Qual o sexo do seu cérebro


No Twitter parecia um viralzinho: todo mundo fazendo o quiz para saber qual o sexo do seu cérebro. O teste acompanhava uma reportagem que afirmava que  “o cérebro humano pode ser feminino ou masculino independentemente do sexo biológico de uma pessoa” e convida a fazer o  teste e descobrir se o seu cérebro tem o mesmo sexo que seu corpo. Não resisti, fiz e o meu resultado foi misto, o resultado mais comum do teste, que compõe uma linha de pesquisa para entender melhor as diferenças neurológicas entre homens e mulheres, parte do estudo sobre dirigido pela neuropsicologista Anne Moir, da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Anne Moir é autora de Brain Sex, publicado em 1989 com o jornalista David Jessel e que se tornou uma referência popular sobre a biologia do gênero e as diferenças biolíogicas entre homens e mulheres – e que infelizmente não parece ter uma versão brasileira. Mas a versão em inglês tem um resumo aqui

Enquanto respondia sim ou não às perguntas, eu mesma percebia que conduziam para feminino ou masculino, o que me deixa meio incerta sobre o resultado obtido. Mas eu adoro testes, né? E sou honesta. Então fui respondendo e percebendo que sou feminina ao afirmar que consigo saber se uma pessoa amiga está triste ou irritado só de olhar para ele ou que eu consigo fazer várias tarefas ao mesmo tempo. E acho que o cérebro masculino gostava de desmontar aparelhos eletrônicos na infância e subia o mais alto possível nas árvores. Mas será que não gostar de perder é masculino ou feminino?

Anne Moir explica que

“O sexo do cérebro é determinado pela quantidade de testosterona [hormônio masculino] a que o feto fica exposto no útero. Em geral, homens recebem doses maiores do que as mulheres. Mas isso varia e nós ainda não sabemos exatamente por quê. (…)
Durante o desenvolvimento dos seres humanos, como o homem era o caçador, desenvolveu um cérebro com habilidades manuais, visuais e coordenação para construir ferramentas. Por isso, um cérebro masculino tem mais habilidades funcionais.
as mulheres preparavam os alimentos e cuidavam dos mais novos. Elas tinham que entender os bebês, ler sua linguagem corporal e ajudá-los a sobreviver. Elas também tinham que se relacionar com as outras mulheres do grupo e dependiam disso para sobreviver na comunidade e, por isso, desenvolveram um cérebro mais social. Os homens, por sua vez, lidavam com um grupo de caçadores, não precisavam tanto um do outro e se comunicavam menos, apenas com sinais. “

Chamou-me atenção em especial uma outra afirmação da pesquisadora.  Moir acredita que a diferença de sexo entre cérebro e corpo pode estar ligada às causas do homossexualismo. Ela afirma que

“se a concentração de testosterona no útero está mais baixa do que o padrão para os homens, então o ‘centro sexual’ do cérebro será feminino e esse homem sentirá atração por outros homens. Se a concentração desse hormônio estiver alta, o ‘centro sexual’ será masculino e ele sentirá atração por mulheres”.  

Interessante para pensar nos condicionamentos naturais que temos e um tema para se acompanhar de perto, na expectativa de que os resultados de sua pesquisa permitam um avanço social e uma maior aceitação das características intrínsecas de cada um.

P.S. E para quem se interessou, este artigo de Jaquelyne Cruz no site da UFCG mostra imagens de cérebros de homens, mulheres e homossexuais e trata do tema sob um enfoque mais científico, comparando através de imagens as diferenças cerebrais entre homens e mulheres. Segundo o artigo acadêmico, o processamento computadorizado de imagens dá fundamentação científica na diferenciação cerebral anatômica e funcional entre os gêneros de nossa espécie, como mostra a imagem abaixo.

Thanks to: @mlemos que fez uma piadinha com a música do Pepeu Gomes, “ser um homem feminino, não fere o meu lado masculino”, @giseleramos e @smiletic que me responderam sobre o episódio e @filipekiss me ajudou a encontrar um post do Blog na TV sobre o episódio The Softer Side de House em que um adolescente tem Mosaicismo genético,  nasceu com DNA masculino e feminino.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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