cidadania

“O velho trabalho dos marqueteiros se faz atual como nunca. E daqui para a frente se depara com o desafio de lidar com a internet e as redes sociais – empenhadas em enxergar os políticos por trás da maquiagem.”

Usando o mote do lançamento para o cinema de O Bem-Amado, baseado na obra do teatrólogo Dias Gomes, com o revival da figura de Odorico Paraguaçu, “arquétipo do político matreiro, envolvente, “enrolador”, corrupto até a medula e obsessivo”, o repórter Renato Guimarães escreveu um excelente artigo para a revista online Página 22 (da FVG) na qual listou os elementos que no imaginário nacional permeiam o jogo político: “amores, luxúria, dinheiro, poder, inveja e violência” e, ao abrir seu texto com a mais bem-acabada representação de um modo de fazer política que aparentemente está enterrado no passado recente do Brasil, especialmente depois da volta do regime democrático, Renato nos convidou a pensar em como algumas das artimanhas e manejo de palavras e gestos de Odorico Paraguaçu que ressurgem no processo de construção da persona pública de vários candidatos país afora podem ser revisadas e bloqueadas com o advento das redes sociais.

Fui convidada a opinar sobre o tema para o artigo e nem precisei pensar muito, me coloquei, como de costume, no lugar do consumidor 2.0 que é eleitor 2.0 neste ano.

As eleições 2010 serão o primeiro teste dos políticos para o jornalismo-cidadão que nós, “consumidores 2.0”, fazemos nas redes sociais desde a popularização das ferramentas de compartilhamento de notícias e de autopublicação.  Se antes precisávamos ir ao ombudsman para ler uma visão mais crítica da notícia repercutida, agora temos muitos blogs e perfis de Twitter para seguir, ora concordando, ora discordando, mas acima de tudo – e felizmente – vivenciando um debate inovador na nossa sociedade.  Sugiro que o eleitor interessado em votar bem escolha um foco (eu escolhi educação) e acompanhe os candidatos na temática selecionada, sendo também um propagador dos erros e acertos de suas propostas e campanhas neste assunto.  Isso é ser proativo no desnudar do candidato e na tarefa de escolher quem vai representar seus interesses no próximo governo.

Multidão por @lidifaria - a foto usada indevidamente em video da campanha

E quanto ao velho trabalho dos marqueteiros, ele está com os dias contados. Nesta segunda-feira a denúncia do uso não autorizado de uma foto (retirada do Twitpic de @lidifaria) para a produção de um video de internet para campanha do candidato petista ao governo de São Paulo foi exemplo da reação 2.0. E uma mostra em tempo real do que @interney chamou de Candidatos Analógicos em sua contribuição à matéria:

Há um abismo entre o que a campanha digital poderia ser e o que está sendo.  Os candidatos estão mais preocupados em influenciar (ou manipular) a opinião alheia do que efetivamente compartilhar suas opiniões, conversar, mostrar quem são.  Não temos candidatos na internet, são seus assessores que cuidam dos seus espaços, cometendo gafes, pinçando as perguntas que querem responder e editando tudo para que o candidato apareça plástico e sem vida, defendendo os argumentos que a campanha decidiu serem o pilar de sua candidatura.  Não temos espaços abertos para conversar com os candidatos no âmbito digital, porque a candidatura off-line toma todo esse tempo: as redes sociais contemplam relacionamento e os candidatos estão usando a internet como mídia de massa.  Edney Souza, editor do blog Interney.

E se, como @inagaki, editor do blog Pensar Enlouquece, você acha que o canal ainda é mal explorado

“As mídias sociais ainda estão sendo utilizadas de modo muito tímido no Brasil.  Não poderia ser diferente: apesar do crescimento substancial de visitas a sites como Twitter e Facebook no País nos últimos doze meses, o fato é que a TV aberta ainda é o grande formador de opiniões no Brasil.  Outro problema que diagnostico é o fato de, em blogs e mídias sociais, as discussões políticas andarem extremamente exacerbadas.  O maniqueísmo desses debates empobrece demais as discussões, afastando interessados em comentar política.  E a internet, que poderia representar um meio onde fosse possível encontrar informações diferenciadas, infelizmente acaba por fomentar rivalidades em vez de construir pontes de entendimento entre partidos.”

#ficaadica da leitura do artigo completo aqui.

Você pode gostar também de ler:
Há alguns anos, tive a honra de fazer um "tour" por uma parte do rio
(Foto da Passeata pela Paz - Capão Redondo - São Paulo,
Eu já fui migrante no Japão (como dekassegui), sou neta e bisneta de estrangeiros que
Você via mulheres grávidas, praticamente zumbis humanos, no meio de locais como a Cracolândia e
Hoje teve prova Saresp e os colegas do meu filho no Ensino Médio queriam boicotar
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline Estatísticas