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No dia 14/03/2008, a blogueira e escritora Lunna Guedes publicou uma entrevista que fez comigo e que gostei muito.

Personagem…

Samantha Shiraishi…
Tarde de quinta-feira – bairro da Liberdade em São Paulo – um programa cultural em mãos. O destino seria a Igreja da Consolação – mas em São Paulo você precisa ter diversos mapas porque tudo muda num estalo. Então nos sentamos numa mesa de um Café enquanto esperávamos a chuva passar… Horas inteiras de um agradável bate papo onde se permitiu os mais diversos assuntos – teve tempo até para questões femininas como perfumes e bijuterias o que nos assegurou um sorriso confortável de quem tem muito mais para discursar…
Identidade . Samantha Lihs Faria Hoffmann Shiraishi (o nome é longo e prova minha ascendência nipo-teuto-lusitana, como minha mãe dizia quando eu era pequena. Rendeu-me muitas piadas de professores indigestos – sobre eu ter nome de nobre- e a decisão de não incluir sobrenomes ao me casar)
Avesso. Samantha Shiraishi (gostaria de Sam, mas andam usando “indevidamente” meu apelido por aí, fico com Samantha).
Manifesto . jornalista e mãe (digo que sou mãe profissional, porque uso nesta atividade todo meu potencial, como o faria numa carreira séria!)
Intuição . Gostaria de ter talento artístico, que descobri em anos de aulas de pintura, ballet e música que não tenho. Mas me serviram para aprender a apreciar o belo.
Tivesse eu pensado em fazer uma entrevista com Samantha Shiraishi naquela tarde falaria de uma jovem profissional que reúne talentos, embora ela mesma conteste alguns deles. Mas quem não os faz na maior parte do tempo?
Brasa . Não seria operária da notícia, o que considero que ocorre com muitos jornalistas, que pegam uma pauta e a desenvolvem, sem, no entanto dar continuidade ao que puderam trazer à luz do conhecimento com seu trabalho. Leia-se nisto que eu jamais usaria minha profissão ou “talento” para divulgar idéias nas quais não acredito – que não sejam boas para a humanidade em todos os sentidos.
Como nasceu Samantha Shiraishi? Já falei da dificuldade de escolher a profissão em Decidir aos 17 anos os próximos 100. Sempre gostei de escrever e estudar. O processo foi assim, natural, depois da escolha da faculdade. Mas assumir de fato a profissão foi um processo, como deve ser com todos, de tentativa e erro ou acerto.
Jornalista já nasce pronto? Não, podemos nascer com talento para escrever, pesquisar, questionar, entrevistar (este talento eu não tenho), mas o processo de nos transformar num profissional envolve o aprendizado da humildade de não sabermos tudo, da capacidade de lapidar o que transcrevemos dos outros, da aceitação de que somos um instrumento para contar a notícia e de que não somos as estrelas, o entrevistado ou a notícia é que podem sê-lo se soubermos fazer nosso trabalho bem feito.
Descobrindo seus pares . Esta pergunta é difícil, sou uma esponja, tenho várias influências e alguns bons amigos. Mas tive mestres a quem citar e sempre honrar com minha gratidão. Afora meu avô, jornalista que não me foi contemporâneo mas descobri na variada biblioteca que me deixou de herança, tenho ainda influência das aulas de História de Arte que me trouxeram à Bienal de Artes, aos professores de faculdade Hélio – que simplesmente escrevia os nomes de quem citava, com propriedade e poucas palavras nas aulas de Teoria da Comunicação, instigando minha mania de pesquisar e a professora Silvia, que me mostrou a sociologia e via em mim uma jornalista socióloga. Cristóvão Tezza, meu mestre de português, que me fez crer que eu tinha talento.
Quem mais te dinamitou? Recém-formada, tive dois amigos, Barone e Lineu, jornalistas do tempo que não se fazia faculdade para sê-lo. Convivi com eles separadamente, no início discutindo e impondo, sem perceber, minha forma acadêmica contra a prática deles, e depois assimilando o que de melhor tinham. Ambos me adotaram como pupila no seu derradeiro ano de vida, ensinando-me a apreciar seus ofícios.
Onde busca seus temas? Como falei para você outro dia, deleito-me em observar o mundo como espectadora e das reflexões que surgem crio pautas. Descubro coisas interessantes em tudo, não personagens e histórias, porque não sou escritora, mas vejo no cotidiano e nas situações e frases simples que testemunho veios ou prismas para pensar a realidade.
Uma das suas características marcantes é a atenção dedicada ao cotidiano. Sempre pronta para captar um assunto que vire um texto muito bem produzido que na certa irá despertar em você algum tipo de curiosidade. Então esteja pronto – porque ela já me fez escrever até sobre bolsas femininas.
Quantos personagens habitam em você? Muitos, infindáveis, sou leitora (porque meu cérebro sinesteta escreve colorido o que eu penso) ou ouvinte das conversas deles em minha mente o tempo todo. Eles me divertem porque têm vida própria, ousam e são mais humanos do que eu consigo ser.
Qual delas já te levou a loucura? A que eu pensava que seria e não sou. Escrevi recentemente um texto sobre isto, A Senhora era eu. Separar-me desta mulher que eu imaginei que seria e não fui, representou uma luta interna que me levou realmente à depressão, não fictícia, mas real, e permitiu-me alcançar um estado de paz e felicidade que eu não aceitava ter.
Qual delas já se retirou para um canto escuro e chorou? A filha que queria ter tido uma vida diferente, com limites, com segurança, com atenção às suas pegadinhas infantis não detectadas por ninguém. Ela se cura sendo mãe.
Eu a “descobri” há meses atrás quando visitei seu blog “A vida como a vida quer ” . Não! Infelizmente ela não escreve literatura (ao menos é o que ela diz). Em seu blog ela trata dos mais diversos assuntos com extrema delicadeza e perspicácia – mostrando seu ponto de vista de mulher, esposa, mãe, profissional sobre coisas que nos remetem a uma pausa obrigatória para uma reflexão mais atenta sobre o nosso cotidiano que ela parece sempre disposta a observar. E como muitos de nós, ela também tem um avesso e identificá-lo não deixa de ser uma agradável curiosidade. Sam e seu guarda-costas
Pega e larga.
Poesia favorita

Soneto de Fidelidade
Vinícius de Moraes
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vive-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento,
(…)
Palavra indigesta.
Obrigado. A palavra tem sentido que não gosto, mas insisto em usá-la.

Moda.
A que retrata meu humor naquele dia.
Estilo.
Natural, sempre.
Patifaria.
A política brasileira, em especial a Lulacracia que vivemos. Agarro.
As chances de ser feliz com meus homens (reino soberana num lar com meu marido e dois filhos lindos).
Largo.
Badalação e o que serve para mostrar status. Paradoxo.
Ser tão liberal e sem preconceito e viver feliz e plena numa vida normal e dentro dos padrões.
Poeta
Hum como escolher? Drummond, sonetos de Vinícius ou o querido Quintana?
Autor
No momento estou lendo Jane Austen, gosto da forma sutil e forte que ela discute as convenções sociais. Jornalismo
Uma faca de muitos gumes, algumas vezes local onde se reúnem urubus – infelizmente.

Atualmente, Sam é editora do portal Nossa Via que tem por objetivo reunir os “blogueiros” em um lugar onde a argumentação se permite por meio dos mais diversos assuntos – e recentemente migrou de endereço, então, se vai sair por aí e bater lá na casa dela, o endereço agora é http://avidaquer.com.br – e ao chegar, você pode entrar sem bater e se preparar para revirar as diversas informações do mundo real e virtual através de um ponto de vista prático, simples e objetivo…

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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