destaque / relacionamentos
samegui e sara martinez

Registro do dia em que Sara me abordou na IBAB porque reconheceu (minha barriga de grávida) e meu filho #aos10 das fotos do Instagram! (risos) Parece foto combinada, a gente estava até com roupa parecida.

Uma imagem fala mais do que mil palavras. Assim diz o ditado e eu descubro frequentemente, em especial com o Instagram, que é a pura verdade. Mas estas mil palavras muitas vezes são apenas a parte introdutória de um papo ou uma relação que tem tudo para avançar. Foi assim comigo e Sara, autora do post de hoje no blog. Começamos por amigos em comum no Instagram, fomos pro Twitter (ou vice-versa) e Facebook, até que um dia nos encontramos pessoalmente na igreja. Curioso como as afinidades vão surgindo e nos surpreendem, não é mesmo?

O papo hoje não é sobre redes sociais, tampouco religião. O que nos conectou foi um post daqui Mulheres dedicam 26 horas semanais a trabalhos domésticos não remunerados do qual Sara se lembrou ao acompanhar o Casa TPM, que aconteceu nos dias 17 e 18 de agosto no Club Nacional, prometendo ser “um evento para quebrar os estereótipos que estão aí desde o tempo de sua avó”. Organizado pela Revista TPM, o evento trouxe vários debates e o primeiro deles teve como tema “Trabalho: pra que trabalhar que nem homem?”, com a participação de Mirian Goldenberg,  Andrea Alvares, Adriana Mendes e mediação de Fernando Luna.

Então, a partir daqui, deixo com vocês a reflexão de Sara sobre esta vontade da mulher brasileira de ser boa em tudo!

😉

“Tenho 26 anos, trabalho fora desde os 18 e em novembro desse ano faço 5 anos de casada. Costumo dizer que tive uma ótima educação da minha mãe, ela sempre quis que eu trabalhasse fora, mas ao mesmo tempo fez questão de me ensinar as tarefas da casa. Desde que me entendo por gente, ela gosta de me lembrar que uma coisa não anula a outra e, mais do que isso, eu posso escolher ser o que quiser ser. Confesso que tive e tenho muita sorte, porque conversando com várias meninas ao longo dos anos percebo que não existe esse equilíbrio. Ainda hoje, por exemplo, em pleno 2013 vejo meninas achando que casar, ter filhos e cuidar da casa é a única opção. Não recrimino quem escolhe isso, mas me pergunto: será que ela já pensou que pode ser isso e/ou outras coisas? Também fico receosa ao ver aquelas que abominam todo e qualquer trabalho doméstico ou vida familiar, como se isso fosse algo menor. Extremos são sempre perigosos.

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“Não posso falar por todos que estiverem presentes, mas mais do que levantar questões polêmicas, esse debate serviu para eu pensar um pouco em quem estou sendo e, principalmente, em quem quero ser no futuro.” Sara Martinez

 

Equilíbrio é fundamental e é buscando esse equilíbrio que, às vezes, a gente acaba se perdendo no meio do caminho. Eu, pelo menos, já me senti bem confusa e perdida nessa vontade de ser tudo. Não basta trabalhar fora, tem que ganhar muito dinheiro, cuidar da casa, ser realizada profissionalmente, bonita: uma mulher perfeita. Mas bom, ninguém é perfeito, certo? E é mais ou menos isso que vi (e, admito, ainda vejo um pouco) em mim durante bastante tempo e vejo em tantas outras mulheres que optam em trabalhar fora e ser dona de casa. A gente quer ser tudo-ao-mesmo-tempo-agora.

Fica ainda mais difícil se a mulher trabalha fora e ainda não tem ajuda do parceiro nas tarefas domésticas. “Precisa mudar o verbo ajudar no relacionamento. Enquanto quisermos que os homens nos ajudem, não teremos parceiros para dividir e não ajudar”, foi com essa frase da Mirian Goldenberg que eu me lembrei de um post que a Sam compartilhou em maio aqui no blog e dizia que mulheres dedicam 26 horas semanais a trabalhos domésticos e não remunerados enquanto homens gastam apenas 10 horas. Não é uma conta justa, mas é a realidade da maioria das mulheres. Infelizmente, conheço homens que não só apenas não dividem as funções de casa com suas mulheres, como “exigem” jantar a noite quando chegam do trabalho e querem sempre suas roupas perfeitas e a casa impecável (assim como a mulher que, mesmo depois de todo trabalho, deve estar linda e maravilhosa). Faço parte da minoria e, novamente, digo que tenho sorte. Meu marido não só não tem toda essa lista de exigências, mas também faz questão que eu me sinta a vontade em casa, quer que eu saia para me divertir, não cobra uma casa extraordinária e ainda faz a limpeza pesada sempre que possível (e ele limpa a casa bem melhor do que eu ). Eu sei, deveria ser natural, mas não é.

Saí da palestra pensando bastante, em todas as escolhas que fiz e na mulher que estou me tornando e, mais do que isso, reforcei a ideia que há algum tempo guardo comigo: não ter medo de mudar se necessário. Eu posso trabalhar, cuidar da casa, me divertir, cuidar de mim, ser feliz sendo tudo isso, muito mais, muito menos ou nada disso. Não tenho obrigação de ser perfeita ou de fazer todas as coisas, caso eu não queira. É importante passar para as nossas meninas que existem opções. Que uma coisa não anula a outra, que ela pode escolher ser quem ela quer ser, sem pressão e sem medo e que não há obrigação de ser a melhor em tudo. E mais do que isso, que nós passemos para nossos meninos as coisas básicas da casa, sem preconceito e machismo, sem achar que se ele aprender a cozinhar ou limpar a casa, ele será menos homem. Como minha mãe me ensinou: “é bom poder escolher quem a gente quer ser, mas ainda mais importante é se responsabilizar por cada escolha feita”.

SaraSara se diz carioca acolhida pela Terra da Garoa, filha, irmã, esposa, cristã e jornalista. Formada pela Universidade Anhembi Morumbi, começou a trabalhar em 2005 como produtora de TV e atualmente é gerente de produção. É apaixonada pelas palavras e para manter a paixão acesa mantém um blog e um diário de papel para sempre lembrar de tudo, já que é uma esquecida assumida. Acompanhe-a no blog … de atos e fatos… e no Twitter @sarafcmartinez.

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Sara Martinez, 30 anos, jornalista, cristã, “mãe” do cachorrinho Billy. Escreve sobre o amor que sente por São Paulo no @pelocentro, onde compartilha dicas da cidade juntamente com sua irmã. Gosta de desenhar palavras coloridas no @fasesinfrases. É maratonista profissional de seriados no Netflix, inscrita em mais canais do que consegue assistir no YouTube e leitora apaixonada. No Twitter e Instagram: @sarafcmartinez.

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