relacionamentos

Gui e eu sem os filhotes, clique da @debydd no berçário de cavalos marinhos de Porto de Galinhas, PE.

Meus sonhos de menina adolescente foram embalados com frases de Vinícius de Moraes. Eu tinha 11 anos quando descobri um disco dele (uma antologia musical) da minha mãe e desde então suas palavras conduziram meus sonhos românticos. O que isso quer dizer? É que eu não imaginava a vida adulta, o amor, o casamento (o poetinha casou quase uma dezena de vezes, né?) como algo que duraria eternamente. Mas sempre desejei uma relação amorosa que fosse ao mesmo tempo plena e intensa, como todo tipo de amor deve sempre ser!

Pesa aqui também o fato de eu ter passado a adolescência com pais separados (que no final dela se recasaram) e ter descoberto que as pessoas erram, tentam acertar, vão e vêm, sem que estas coisas da vida tenham sido exatamente culpa de um ou de outro, no geral são uma busca pela felicidade que a cada momento pode nos parecer com uma aparência. Demoramos um pouco – uns mais, outros menos, outros nunca chegam lá – para entender o que dizia Erico Veríssimo: “Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.”

Neste fevereiro, mês do meu aniversário, do aniversário do meu marido, nosso aniversário de casamento (são 14 anos hoje) eu posso dizer que o poetinha carioca de alma baiana tinha razão, mas o escritor gaúcho também. A felicidade é possível, ela pode ser duradoura (não sei se dura para sempre, mas depois de quase 2 décadas com o Gui sei que o amor é imortal, pois a chama que começa numa química sexual pode se manter alimentada também – mas não somente, vejam bem – com a química e a afinidade em tantos outros aspectos da vida.

Soneto de Fidelidade

Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes, “Antologia Poética”, Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.

P.S. Quem me contou que 14 anos de casamento são Bodas de Marfim foi a @kakah.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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