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Como vencer o preconceito contra a mulher que escolhe ter filhos e quer trabalhar equilibrando família e carreira, se até mesmo dentro do governo faltam mulheres ativas que equilibrem isso?

Parece que estou falando do novo governo brasileiro, que se iniciou no dia 12 de maio com a posse de Michel Temer, mas não é só o marido da #belarecatadaedolar que não privilegiou mulheres no alto escalão do seu gabinete.


notícia que trago é do Japão, onde o termo “Matahara” é usado para descrever o fenômeno do assédio na maternidade que ainda estão sujeitas a muitas mulheres.

(Se você entende francês, recomendo que veja este vídeo de 8 minutos sobre a situação atual lá)

Apesar do  “Womenomics” , programa que objetiva aumentar a proporção de mulheres em cargos de responsabilidade para 30% até 2020, tanto no setor público como no privado, o governo japonês tem apenas 3,5% dos gerentes mulheres. Em 2014, o primeiro ministro japonês Shinzo Abe surpreendeu todos com uma mudança no seu gabinete (até então imutável por 600 dias!) deixando cinco ministérios sob o comando feminino, um número que não era alcançado no Japão desde o governo de Junichiro Koizumi, de 2001 a 2002. Yuko Obuchi, filha do antigo primeiro-ministro Keizo Obuchi, ministra da Economia, Indústria e Comércio, assumiu aos 40 anos e se tornou o membro mais jovem do Executivo japonês.

A ministra Obuchi assumiu um cargo importante e de visibilidade. As outras quatro mulheres do gabinete também: Midori Matsushima, assumiu o Ministério da Justiça; Eriko Yamatani, foi nomeada para a pasta responsável por lidar com o sequestro de cidadãos japoneses pela Coreia do Norte; Sanae Takaichi, o Ministério de Administração e Interior, e Haruko Arimura, o Ministério de Ativação da Mulher.

“São mulheres capazes de realizar grandes políticas. Espero conseguir uma sociedade onde todas as mulheres possam se sentir orgulhosas e confiantes em seu trabalho.”

Esse desejo de Shinzo Abe é também o meu e espero que seja o seu.

E para isso, nós, empresários, chefes, clientes, amigos, precisamos aprender a não cometer matahata, assediando e diminuindo as mulheres que têm filhos, evitando-as em nossas equipes em deprimento de quem “pode se dedicar mais”, cortando-as de viagens porque “podem desistir de última hora”, protelando promoções porque “pode engravidar ano que vem”.

Precisamos apostar nas mulheres em nossas equipes pelo mesmo motivo que precisamos dos homens: porque são pessoas boas no que fazem, capazes e únicas em seus pontos de vista. 

O aumento do protagonismo feminino faz parte dos esforços de qualquer país que se julgue atual para trazer equilíbrio e realmente tratar as desigualdades sociais e deveria ser um compromisso de todo governo.

E precisamos de ministras?

Honestamente acredito que sim.

Mas muito além de um gabinete com mulheres e de cotas em partidos políticos, precisamos que no cotidiano as mulheres sejam respeitadas e aceitas no mundo real com todas as suas escolhas, em especial as que fazem o mundo um lugar melhor, como o que faz com que “percam tempo” conversando com as pessoas, “rendam menos” porque são atentas aos detalhes, “tenham mania de dar um jeito” porque sentem empatia natural e sim, cuidem das pessoas, pois o mundo dos negócios, da política, do esporte, tudo deveria ser feito por pessoas para pessoas.

E as pessoas começam sendo filhos de alguém que, muitas vezes, sabe realizar múltiplas tarefas e dar conta de prazos e planejamentos melhor do que a maioria dos homens com quem você trabalha.

😉

Ah, para comparar, eu fui conferir: o gabinete ministerial da chanceler federal Angela Merkel é formado por 14 pastas. Cinco são chefiadas por mulheres. 

P.S. Eu engravidei do meu primeiro filho quando trabalhava em Tóquio como jornalista e acompanhava um fenômeno: muitas mulheres da minha geração (nascidas na década de 1970) estavam optando por não ter filhos nem casar, pois isso acabava com qualquer chance de carreira em suas vidas.  Não só carreira, mas de liberdade, autonomia e individualidade. Era 1999 e o país dos meus avós (onde o aborto sempre foi permito e legal), só aprovava naquele ano a pílula anticoncepcional, 30 anos depois do Ocidente fazê-lo. Nem sempre os direitos oficiais garantem uma mudança na postura real!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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