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Fui uma menina muito ligada no pai, tanto quanto na mãe. Primeira filha e muito desejada, fui criada com vínculos muito fortes com os dois. Mas, quando meus pais se separaram, acabei ficando com ele e não com ela e isso mudou radicalmente a forma como eu entendo as relações de família e o papel do pai.

Quem antes era apenas um provedor, se tornou um cuidador.

Se na minha infância meu pai trabalhava e ao chegar em casa era atendido por todos, as empregadas, minha mãe, a mãe dele que morava com a gente e nós, as filhas, tudo mudou com a separação. Minha mãe voltou para a cidade onde nasceu e cresceu no interior e eu e meu pai reconstruímos um lar juntos, começando do zero, de comprar móveis, louças, de refazer rotinas e aprender a conviver com menos gente ao redor.  Para minha surpresa, ele, que morara sozinho ou em repúblicas por muitos anos (saiu de casa na fazenda para estudar na cidade com apenas 11 anos e casou-se só aos 28), assumiu tudo e eu fui tão mimada e cuidada quanto era possível.

À noite, antes de irmos dormir, ele me perguntava se eu queria que passasse alguma camisa (eu já adorava usar camisas!) ou me ouvia estudar violão clássico. Muito amor, daquele jeito que nossa sociedade chama de “coisa de mãe” e eu chamo de relacionamento saudável. Esta experiência de tratar quem a gente ama com amor, sem sexismo, sem “donos da casa” (o velho papel da mulher, a Rainha do Lar) ou “ajudantes” (o novo papel do pai, que “ajuda” com os filhos), isso que vivo no meu casamento e faz do meu marido um pai fora de série, tudo devo ao tempo em que vivi só com meu pai.

Escrevo sobre o tema hoje, ao final do Dia dos Pais, porque acho importante reforçar que até as dificuldades pessoais – como o divórcio dos meus pais, que uma década depois eles anularam – pode nos tornar melhores.

Somos o resultado destas experiências, as boas e as ruins, dependendo unicamente de nós decidir o que queremos fazer com o legado que a vida nos deixa diariamente.

🙂

 

P.S. Na foto, do meu acervo pessoal, meu pai brinca comigo e minha filha Manu, durante uma visita da sobrinha-neta dele, Sofia.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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