Os órfãos de Avenida Brasil

Começo os dias lendo. Vejo as notícias de portais, passo os olhos em versões digitais de revistas e jornais e nos feeds dos blogs que assino. Meia hora é tempo suficiente e me toma aquele horário que eu enrolaria o despertador esperando o segundo alerta.

Nesta manhã gostei muito do artigo de Nilson Xavier (@teledramaturgia) sobre os órfãos de Avenida Brasil. Veja um excerto:

“Roque Santeiro-Selva de Pedra e Vale Tudo-O Salvador da Pátria são exemplos para se refletir no atual caso Avenida Brasil-Salve Jorge. Acredito que o público deixa o luto pela novela anterior mais cedo quando o casamento seguinte traz novidade. (…)
Como se não bastasse Salve Jorge ser uma novela tradicional demais para ocupar a vaga de Avenida Brasil, o sucesso prolongado da trama de João Emanuel Carneiro ecoa e intensifica a sensação do quanto as duas novelas são diferentes. Para melhor e para pior.”

Não acompanhei Avenida Brasil na TV, mas, por redes sociais, vi o fenômeno de “engajamento” da novela e agora, com o final da trama, percebo em muitos amigos a síndrome de orfandade da família de Tufão, o Divino e da solidariedade que imperava nos núcleos da trama. Eu mesma me sinto um pouco órfã das Empreguetes, que repetia este quesito que considero ser um terceiro item a criar uma novela boa e bem recebida pelo público: a cooperação entre os personagens.

Mocinhos nunca estavam totalmente sozinhos e mesmo os vilões ou os malandros tinham “seus chegados” como pares na dança da teledramaturgia. É este espetáculo que se realiza em grupo, contando com a parceria e a cooperação que desejamos ver quando voltamos para casa cansados de um dia atuando sozinhos em muitas frentes de batalha da vida real, queremos nos divertir com as vitórias e mazelas alheias sem perder a esperança de resolver nossos próprios pequenos conflitos de todo dia.

Por isso sentimos tão pesada a orfandade da esperança por um dia melhor quando os dias melhores ficam todos guardados para usufruirmos no final, lá na outra ponta do arco-íris, onde o pote de ouro espera pela mudança dos Quixotes que queremos amar nas tramas de novelas. O enredo tradicional da teledramaturgia brasileira precisa mudar porque, felizmente, nós mudamos e aprendemos com as mudanças sociais e políticas dos últimos 30 anos que é possível ter dias bons e pequenas alegrias e vitórias e queremos estas pequenas felicidades em nossas vidas todos os dias, também e especialmente nos espetáculos que nos divertem na TV.

P.S. Não tenho hábito (no sentido de acompanhar todo dia!) de ver programação da TV aberta, mas tenho excelentes referências. O blog do Nilson Xavier foi um “achado” na timeline de Twitter da querida Alessandra Siedschlag (@alesie), do blog Ex-Tricô, uma “herança” que o amigo Ale Rocha (do blog Poltrona) deixou para mim e que as pessoas que curtem TV aberta devem seguir.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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