Produções Silenciosas

Até 16/08 a Cinemateca Brasileira traz a São Paulo a III Jornada Brasileira de Cinema Silencioso. São 77 títulos das três primeiras décadas do século XX, mais 74 filmes curtíssimos dos irmãos Lumière. No melhor formato de cinema mudo, os filmes são exibidos com acompanhamento musical ou sonoro.

Não sabia das edições anteriores – e agradeço à Cintia Costa por ter compartilhado o release sobre esta -, mas os organizadores garantem que, como nos outros anos, “o formato da cinematografia nacional do período silencioso será privilegiada, de forma a destacar os trabalhos dos arquivos de filme de um determinado país.” E no Ano da França no Brasil,  a mostra trará Arquivos Franceses do Filme/Centro Nacional de Cinematografia, da Cinemateca Francesa e dos Arquivos Albert Kahn.

Os cinéfilos poderão se deliciar com a exibição de uma coleção dos primeiros trabalhos dos irmãos Lumière, documentários curtos sobre a Córsega, a Tunísia, a Abissínia, e filmes de longa metragem – comédias, romances e filmes policiais da década de 1920, em cópias tingidas, como se usava na época. Entre as grandes realizações artísticas, as atrações ficam por conta de L’homme du large / O homem do mar (1920) e de Maldone (1928), realizados respectivamente por Marcel L’Herbier e Jean Grémillon, cineastas marcantes da vanguarda cinematográfica francesa. Salambô (Pierre Marodon, 1925), filme histórico de grande espetáculo, adaptado do romance de Gustave Flaubert, encerrará a Jornada.

alice guy blanche primeira cineasta mulher no mundo cinema mudo

Fiquei curiosa pelo trabalho de Alice Guy Blaché, primeira diretora de cinema do mundo. Figura atípica para sua época – e cuja obra todas nós, mulheres, devemos valorizar ainda hoje – Alice nasceu em 1873 e a partir de 1896 dirigiu 400 filmes, produziu centenas de outros  e foi pioneira também como empreendedora, pois dirigiu seu próprio estúdio por alguns anos (The Solax Studio, de 1910-14).

Se você ficou curioso, a programação completa (com locais de exibição) está aqui.E se você não tem paciência para ver cinema mudo, que tal rever uma homenagem feita ao período de transição dos dois formatos? O musical Dançando na Chuva (um dos meus filmes favoritos de todos os tempos, com Gene Kelly e Donald O’Connor) trata exatamente disso! Nele, a belíssima Debbie Reynolds faz o papel da dubladora de uma atriz famosa no cinema mudo que tem voz horrorosa e não sobreviveria ao cinema falado sem ela! Não achei vídeos das duas para ilustrar o post, então deixo abaixo uma das cenas que adoro porque explica porque gostamos tanto de cinema.

P.S. Parte do charme desta mostra está nos 34 artistas convidados para acompanhar todas as sessões: Felipe JuliánCarlinhos Antunes,Simone SouLeo CavalcantiAntonio EduardoLivio TragtenbergOrdinária HitMarco Scarassatti, Nelson Pinton Filho, Eric Nowinski,Marilú Figueiredo, Paulo Rubens Costa, Unholly Quartet, DuoPortalFabio Tagliaferri, Fabio Petrucelli, Daniel Allain, Beto BirgerGabriel LevyMiriam BidermanCarlos CareqaMarlui Miranda, Gisela Muller, Gustavo Barbosa Lima, Angela NagaiMarcelo OnofriFábio CaramuruPedro Baldanza, Magda Painno, Eduardo Janho-Abumrad , Mário MangaLucila TragtenbergPascoal da Conceição.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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