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OSESP no Villa Lobos - fotos de @estertambasco http://www.flickr.com/photos/estertambasco

OSESP no Villa Lobos - fotos de @estertambasco

Esta é uma pergunta que eu me fiz por muito tempo. Enzo e Giorgio foram ninados, desde os primeiros tempos na minha barriga, com músicas de boa qualidade para que sua sensilidade fosse aguçada. Nada muito forçado, mas certamente que muito planejado por nós. Guilherme e eu fomos criados com música erudita fazendo parte do cotidiano e ouvir concertos sabendo de que peça se tratava era meio comum. Na casa dele, com pai filósofo e mãe pianista, até mesmo Milton Nascimento era considerado meio moderno aé que os filhos entrassem na adolescência. Já na minha família, mais adepta da diversidade (até pela mistura étnica), o toca-discos era amigo de Rachmaninoff, Vivaldi, Tchaikovsky, Ravel mas também de Nat King Cole, Frank Sinatra, Chico Buarque, Roberto Carlos. Nada muito moderno, mas bom, com notas musicais que sempre me remetem a bons momentos familiares.

Apesar de incluir música na vida dos meus filhos, não tenho hábito de ouvir música erudita em casa. #shameonme eu sei… enquanto eles moravam mais perto dos avós era mais fácil, na casa do vô sempre tinha e em situações assim eles foram incorporando. Mas ao mudar para Sampa eu me vi meio só neste trabalho de educação musical e comecei um novo trabalho: o de ensinar música conforme ela aparecia. Por exemplo, a gente está no trânsito e conforme toca música no rádio nós contamos a história, situamos no espaço-tempo, traduzimos a canção, coisas assim. Embora isso funcione super bem (outro dia estávamos num Bar e tocou One of Us, da Joan Osborne, e os meninos lembraram de um destes papos), aprendi com a prática que nada vale mais do que vivenciar a música.

Temos feito isso indo a espetáculos e shows. Giorgio está cantarolando até hoje uma das músicas de Zeca Baleiro que ouviu no musical Quem Tem Medo de Curupira? e Enzo ainda lembra com carinho de shows do Palavra Cantada e de Toquinho que vimos logo que mudamos para Sampa, em 2005. Mas música infantil é fácil, o difícil é fazer esta iniciação musical e a educação prática dos pequenos consumidores de cultura na música erudita.

OSESP no Villa Lobos - fotos de @estertambasco http://www.flickr.com/photos/estertambasco

OSESP no Villa Lobos - fotos de @estertambasco

Ontem nós tivemos uma chance excelente de colocar a iniciação musical em prática graças ao convite do Itaú Unibanco para assistir ao concerto que a OSESP fazia no Parque Villa Lobos. Para ficar ainda mais perfeito, o dia estava ameno (sem sol forte e sem chuva) e tivemos lugares especiais, bem à frente da orquestra, para ver e ouvir tudo confortavelmente sentados, mas sem perder o presente que é ouvir boa música ao ar livre. Para ser sincera, embora eu ache lugares como a Sala São Paulo maravilhosos, considero que certas composições foram feitas para ouvirmos ao ar livre, pois elas libertam a alma para um mundo melhor.

Minha família chegando ao Villa Lobos - percebem como tinha espaço livre para se movimentar enquanto as crianças ouviam a música? Torço para que outros espetáculos assim sejam feitos!

#ficaadica para os pais e avós que querem ensinar às crianças como consumir cultura com prazer: ao invés de chatear os pequenos com concertos nos quais eles terão que fazer silêncio e ficar bem comportadinhos, vamos encher os espetáculos ao ar livre onde eles podem ouvir as músicas correndo ou subindo em árvores – meu filho caçula fez isso ontem, ouviu duas músicas sentado e depois saiu para “passear” com meu pai e estou certa de que a memória dele passará a relacionar Sinfonia Espanhola de Ravel com momentos felizes em família. Com uma relação emocional especial como não gostar de orquestras?

P.S. Como falei no post sábado, tinha espaço de oficinas culturais infantis. Mas, para variar, eram oficinas para crianças beeem pequenas… novamente eu vejo que, como acontece nos eventos literários, a partir dos 7 anos os consumidores de cultura ficam sem ofertas. Sugestão de mãe: produtores culturais, abram o olho ou perderão esta fatia (gorda) do mercado! 😉

Ah! E o que é um bom concerto sem conhecidos para partilhar? Ontem encontramos pessoas gentis que compartilham do nosso amor pela música: abaixo tem encontro com @rzouain que levara sua mãe, pianista, para comemorar o aniversário no concerto. A mãe dela conversa com a minha e com a de @gabibianco (as louras são a minha @blogouvor e da de Gabi @marciabianco). Reencontramos conhecidos como @lidifaria @poperotico e a família de @souzacampus. E conheci pessoalmente @estertambasco, autora das fotos do encontro.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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