Por que gostamos tanto de compartilhar histórias, notícias e informações?

“De acordo com Jonah Berger, autor de um novo estudo publicado na revista Psychological Science, a partilha de histórias ou informações pode ser impulsionado em parte pela excitação.”

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Nem vou entrar no mérito da questão, partam do pressuposto de que eu adoro compartilhar (afinal, estou sempre presente aqui, no Twitter, no Facebook, nos e-mails para os amigos). Felizmente não estou só: cada vez mais as pessoas compartilham histórias, notícias e informações com as pessoas ao seu redor. E este redor é bem amplo, hoje enviamos artigos por internet para nossos amigos, compartilhamos histórias com os nossos colegas de trabalho e passamos boatos adiante aos nossos vizinhos.

Este assunto esteve num texto do Diário da Saúde que me agradou muito e do qual me lembrei na viagem que fizemos para Curitiba na semana passada. Embora tenhamos ido pouco para lá em 2011 – dois finais de semana, correndo, em janeiro e maio – graças à internet nossos pais e irmãos estavam mais ou menos por dentro das nossas novidades, das viagens às comidas de domingo, das atividades escolares aos nossos clientes de trabalho. A transmissão social de dados que vem acontecendo há milhares de anos mudou com as tecnologias sociais – desde as mensagens de texto no e-mail e SMS até o Orkut e outros sites – que facilitaram nossa vida, nosso contato, nossa presença cotidiana.

O texto que li tratava de um assunto em especial: por que determinados conteúdos são mais compartilhados do que outros, e o que leva as pessoas a compartilhar?

“De acordo com Jonah Berger, autor de um novo estudo publicado na revista Psychological Science, a partilha de histórias ou informações pode ser impulsionado em parte pela excitação. Quando as pessoas estão fisiologicamente estimuladas, quer devido a estímulos emocionais ou quaisquer outros, o sistema nervoso autônomo é ativado, aumentando a conexão social. Simplificando, a evocação de certas emoções pode ajudar a aumentar a chance de que uma mensagem seja compartilhada.”

O curioso é que “se os artigos que evocam emoções mais positivas são geralmente mais virais, algumas emoções negativas, como ansiedade e raiva, na verdade aumentam a probabilidade de transmissão, enquanto outras emoções, como a tristeza, diminuem essa probabilidade.”

Então quem lidera o compartilhamento social amplo é, segundo Berger, o personagem que está se sentindo com medo, com raiva ou divertindo-se, iniciando ou reforçando o processo bem sucedido de compartilhamento de notícias e informações. E faz sentido, vejam:

“Se alguma coisa faz você sentir raiva em vez de tristeza, você fica mais propenso a compartilhá-la com sua família e com seus amigos, por exemplo, quando você é demitido,” diz Berger.

Eu mesma tenho o que chamo de compromisso com meus pais: sempre que tenho uma notícia boa eu ligo para contar na hora. Falo rapidinho, mas falo assim que sei, com o entusiasmo que puder porque acho que eles, que investiram tanto em mim e querem tanto meu bem, merecem ouvir boas notícias minhas sempre que eu as tiver. Mas, por outro lado, confesso, evito contar de coisas chatinhas, como uma gripe mais forte, a empregada que me deixou, um cliente pouco justo… espero para ver se consigo reverter ou resolver a situação antes de transformar em notícia para não viralizar algo ruim.

E esta viralização é o grande tema da pesquisa de Berger.

“Há muito interesse no Facebook, Twitter e outros tipos ou meios de comunicação social de hoje, mas, para as empresas e organizações usarem estas tecnologias de forma eficaz, elas precisam entender por que as pessoas falam a respeito e compartilham certas coisas.”

Creio que ainda é cedo para concluirmos muitas coisas, mas é bom ficar de olho nas implicações de estudos assim, pois elas afetam nosso cotidiano – e no caso de gente como eu, nosso trabalho. Pode parecer que não, mas o comportamento das pessoas é fortemente influenciado pelo que os outros dizem e fazem. Tanto para uma empresa ou organização que queira levar as pessoas a falar mais sobre sua marca quanto para figuras públicas (ou privadas, mas com vida pública nas redes sociais) estes resultados fornecem indícios de como projetar mensagens e estratégias de comunicação mais eficazes.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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