Para recuperar concentração roubada por tecnologias que misturam dever e prazer

Gostei destas dicas (que vi num tuite do sempre antenado professor @ericmessa) e fica como sugestão para pensarmos nas múltiplas atividades que assumimos no trabalho em frente ao computador. Em Saiba como recuperar concentração roubada por tecnologias que misturam dever e prazer a repórter Rachel Botelho conseguiu recriar o cotidiano de muitos de nós: é difícil se concentrar em uma tarefa quando os e-mails não param de chegar, o celular apita e ainda está havendo uma discussão interessante no Twitter…


Segundo a matéria, em vez de atrapalhar, a exposição frequente a situações em que é preciso se concentrar para resolver uma tarefa poderia até melhorar essa capacidade. Citando o neurofisiologista Gilberto Xavier, professor do Instituto de Biociências da USP, explica-se que “ao desempenhar diferentes tipos de ação, o sistema nervoso estabelece novas conexões entre diversas microrregiões nervosas. E a manutenção dessas conexões torna-se útil quando é preciso manter a concentração em outras coisas”. Para completar, afirma o professor, “há também uma melhora no fluxo sanguíneo encefálico, o que garante melhor oferta de glicose e oxigênio e, portanto, maior disponibilidade de energia para o funcionamento das células nervosas”.

Mas e a sensação de que há uma crise de concentração e que a culpa é da tecnologia? Especialistas garantem que isso é uma questão de geração. A percepção de que estamos mais dispersos se deve à crença de que é possível -ou necessário- dar conta de tudo ao mesmo tempo. Lembrei na hora de uma crônica de Cristóvão Tezza que li há alguns dias na Gazeta do Povo, jornal de Curitiba, intitulada Internet e faixa etária. Ele demonstrava claramente esta diferença de paradigma:

“[…] é muito pouco provável que algum dia eu vá comprar um iPad, ainda que seja um admirador das traquitanas de Steve Jobs – feito um adolescente fanático, considero os computadores iMac a oitava maravilha do mundo da informática.
Bem, eu até poderia pensar num iPad para leitura. Isso me interessa: o leitor digital. Ainda quero ter um. O problema é que o ato de ler deve anular completamente todas as outras atividades: a leitura é uma solidão ma­­ravilhosa. Ora, não é fácil ler um livro digital recebendo e-mails, pipocando mensagens, convites para jogos, janelinhas de internet. A tentação de me distrair seria grande demais e suspeito que, no fim das contas, o iPad é que seria meu usuário, e não eu o usuário dele. Por isso me agrada o conceito do Kindle, o leitor digital que é apenas e exclusivamente leitor – nenhuma chance de distração. Mas com tanto livro na fila empilhado aqui em torno, acho que posso esperar mais um pouco.

Então, se o seu cérebro tem dificuldade, não está só né? Segundo o psiquiatra Fábio Barbirato, da Santa Casa do Rio de Janeiro, “é impossível ver tudo e fazer tudo perfeitamente. O cérebro não consegue processar nem tem atenção para ouvir iPod, trabalhar, falar ao telefone ao mesmo tempo. A pessoa acaba cometendo erros grosseiros”.

Mas, enfim, se você não tem alternativa senão a vida multitarefa e multitelas, eis aqui algumas dicas:

  • Não pule o café da manhã – A falta de comida ativa os hormônios do estresse, que o deixarão nervoso e distraído
  • Comece bem o dia – Estamos em alerta máximo nas primeiras duas a três horas depois de acordar, então comece o dia com a tarefa mais importante
  • Faça uma lista – Organize suas tarefas por prioridade e use períodos diferentes para executá-las -depois do almoço, faça coisas que exigem menos concentração
  • Evite todos os estímulos externos que puder – Tire o telefone do gancho, desligue o alerta de e-mail, feche os sites em que não está navegando
  • Evite as multitarefas – Ponha sua atenção em uma atividade por vez (fazer várias coisas de uma vez aumenta a probabilidade de cometer erros)
  • Faça uma pausa – Passar 20 minutos no campo (ou no parque) ajuda a restaurar a atenção
  • Mantenha-se hidratado – Beber água ajuda o cérebro a se manter alerta e facilita a concentração
  • Ouça música – Se fones de ouvido forem permitidos, use-os para bloquear outros sons e promover um tipo de atividade cerebral que ajuda a concentração

P.S. E por falar no professor Eric Messa: recomendo curso de mídias sociais na FAAP. Informações aqui http://bit.ly/cecmsFAAP


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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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