mãe

Com os meninos de férias na casa dos avós desde quinta-feira, neste final de semana Gui e eu ouvimos dos amigos mais íntimos muitas brincadeiras sobre estarmos em lua de mel. Eu ri muito – pela simpatia, o carinho da conversa de quem sabe que somos um casal apaixonado – e também refleti sobre esta visão que considero antiquada da vida a dois depois dos filhos e lembrei também de Quando as crianças saírem de férias, canção gravada por Roberto Carlos na década de 1970. Esta música é um encanto e, para mim, uma das provas de que Roberto Carlos tem uma magestade indiscutível: a de entender a vida simples, a mais cotidiana e comum, transpondo-a em versos que tocam os corações.

O melhor exemplo que você pode dar aos seus filhos é mostrar a eles como você trata e ama a mãe deles”. Abraham Lincoln

Neste ano eu tentei inovar e não deixar meus filhos passando as férias todas na casa dos avós (uma tradição para eles desde 2006), mas não consegui. Na quinta-feira eles viajaram (muito felizes, por sinal) com o avô. E por conta da viagem deles, neste final de semana meu esposo e eu ouvimos dos amigos mais íntimos muitas brincadeiras sobre estarmos em lua de mel, o que me fez refletir sobre esta visão que considero antiquada da vida a dois depois dos filhos. Creio que como nós, os casais da nossa geração, embora gostem sim de curtir momentos fora da rotina dos cuidados familiares, não deixam mais que os filhos sejam o centro de suas vidas, sabem – ou procuram – dosar o tempo para serem bons pais mas também bons amantes.

Na hora lembrei também de Quando as crianças saírem de férias, canção gravada por Roberto Carlos na década de 1970, fruto da parceria Roberto e Erasmo, a poesia é um retrato da geração dos nossos pais que não sabia direito como impor limites e ter privacidade sem cair no autoritarismo das gerações anteriores – erro que eles pretendiam não repetir. Não sei se muitos pais se identificam com tudo, mas, de minha parte, as palavras dos primeiros versos – “Quando eu chego em casa eu encontro / Minha turma esperando sorrindo / E lá vou eu / De xerife ou de homem do espaço / No seu mundo esquecer o cansaço / E o tempo vai” – são o retrato da relação gostosa entre pais e filhos, da vida em família, aquela que eu e você gostaríamos de ter – ou que damos graças por termos.

E como conseguir este equilíbrio? Como escrevi no post O amor dos pais é o exemplo dos filhos – é fato que quem tem filhos (ainda mas os pais de crianças pequenas) está sempre tão envolvido com as responsabilidades com os filhos que raramente tem tempo para viver um clima de romance. E lá eu citava o ator Matthew McConaughey contando que já vira vários “relacionamentos onde tudo gira em torno dos filhos e essas relações parecem não durar. Se você fica em segundo plano, tudo se torna difícil“.

Deixo aqui o convite para reflexionarem como andam tratando o seu relacionamento com seu parceiro e para incluirem mais leveza, alegria e carinho que fazem a vida valer a pena no cotidiano de vocês. Se não podemos voltar ao tempo de namorados, em que um vivia em função do outro, com certeza podemos ser mais pacientes com as pausas um do outro e, ao invés de reclamar (como fazem no geral os homens) ou ficar de birra (como preferem as mulheres para demonstrar insatisfação), mantendo acessa “a chama” através de gentilezas, apoio, atenção.

Poucos contam, mas estas pequenas coisas do cotidiano – e não esperar as férias das crianças chegarem – são as verdadeiras “velas e vinhos” que fazem a vida a dois ser romântica. ;)

Quando As Crianças Sairem De Férias
Composição: Roberto Carlos – Erasmo Carlos

Quando eu chego em casa eu encontro
Minha turma esperando sorrindo
E lá vou eu
De xerife ou de homem do espaço
No seu mundo esquecer o cansaço
E o tempo vai

Bem mais tarde o calor do seu beijo
Me envolve em amor e desejo
Mas o nosso amor
Não vai longe e um deles lhe chama
Ele quer companhia e reclama
E você vai

E assim nosso tempo se passa
Quando você retorna sem graça
E eu me aborreço
Quando as crianças saírem de férias
Talvez a gente possa então se amar
Um pouco mais

Novamente o calor do seu beijo
Nos envolve no mesmo desejo
Mas o nosso amor
Dura pouco um outro agora
Põe a boca no mundo e chora
E você vai

Outra vez você volta sem graça
E outra parte do tempo se passa
E eu me aborreço
Quando as crianças saírem de férias
Talvez a gente possa então se amar
Um pouco mais

Novamente o calor dos seus braços
Me acende e eu esqueço o cansaço
De esperar
A história é sempre assim
Já um outro chamando por mim
E lá vou eu

E assim outra noite se passa
Quando eu volto e fico sem graça
Você já dormiu
Quando as crianças saírem de férias
Talvez a gente possa então se amar
Um pouco mais

Quando as crianças saírem de férias
Talvez a gente possa então se amar
Um pouco mais

Quando as crianças saírem de férias
Talvez a gente possa então se amar
Um pouco mais

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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