destaque / entretenimento

Para variar, se eu dependesse da sinopse do filme Perdidos em Paris, não veria de jeito nenhum. Reparem:

“Após o recebimento da carta sobre internação em um lar de idosos da sua tia Martha, Fiona vai até Paris procurá-la. Nessa viagem, ela convida Dom, um sem-teto tão esperto quanto chato.”

Ainda bem que eu entendo francês (não “falo” mais porque embora tenha concluído o curso e me diplomado antes da faculdade, nunca mais usei o idioma!) e tenho o hábito de pesquisar filmes antes de descartar ou escolher ver.

Os atores e diretores da comédia, Dominique Abel e Fiona Gordon, me convenceram:

O filme é uma graça! É uma comédia, mas de um jeito suave, meigo, em que a trapalhada nos faz sorrir e torcer pelo herói improvável.

E como cinema francês, tem o jeito irônico de representar as pessoas e as coisas, além da naturalidade com vários temas como sexo maduro, bebidas alcoólicas e escolhas de vida. Não há exatamente vítimas, mas pessoas que escolheram estar onde estão. E essas pessoas – o homeless, o ator aposentado e bem idoso, os vizinhos da tia – todos ensinam à personagem principal que ela precisa passar a viver a própria vida hoje, sem receio do amanhã.

Um exagero só, o filme lembra muito O Vagabundo e outros bons momentos de filmes de Charlie Chaplin e do cinema mudo.

Um exagero só, o filme lembra muito O Vagabundo e outros bons momentos de filmes de Charlie Chaplin e do cinema mudo.

A piada com o Canadá é a parte bem cansativa, mas sei lá, eles devem se entender, né? Ex-colônia e o colonizador costumam ter esta relação complicada, como a das famílias em que pai e filho sempre estão no limite.

(Emmanuelle Riva, ao centro, entre Dominique Alba e Fiona Gordon, atores e diretores da comédia “Perdidos em Paris”)

(Emmanuelle Riva, ao centro, entre Dominique Alba e Fiona Gordon, atores e diretores da comédia “Perdidos em Paris”)

O filme traz também um dos mitos do cinema francês, Emmanuelle Riva – de “Hiroshima meu amor” (1959), “A liberdade é azul” (1993) e “Amor” (2012) –  que faleceu neste ano. Ela interpreta Martha, a tia fora do normal da certinha Fiona, que desde sua infância provoca nela um lado adormecido. E a personagem é uma lunática atriz idosa que quer fugir de uma vida num asilo de velhinhos de qualquer jeito. E quem desejaria isso, né?

A cena dos nonagenários vividos por Emmanuelle Riva e Pierre Richard no cemitério, depois do enterro de uma amiga, é um dos tesouros do filme.

A cena dos nonagenários vividos por Emmanuelle Riva e Pierre Richard no cemitério, depois do enterro de uma amiga, é um dos tesouros do filme.

Uma curiosidade sobre o filme: parte dele se passa numa das estátuas da liberdade que ficam na capital francesa.

Isso mesmo. Concebida pelo escultor Auguste Bartholdi com estrutura interna feita por Gustave Eiffel, a Estátua que fica em Nova York tem irmãs em Paris. Isso porque antes da estátua definitiva ficar pronta, Bartholdi fez outra, em proporções menores, que serviu de modelo para a realização da peça definitiva e que está exposta em Paris.

Ela fica na Île aux Cygnes, perto da Torre Eiffel e faz parte do filme.

 

E as outras réplicas?

Uma versão reduzida em bronze (que até 2012 ficava no Jardim de Luxemburgo mas acabou sendo enviada ao Museu d’Orsay e uma cópia foi colocada no Jardim); a maquete feita por Bartholdi, inteiramente em gesso, que está no Museu des Arts et Métiers e uma versão reduzida em bronze, que fica na parte externa do mesmo museu. Fora da capital francesa, ainda podemos encontrar outras quatro réplicas da estátua: em Colmar (cidade natal de Bartholdi), Saint-Cyr-sur-Mer, Barentin e Poitiers.

 

Perdidos em Paris está disponível no NOW (R$11,90), VIVO PLAY (R$ 9,90) / Google Play (Compra R$ 29,90 Aluguel R$9,90) e iTunes (Compra US$6.99 Aluguel US$2.99).

Ah, tem uma novidade da iTunes: com a versão 10.3.1 do iOS, os usuários podem ter os filmes alugados disponíveis para serem assistidos em todos os dispositivos associados a seu ID Apple. O download do aluguel pode ser feito em um dispositivo e transmitido em outro. Ou seja, se o filme for alugado no iPhone, também será possível transmiti-lo na Apple TV. 😉

Assistimos o filme na nossa parceria com a Sinny Assessoria e Sofá Digital.

🙂

P.S. E claro que eu fiquei com vontade de assistir Rumba, o outro filme com o casal Dominique Abel e Fiona Gordon.

“Professores de uma escola rural, o casal Fiona e Dom têm uma paixão em comum: danças latinas. Uma noite, após uma competição vitoriosa de dança, eles sofrem um acidente de carro e veem suas vidas mudarem completamente.”

 

Você pode gostar também de ler:
O cineasta Rafael Primot juntou um elenco incrível pra contar histórias de amor. Com Maria Luisa
Desde que fiz meu primeiro detox digital, num verão há alguns anos, eu tenho descoberto
Como lembrou Francisco Russo no Anime Pop, “o bom anime japonês tem por tradição lidar
Eu vi nascer o Fórum Cristão de Profissionais. Estava no culto num domingo em que
Numa semana em que vi discussões sobre censura, política e fé pública (discutindo se líderes
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline Estatísticas