mãe

Pode pai escrever crônica e daí se tornar crônico na “doença” de amor por seus filhos e esposa? Com Flávio eu descobri que sim – e que tem gente que faz isso com “aquele” sorrisão no rosto, sem deixar as dificuldades do caminho afetarem sua felicidade.

Sou filha de um homem apaixonado pelos filhos – meu pai é um pai maravilhoso, mas japonês, presente do seu jeito – e que sempre tentou priorizar a família em tudo na sua vida, mesmo depois que seu casamento se desfez e ele teve que ser visita na casa dos filhos. Flávio e eu temos isso em comum, mas, no caso dele, a relação com o pai não foi este mar de rosas, o que, creio, lhe permitiu escolher uma postura nova quando formou a sua família com Roberta. E foi o que lhe deu forças quando ela ficou no hospital depois do parto dos gêmeos, reforçando ainda mais no escritor a vontade de contar esta história emocionante.

É parte disso que se lê no livro que resultou dos primeiros anos de blog – Pai Crônico – Crônicas de um pai – e que está no texto inédito com o qual ele nos presenteia neste especial de pais.

[A simpatia do Flávio, contando da dificuldade de ser pai de menina e acertar nos penteados para a escola, está neste post, onde podemos ver os vídeos da entrevista que fiz com ele e Cristiano Santos no videochat do Mãe com filhos em 2010.]

“Durante um bom tempo em minha vida, não tive motivos para comemorar o dia dos pais. Sabia que para a grande maioria das pessoas aquele era um dia especial, mas fingia que aquele dia era como outro qualquer.

Em 2005, dias após descobrirmos que minha mulher estava grávida, fui surpreendido com a seguinte pergunta:

– E aí, paizão, está preparado?

O primeiro impacto por ser chamado de pai. Opa, é comigo? E segundo em pensar: será que estou preparado?
Como diria aquela cerveja: “booooooa pergunta”.

E naquele momento, eu nem sabia ainda que eram gêmeos.

Marina e Pedro agora têm cinco anos. O que eu faria diferente? Responder essa pergunta seria uma covardia com aquele pai-grávido-bobalhão, que não sabia direito o que era ser pai, pois não tinha convivido com um dentro de casa. E com aquele pai-zumbi, que revezava com a mãe, no meio da madrugada, para dar as mamadeiras, e que, quando deitava para dormir, era atacado da síndrome-insone-da-babá-eletrônica. E com o pai-carrasco-implacável, que sofreu pra burro quando deu a primeira palmada, que ficou na dúvida se a pirraça merecia ou não castigo, que teve que sentenciar inúmeras vezes quem ficava com o brinquedo.

Seria fácil, agora, para o pai-orgulhoso-sabichão, vendo seus filhos educados, com saúde, alegres, semi-alfabetizados, e sem lhe acordar cedo no fim de semana, dizer que não mudaria nada. Errei? Certamente. Mas um dos lemas da minha vida é: “só perde pênalti quem bate”. (o Elano vai retuitar essa). E eu nunca amarelei. Quer dizer, só na hora dos penteados da Marina. Mas foi sempre para o bem dela.

O que posso dizer é que todos esses pais merecem o meu respeito: o bobalhão, o zumbi, o carrasco, o pai-orgulhoso-sabichão, e muitas outras entidades que devem ter baixado neste pai (de-santos?) ao longo dessa trajetória. Parabéns para todos eles, para todos nós. E vamos comemorar muito este dia, porque ele é muito especial.”

Flavio Salles (@paicronico) começou a trabalhar com web em 97 com marketing digital e conteúdo e hoje toca as empresas Aldeia Comunicação e Emotivo Design. Desde que descobriu que sua mulher, Roberta, estava grávida, publica o blog de seus filhos gêmeos, Marina e Pedro. O blog acabou virando o livro Pai Crônico – Crônicas de um pai.

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Leia todos os posts do especial de pais blogueiros:

Como nascem os pais – Crônicas de um pai despreparado (por @diariogravido)

Ué, papai também usa avental! (por @cristianoweb)

O pãe que o diabo tentou amassar (por @rafanoris)

O parto do Padawan em livetweeting (por @nerdpai)

10 coisas que mudei depois que virei pai (por @hdiener)

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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