sustentabilidade

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Não é de hoje que acompanho o movimento para produção de embalagens com novos “ingredientes” que sejam menos nocivos à sociedade. Eu fui uma criança que viveu a mudança da indústria para reduzir o uso de gás CFC (que afetava a camada de ozônio) e sabão e (e outros produtos) não biodegradáveis, mas ao mesmo tempo viu a sociedade que insistia nesta mudança passar a consumir produtos totalmente descartáveis de plástico no lugar dos vidros de bebidas e das embalagens de papel.

Por conta disso é que quando vejo notícias como a que fala do plástico verde (que a Coca-Cola também tem, a Plant Bottle), vejo com satisfação pelo avanço tecnológico, mas com apreensão sobre seus resultados no inconsciente do consumidor. Será que por sabermos que o iogurte tem garrafinha mais “verde” as pessoas vão comprar mais, optar menos por embalagens família (que são uma grande alternativa, com o perdão do trocadilho) e passar a descartar indistintamente estas embalagens?

Toda esta reflexão veio por conta da notícia do lançamento do “Polietileno Verde I’m greenTM”, um bioplástico derivado da cana-de-açúcar com certificação internacional que passará a ser usado nas embalagens de Danoninho Leite Fermentado e Activia para beber. Eu conheço a Danone e sei que eles têm um grande e antigo trabalho em busca de novas tecnologias. A grande novidade é que estas novas embalagens fazem parte de uma meta global de reduzir em 30% as emissões de gás carbônico no período de quatro anos (2008-2012) e do investimento no desenvolvimento de novas tecnologias e inovações em seu portfólio. Há também notícias de iniciativas com redução de resíduos e embalagens, do consumo de energia e água, além otimização da rede de logística.

A denominações são variadas – plástico verde, biopolietileno ou PE Verde – mas o produto é o Polietileno de Alta Densidade (PEAD), que traz em si uma tecnologia inovadora desenvolvida a partir da cana-de-açúcar pela empresa brasileira Braskem e desde o início de 2011 começou a ser adotada pelo Grupo Danone – e está nas prateleiras de lojas de países como Estados Unidos, Alemanha, França, Bélgica e deve ser lançada também no Canadá e na Polônia.

E quais são as vantagens deste plástico verde?

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Desenvolvida a partir da cana-de-açúcar, fonte 100% renovável, calcula-se que para cada tonelada da resina verde produzida são capturadas e fixadas até 2,5 toneladas de gás carbônico (CO2) da atmosfera.

Segundo os responsáveis, a olho nu os frascos não apresentam diferença alguma, mas do ponto de vista prático, a distinção entre as embalagens tradicionais e as novas embalagens se dará por meio de um “selo verde” usado para caracterizar o plástico verde produzido pela Braskem, o I’m greenTM . “O uso desse selo exige o cumprimento de regras que buscam respeitar a transparência na comunicação ao consumidor, como por exemplo, informar o mínimo de conteúdo renovável nas embalagens dos produtos”, afirma a Danone.

Na verdade, a grande diferença está nas vantagens oferecidas ao meio ambiente com a diminuição na quantidade de CO2 emitido durante o ciclo de vida dos produtos, desde a produção ao descarte. Segundo a empresa, a adoção do plástico verde representa uma redução de aproximadamente 20% das emissões de CO2 do Activia e 30% no Danoninho. E como eles calculam isso? A empresa francesa desenvolveu uma metodologia exclusiva denominada DanPrint (Danone Carbon Water Footprint) para avaliar o ciclo de vida de seus produtos, mensurar e colaborar com a redução contínua das emissões de CO2 da companhia. Esta tecnologia para redução de embalagens já estava presente nas do tipo termoformados (bandejas). Conhecida por FOAM, do inglês ‘espuma’, devido à introdução de ar (O2) em sua composição, a tecnologia permite reduzir em até 19% o peso das embalagens dos produtos envasados em bandejas – estas representam cerca de 55% de todo o volume de produtos da empresa.

Mas, como falei no começo do post, a matéria prima não pode ser motivo para nos tornarmos consumidores cegos e desarvorados, pelo contrário, deve ser o grande apoio para uma mudança na postura que tomamos quando vamos às compras. E que, além de optar por marcas que demonstram real interesse em mudar sua conduta, devemos também nos habituar a consumir de forma consciente e adotar a mesma postura adequada com o descarte dos reciclaveis, independente do tipo de plástico envolvido.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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