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Blogagem Coletiva Escola Como Instrumento no Enfrentamento ao Trabalho Infantil

O Brasil tem o compromisso de erradicar todas as formas de trabalho infantil no país até 2020. A região do semiárido brasileira concentra os piores indicadores sociais, mais de 70% dos 13 milhões de crianças e adolescentes vivem na pobreza. Por isso, este ano a Fundação Telefônica Vivo tem como foco mobilizar a sociedade sobre o tema e apoiar projetos que atuem no enfrentamento ao trabalho infantil na região.

Parte dessas ações para ajudar na conscientização e na mobilização de enfrentamento ao trabalho infantil tem acontecido em discussões online na página da Fundação Promenino, no Facebook, onde influenciadores se reúnem para discutir detalhes da questão.

O tema do terceiro fórum de combate ao trabalho infantil que aconteceu hoje, no dia do professor, não poderia ter um tema mais adequado: o papel da escola. A discussão aborda temas do interesse da sociedade, como o que fazer diante de uma situação de trabalho infantil, evasão escolar e a lei da aprendizagem, o papel da família e do empregador e as condições sociais que levam ao trabalho infantil e adolescente desprotegido.

A empreendedora Marcelle Ribeiro levantou uma ótima questão no debate:

“Sem sombra de dúvidas, quando a criança está na escola, ela não está sendo explorada através do trabalho infantil. Lugar de criança é na escola. Como disse Aline Kelly, a escola e o acesso a uma educação de qualidade é que irão promover oportunidades e prepará-las para que, no futuro, não sejam exploradas no trabalho, tenham mais qualidade de vida e possam fazer melhores escolhas.

Um país avançado é um país que cuida de suas crianças através de educação, cultura, esporte, artes, saúde. A escola é fundamental nesse processo, mas, dependendo da situação econômica e financeira, muitas famílias ainda não veem um futuro levando a criança à escola. Aprendi nos trabalhos, estudos e pesquisas que apoiei no Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (Ciespi) ainda em 1998, que tirar as crianças da rua, dos riscos, da pobreza e violência, requer que a família tenha condições e compreenda que a criança tenha que estar na escola”.

Nos comentários foi citada uma reportagem da própria Promenino, que traz alguns índices fundamentais para compreender a questão:

  • Mais de 50 milhões de alunos matriculados na educação básica do País deveriam ter voltado a estudar nesse início de ano.
  • 1 a cada 4 alunos que inicia o ensino fundamental no Brasil abandona a escola antes de completar a última série (dados do Relatório de Desenvolvimento 2012, do Pnud).
  • A necessidade de trocar os estudos pelo trabalho, a distorção de idade e série, a falta de acesso e o desinteresse são os principais motivos para que 25,3% das crianças e adolescentes abandonem a escola.
  • A estatística da Organização das Nações Unidas torna o Brasil o terceiro em taxa de evasão escolar entre os 100 países com maior IDH.
  • É no ensino médio que a maioria desiste. O relatório Crianças Fora da Escola 2012, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), aponta que mais de 534 mil crianças e adolescentes de 7 a 14 anos estavam fora da escola, sendo a região Nordeste a de maior concentração, com mais de 189 mil.
  • Dos adolescentes com idade entre 15 e 17 anos, o número é quase três vezes maior: 1.539.811 jovens abandonaram a escola, o que representa 14,8% desta população. Em números absolutos, a região Nordeste é novamente a primeira, com 524.114 adolescentes, seguida da Sudeste, com 471.827.
  • Ainda de acordo com o relatório do Unicef, os adolescentes de 15 a 17 anos que trabalham e estudam ao mesmo tempo somam 2.196.092 em todo o País, o que representa 21% do total dessa faixa etária.
  • A região com maior proporção de adolescentes nessa situação é a Sul, com 24,7%, seguida pela Nordeste, com 22,4%. Em termos absolutos, as líderes são as regiões Sudeste, com 737.884, e Nordeste, com 732.520.

E o que fazer?

Nesse mesmo texto, a diretora pedagógica da Associação Cidade Escola Aprendiz, Helena Singer, defende que há uma série de complicações que fazem com que meninos e meninas larguem a escola, desde a falta de articulação da rede de proteção e garantia de direitos das crianças e adolescentes até a estrutura escolar, arcaica e que não atrai os jovens. A questão é que eles têm que participar dos debates, ajudar a montar uma nova estrutura e encontrar modelos que contemplem suas vontades.

Singer também fala que, parte do problema, é relacionada diretamente à qualidade do ensino. Com uma educação de má qualidade, o aluno se forma sem condições fortes o suficientes de inserção no mercado de trabalho, fazendo com que muitas vezes o aluno se iluda com retornos financeiros no curto prazo ao abandonar a escola.

Para o coordenador nacional do combate à exploração do trabalho de crianças adolescente do MPT, Rafael Dias Marques, muitas dessas crianças e adolescentes estão perdendo a sua capacidade de elaborar um futuro. “Elas estão desenvolvendo doenças de trabalho que os incapacitam para a vida produtiva quando se tornarem adultos. Essa é uma das mais perversas formas de violação dos direitos humanos de crianças e adolescentes”. Marques também responsabiliza a sociedade como um todo. “No momento em que a população se conscientiza, passa a ser um agente de cobrança do poder público para que políticas públicas sejam desenvolvidas e essas crianças e adolescentes possam se desenvolver de maneira integral”.

Ajude a mudar

Para ajudar na construção de um novo futuro, é necessário ampliar o debate, sensibilizar mais pessoas e trazer a questão à tona quantas vezes forem possíveis. Por isso convidamos você não só a participar do debate, que ainda está acontecendo na página do Promenino, mas a blogar e conversar sobre o assunto nas redes digitais.

Nesta terceira edição da campanha, a iniciativa mantém as ações em redes sociais a fim de sensibilizar até 35 milhões de internautas, além de promover ações locais – como oficinas com famílias, professores, conselhos tutelares, programa de rádios, workshops com jovens e empregadores – para alcançar mais de 280 municípios, mobilizando mais de 80 mil famílias.

“A intenção das ações locais é engajar e conscientizar a população sobre a importância do problema. Já a presença digital acontece para que todos possam acompanhar e participar compartilhando nas redes. A ideia aqui é transformar o nosso padrão cultural de naturalizar e aceitar o trabalho infantil” explica Patricia Santin, gerente da área de Infância e Adolescente da Fundação Telefônica Vivo.

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