cidadania

Pesquisa da CET mostra que os motoristas têm percepção oposta à realidade: 92,8% dizem respeitar quem está a pé. “Eu sei que preciso respeitar, digo que respeito, mas, na hora, esqueço”.
Folha de S. Paulo

Como perder a carteira em um dia - colagem sobre infográfico da Folha de S. Paulo http://folha.com/ct956038

"Como perder a carteira em um dia - colagem sobre infográfico da Folha de S. Paulo"

Quem mora em São Paulo costuma dizer:  a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) é craque em inventar maneiras de nos mandar multas. Não tenho argumentos para contradizer o dito popular, mas o fato é que a promessa de multa para os motoristas que desrespeitarem a prioridade dos pedestres em travessias da região central da cidade de São Paulo e da avenida Paulista pode ser um caminho para a educação para o trânsito.

Segundo informam, a fiscalização (que terá penalidades de até R$ 191,53 e sete pontos na carteira de habilitação) começa hoje, três meses após o lançamento de uma campanha que, até agora, não conseguiu mudar o quadro de desobediência generalizada nas ruas da cidade.

Em maio já se falava nisso: reduzir o número de pessoas mortas em acidentes de trânsito pela metade em 10 anos é o desafio que Organização das Nações Unidas lançava aos governos de todo o mundo. Junto com uma centena de países, o Brasil se comprometeu com as metas do que está sendo chamado pela ONU como a “Década de Ação para a Segurança Viária” e agora os municípios terão que criar estratégias para isso.

À opção do monitoramento realizado pela CET inicialmente em quatro pontos da região central, eu prefiro o Programa Operação Trabalho (POT), que traz moradores de rua para atuarem como educadores de trânsito no projeto Travessia Segura. Os “mãozinhas” (apelido que afirmam ter ganho da população), recebem R$ 575,00 por seis horas de trabalho que será realizado durante 20 dias do mês – pouco mais do que a Secretaria Municipal de Assistência Social gastou, ano passado, por pessoa, com programas de atendimento em albergues e centros sociais, cerca de R$ 544,00 mensais para mantê-los nas ruas, sem emprego nem dignidade.

notícias de que um curso nesta linha começa agora com uma turma de 30 pessoas que moram hoje em albergues da região central, selecionados entre aqueles que não consomem mais drogas e álcool. Eles vão receber, durante os seis meses de treinamento, um auxílio mensal de R$ 381,50 e depois do treinamento poderão integrar algum projeto da prefeitura ou buscar emprego como funcionários de agências de turismo, pois estarão aptos a atender minimamente algumas funções de “guia turístico”, conhecendo os pontos turísticos do centro e a história de São Paulo.

A ideia do projeto é requalificar pessoas em situação de “vulnerabilidade social” para que elas possam voltar ao mercado de trabalho.

Creio sinceramente que propostas assim são válidas e devem ser estimuladas junto à educação para cidadania, aquela que ensina a todos, crianças ou adultos, que todos somos cidadãos com direitos iguais, estando no carro, na bicicleta, a pé. E aprender que são infrações reais (e infelizmente comuns) parar onde existe faixa de travessia sem semáforo e, na conversão, não dar a vez ao pedestre que atravessa a rua na transversal.

Morei no Japão, país onde o aceno de mão ajuda (não é mágico como pensam alguns, mas ajuda) e ainda utilizo esta técnica no Brasil. Espero o farol fechar para passar, mas, depois de fechado e ciente de que atravesso na faixa de pedestres, fazendo minha parte nas regras de trânsito, eu coloco o braço ao lado e sinalizo para os motoristas que é minha vez.

Mas nem todos agem assim, como mostrou esta reportagem.

“Em 2010, 1.357 pessoas morreram no trânsito de São Paulo, a maior cidade do país. O número é sete vezes maior do que em Nova York e Tóquio. A metade era pedestre.”

A verdade é que, a despeito da existência desta regulamentação – as multas são previstas no Código de Trânsito Brasileiro de 1998 – a ação pró-pedestre também não conseguiu educar quem anda a pé. Em outra pesquisa realizada pela CET, só 0,3% dos que queriam atravessar fizeram um gesto para mostrar essa intenção. O gesto é recomendado, mas não obrigatório –os motoristas são obrigados a parar independentemente dele.

Pena que, como dizem especialistas em trânsito, as campanhas ajudam a despertar para os problemas, mas a mudança de comportamento só começa com fiscalização. Mas há alternativas, como as apresentadas com frequência pelo movimento Pedestre Primeiro (que tem blog e fanpage), fundado pela psicóloga Cássia Fellet. Para ela, “parte dos motoristas já deve respeitar a faixa nesta primeira semana de mudanças da CET, mas parte só após um mês –quando receberem a multa em casa”.

E você, já pensou que tipo de motorista e pedestre você é? Merece nota dez em comportamento no trânsito ou ainda dá para melhorar um pouco? Começar a mudança aos poucos, no nosso próprio comportamento cotidiano, é a melhor forma de mudar a sociedade.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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