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Esta é uma nova contribuição da Claudia Tavares e, do jeito que a coisa anda, logo teremos uma nova blogueira de mão cheia na rede! E ela tem bons “mestres”, o texto abaixo, segundo me contou, surgiu de uma conversa sobre hashtags que teve com o nosso amigo em comum Marcos Alencar.

Marcos é de pernambucano, Claudia brasiliense e por isso vale uma explicação sulista: a tal adedonha (que me fez ir ao dicionário) é o nosso Stop! E eu não sabia que este jogo tão popular era conhecido também como Adedanha, Adedonha ou Salada de Frutas – mas eu conhecia o Uestope e “Nome-Lugar-Objeto”.

😉

O brasileiro é mais sarcástico e menos solidário?

Você já brincou de adedonha? Aquele jogo em que as pessoas vão sugerindo respostas ao redor de um mesmo tema? Um país com a letra “B”? Com certeza, a primeira lembrança de nós, brasileiros, será o Brasil, mas bom mesmo é quem se lembrar de Botsuana, Belize, e, genial quem citar Bielorússia. No encadeamento das respostas, quanto menos óbvia a lista vai ficando, mais excitante a provocação.

É nessa lógica em que as hashtags do twitter funcionam. Uma tag conecta pensamentos ao redor de algo em comum. Solta-se um tema, uma causa, uma brincadeira, uma expressão, o que seja, e espera-se o engajamento espontâneo. Vale reclamar, associar, dissociar, criar, tudo é livre, a única exigência é que, em comum, haja o tema inicial.

Tudo isso é conectado, de uma forma bem simples, usando um link, que é a própria tag. Basta clicar nela e se deliciar com a capacidade inventiva de nós, brasileiros. O caso mais famoso foi o Cala Boca Galvão, que começou com uma brincadeira com o narrador esportivo, passou por uma música, chegou a um remédio homeopático e terminou num pássaro, versões e versões, criadas ao redor de um mesmo tema, desafiando o limite da criatividade humana.

Há muitos e muitos exemplos. Digite a tag #prontofalei” e leia as mais engraçadas idiossincrasias humanas. Digite a tag #vicedoSerra e veja as sugestões mais bizarras que se pode imaginar ou as maiores infâmias com o #KakaBadBoy.

Mas há também usos bem interessantes: as tags conectam pessoas que participam de um mesmo evento, facilitam a aproximação de profissionais, a troca de experiências e conhecimento. Elas revelam afinidades.

Um robô do twitter classifica as tags mais usadas e as relacionam em um lista, significando “esses são os assuntos mais comentados no momento”.

Sendo assim, por que tags como #CopaSolidaria, #SOSAlagoas e #SOSPernambuco não entram nos tópicos mais citados? Será que é porque o brasileiro não é solidário e tem uma grande raiva guardada pronta para despejar no primeiro tema mais polêmico que apareça numa rede social?

Sinceramente não acredito nisso. Acredito que o brasileiro é um povo alegre, humano, divertido, não foi à toa que a Forbes elegeu o Rio de Janeiro a cidade mais feliz do mundo. É impossível ir ao Nordeste e não classificar a população de hospitaleira. E assim vai. É o Brasil inteiro. Ninguém quer ver enchente, ninguém torce pela desgraça, nem pela miséria humana. Não torce. O problema é que é muito mais fácil alinhavar pensamentos novos a despautérios sem causa alguma que criar novas versões ou apelos criativos a assuntos sérios, principalmente quando relacionados à dor e morte.

Basta ver o resultado material da #CopaSolidaria, já são cerca de 50 toneladas em donativos arrecadados numa campanha que surgiu no twitter, mas não atingiu os tópicos mais citados nele. Se ela não mexeu com a atividade cerebral em cadeia, mexeu e mexeu em muito com o coração dos brasileiros. O virtual, aqui, sim, saiu do digital para o real. Parabéns aos envolvidos.

Claudia Tavares Fernandes, 35 anos, jornalista, publicitária, MBA Executivo em Marketing, analista de Comunicação Social do Senado Federal e entusiasta de mídias digitais.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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