destaque / entretenimento / sororidade

crimes contra as mulheres no afeganistao

Tem feriado chegando e quem já escolheu um livro para acompanhar os dias de folga? Eu vou parar tudo que estava lendo para conferir este presente que amiga Elenara (do Arquitetando Ideias) me mandou: A filha do contador de histórias, de Saira Shah, da Companhia das Letras.

Li que no início de 2001, Saira Shah produziu para o Channel 4 de Londres o documentário Por Baixo do Véu (Beneath the Veil). Feito com câmeras escondidas, o filme retratava o Afeganistão sob o regime do Talibã. Depois do 11 de Setembro de 2001, as imagens ganharam o mundo pela rede de TV americana CNN. O filme, exibido no Brasil pelo canal a cabo GNT, recebeu o prêmio Emmy de documentário. Saira recebeu outro Emmy por Guerra Profana, que documenta o combate entre o Talibã e os Estados Unidos e seus aliados.

dica de livro a filha do contador de historias

A filha do contador de histórias é um relato que mescla reportagem e memórias. Filha do filósofo de tradição sufista e escritor Idries Shah, nascida e criada em Londres, Saira conta mitos ancestrais e costumes do povo afegão. Paralelamente, narra os horrores das sucessivas guerras e regimes políticos violentos que assolaram o Afeganistão contemporâneo.

Saira foi ao Afeganistão pela primeira vez em 1986, aos 21 anos, guiada por guerrilheiros mujahidin. Desde então, testemunhou, como repórter, a derrocada do regime de orientação soviética, a ascensão do Talibã em 1996 e a invasão americana que levou ao poder Hamid Karzai, atual chefe de Estado afegão.
A filha do contador de histórias é também um projeto de cunho extremamente pessoal: as incursões de Saira pela terra de seus antepassados contituem uma busca por sua identidade afegã, tanto familiar como cultural e afetiva.

Buscando informações sobre a autora, descobri um texto de época em que minha filha nasceu e e que Saira escreveu sobre sua experiência com maternidade.

saira shah e sua filha especial 2

Quando sua filha nasceu, ela recebeu um “soco no estômago”. Os médicos foram enfáticos:

“Ela seria deficiente, tanto física e mentalmente. Ela nunca iria andar ou falar, nunca se saber quem somos. Ao crescer, ela poderia precisar de ventilação e alimentação através de sonda e certamente precisará de equipamentos para levantá-la.”

Cinco anos depois, tendo insistido em ficar com ela em casa e não sob os cuidados intensivos de hospitais, Ailsa é como um bebê de dois meses de idade. Os pais contam que “com quase nenhum movimento voluntário, Ailsa ainda consegue aconchegar-se a você. Sem linguagem, ela se comunica em gritos. Se ela está com fome ou com sede, ela fura para fora sua língua. Recentemente tivemos um pequeno avanço: ela desenvolveu um “fingir chorar” para quando ela simplesmente quer um afago.”

E, o mais lindo foi isso:

Aprender que a essência da humanidade encontra-se muito mais profunda do que o mero desenvolvimento.

500x333.aspx

E precisamos reaprender o deslumbramento e a indignação que nos fazem humanos. Dados de 2013 (apresentados no início de 2014) indicavam um aumento de 25% nos casos de violência contra as mulheres no Afeganistão. Segundo a Comissão Independente dos Direitos Humanos do Afeganistão (AIHRC), após 13 anos da queda dos taliban (eles controlaram o país de (1996 a 2001), o número de vítimas não diminuiu. Segundo os números da comissão, só nos seis primeiros meses do ano, foram registados 4154 casos de abusos cometidos contra as mulheres. Sima Samar, presidente da AIHRC, diz que a insegurança, os baixos níveis de escolaridade e a tradição são as principais causas da violência contra as mulheres.

Se você também relaciona Afeganistão e O Caçador de Pipas, pode estar como eu, de olho em outro livro de Khaled Hosseini, O Silêncio das montanhas. Khaled tem seus livros editados em mais de 70 países e é um dos porta-vozes de seu país. Foi nomeado Representante Voluntário do Alto Comissariado de Refugiados das Nações Unidas (UNHCR), a Agência de Refugiados da ONU, em 2006. Inspirado por uma viagem que fez ao Afeganistão com a UNHCR, criou a Fundação Khaled Hosseini, uma instituição sem fins lucrativos que oferece assistência humanitária aos afegãos.

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline Estatísticas