê, não uma heroina tradicional, mas alguém que, como todos nós, precisa pensar antes de decidir se a luta que tem à sua frente é sua ou não. Creio que, novamente (e a despeito de críticas à verdadeira Alice e sua amizade com Lewis Carroll), a menina e sua relação com as rainhas (no filme tem a Rainha de Copas e sua irmã, a Rainha Branca) nos permitem uma reflexão sobre os papéis femininos na sociedade e por isso fica como sugestão para este final de semana de Dia das Mães em família.

P.S. Nós compramos uma versão que trazia as duas obras: Alice no País das Maravilhas e Alice através do espelho e meu pequeno leitor gostou muito. Vale como dica de livro que tanto pais quanto filhos vão adorar ler. E se gostar de e-book, você pode baixar esta versão que a Editora Arara Azul disponibiliza gratuitamente. E é possível ver no youtube, em partes, todo longa da Disney produzido em 1951.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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