Quando eu chorava (uma crônica sobre o Brasil nas Copas)

“Em qualquer Copa
em qualquer país
com qualquer técnico
com qualquer time
o campeão não muda:
a torcida do Brasil”

Li uma crônica – Quando eu chorava – a convite do @alessandro_m no Twitter e me lembrou a conversa de boteco que tive, no dia da eliminação do Brasil pela Holanda, com amigos que lembravam de Copas diferentes por conta da diferança de idade. Eu lembrava de 1982 porque completei as figurinhas da Elma Chips, mas a sensação de torcer de verdade eu só senti em 1994. Gui, apenas um ano mais velho que eu, lembra nitidamente de tudo, desde a Copa da Argentina, 1978. Fugita, três anos mais novo que eu, lembrava só de 1986 e do Brasil perdendo no México. Midori e Simone nem comentaram, mas o Carlos sabia tanto quanto o Gui. No todo, uma sensação comum de derrota, que, se não era pessoal, chateava.

“Em 1982, eu era pequeno demais para entender a tristeza que reinou em casa por conta da eliminação do Brasil na Copa da Espanha. Em 1986 foi bem diferente. Eu já entendia um pouco de futebol – e chorei. Em 1990, me lembro de chorar em todos os jogos, até aqueles que o Brasil ganhou.
As coisas começaram a mudar em 1994. Chorei um pouquinho de felicidade. Isso porque, naquela época, eu havia começado a acreditar na macabra fantasia de que não viveria para ver o Brasil campeão do mundo.
Em 1998, o choro desapareceu e deu lugar à revolta. Em 2002, não senti nada remotamente parecido com alegria. Em 2006, novamente a revolta.
Agora em 2010, o normal seria que eu ficasse mais uma vez revoltado e nada triste. “

Em sua crônica Paulo Polzonoff Jr conseguiu expressar parte dos meus sentimentos. Por lembrar de 1998, eu temia a Holanda. E temi mais ligar para meus filhos, que passam as férias nos avós, e ouvir suas vozes tristinhas me contando como foi ver o Brasil eliminado. Mas não foi assim, como Paulo aprendi que é um jogo, não é a nossa vida nem será o script do nosso destino e que dá até para gritar gol quando outro time faz uma jogada bonita.

E como diz a peça publicitária da Rede Globo: Bola prá frente!

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook