Quem aí está ensinando cidadania e compartilhando este momento histórico com os filhos? #protestomaterno

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Manu é mesmo “Link Social Good Brasil” e é assim, envolvendo os filhos desde muito cedo no exercício pleno da cidadania, que faço meu #protestomaterno todo dia.

😉

Na benfazeja onda de movimentos sociais cidadãos, nesta sexta-feira, acontece uma manifestação virtual por um Brasil melhor envolvendo centenas de blogs maternos. Curiosamente, por ser solstício de inverno, mudança de estação, brincamos aqui em casa que é o Inverno Brasileiro, em alusão à Primavera Árabe e outros movimentos que apoiamos com tanta boa vontade neste mundo globalizado das redes sociais. Chegou a nossa vez e é bonito perceber quantos pais e mães (sabem que sou contra este papo de “blog de mãe, quando creio que “os pais” ou “a família” devem ser chamados em tudo) fazem da cidadania um tema para ser tratado desde cedo em casa.

Aqui sempre tratamos destas pautas em casa. Outro dia no Twitter uma amiga que levara a filha pequena à manifestação me perguntou o que eu achava da participação de menores nas ruas e lembrei que levei minha irmã mais nova (então com 11 anos) a passeatas nas eleições de 1989, ocasião na qual fui uma forte ativista política e na qual, vejam só, encontrei um colega de escola que viria a ser meu marido. Tiffany se tornou uma grande ativista também e formei com Guilherme uma família muito consciente de seu papel cidadão.

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Nestas manifestações dos #protestosbr, que vivemos como sofativistas (ativismo de sofá, afinal, temos uma recém-nascida na família neste outono de 2013), acompanhamos a mídia tradicional e a mídia social com os meninos. Nesta inesquecível quinta-feira, 20/06/2013, noite na qual mais de 1 milhão de brasileiros foram às ruas e mudaram até a programação da maior TV do Brasil (tivemos 3h de Jornal Nacional ao vivo), perguntei no Facebook:

“Quem aí está ensinando cidadania e compartilhando este momento histórico com os filhos?”

Estávamos aqui em casa no sofativismo que teve até papo sobre Revolução Francesa, Anarquia e John Locke (o original, mas com piadas de Lost), tudo puxado por meu filho adolescente Enzo. Ao mesmo tempo em que fazia um trabalho de Geografia sobre modelos econômicos, ele tuitava indignado com o que via na TV. Do sofá onde cuidava da bebê e do irmão caidinhos por um resfriado, eu via a cena e pensava que ele é o retrato desta geração que faz tudo ao mesmo tempo e agora e com competência gerencia este turbilhão de informações e por isso quer tudo ao mesmo tempo e agora do mundo que os cerca.

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Esta diferença no jeito de pensar é que confunde quem não é tão atualizado e vê só por uma ou outra mídia estes movimentos sociais atuais. Não raro ouvimos gente “menos conectada” falar que a molecada não sabe o que quer, não tem objetivo, não entende das coisas. Sim, parte dos jovens que foi às ruas não sabe, mas a maturidade política deles não é tão inferior à nossa, afinal, vivemos num país jovem e inexperiente em termos de participação política. Fomos alijados de muitos direitos cidadãos por longos períodos desde que nos tornamos uma república.

Acho importante valorizar quem sempre militou sim – e aqui, apesar de eu não ter mais partido político, defendo quem fez esta escolha, assim como defendo os movimentos anteriores, como os da causa GLBTT, movimento negro, as feministas – relembrando que“o povo não acordou” agora. Quem acordou foi uma parte. Outra parte nunca dormiu, afinal não tinha cama para tanto.

veras que um filho teu nao foge a luta

Mas, como disse um jornalista hoje, “o grosso do povo mesmo vai acordar quando a maioria pobre deste país perceber que é explorada sistematicamente. Quando isso acontecer, vai ser lindo.” É fato, “muitos desses jovens estão descontentes, mas não sabem o que querem. Sabem o que não querem.” – e é nosso papel, como pais e educadores, formar uma nova geração que sabe o que quer de seu país, que ao olhar para dentro de si veja mais do que o vazio e a descrença, capaz de encontrar motivos para se indignar e batalhar (não lutar no sentido negativo, mas batalhar, no sentido de trabalhar por algo) para fazer do lugar que dividimos e que nos une algo mais humano, mais justo, mais plural, mais pacífico, mais igualitário. 

O dia de hoje é de convocação das famílias. Teve tuitaço pela manhã e tem manifestações nas ruas nos próximos dias. Se pensar na família é a sua praia, acompanhe a lista colaborativa dos protestos maternos no país reunida no blog 1001 Roteirinhos e veja os posts da blogagem coletiva na timeline do movimento no Facebook.

Veja como você pode participar da blogagem coletiva #protestomaterno – Mães unidas por um Brasil melhor:

  • Publicando em seu blog seu manifesto
  • Participando do twitaço 
  • Divulgando o movimento nas redes sociais

P.S. A foto do post foi tirada por meu marido durante o tuitaço desta manhã. Aproveitei para apoiar outros dois movimentos maternos nos quais milito: #EnquantoEuAmamento e @aleitamos enquanto era entrevistada, por telefone, sobre o papel das redes sociais nas manifestações. Por afinidade (é bom explicar porque pode ter gente que vai achar que é oportunismo do momento!) este tema estava mapeado para uma das atividades que sugeri como cocuradora de Social Good no youPIX festival. A entrevista estará no caderno Metrópole do Estadão neste domingo e você pode saber mais do Social Good no youPIX neste post.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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