Os Karas e a Droga da obediência #pequenosleitores

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Como muitos jovens desde a década de 1980, #aos11 adorou ler “A droga da obediência”, de Pedro Bandeira, leitura *obrigatória* da escola neste começo do 7º ano. #aos11 adorou ler “A droga da obediência”, de Pedro Bandeira, leitura *obrigatória* da escola neste começo do 7º ano.

Eu confesso que fiquei intrigada com a história que trata de drogas de verdade – e não figurativas, como imaginei ao ler pela primeira vez o título. Fiquei em dúvida sobre a melhor idade para falarmos sobre colegas que se iniciam nas drogas…

Muita gente leu e ama esta série originalmente publicada em 1984 como o primeiro livro da série dos personagens “Os Karas”, tratando da relação entre amigos adolescentes, que desvendavam crimes.

Creio que parte do sucesso está no estilo, pois tem os elementos de uma novela policial: detetives audazes e inteligentes, um plano de ação convincente, um policial honesto em contraposição a um desonesto, um grande vilão sobre quem incidirá toda a perseguição.

Cinco adolescentes formam o grupo que protagoniza as aventuras dos “Karas”: Miguel, Crânio, Calú, Chumbinho e Magrí, que, em A Droga da Obediência, enfrenta seu primeiro grande caso.

Eles também são heróis “gente como a gente”. Os Karas são um grupo de amigos que estuda no colégio Elite e participam de várias aventuras de suspense em que precisam desvendar alguns crimes.

Giorgio me contou que em A Droga da Obediência os Karas desmantelam uma rede de seqüestros ocorridos em São Paulo – outro ponto positivo, afinal, somos todos protagonistas e ao mesmo tempo caras comuns nesta metrópole.

O resumo do livro:

“Os Karas tomam conhecimento de uma onda de desaparecimentos envolvendo alunos de vários colégios conhecidos e decidem investigar o que está acontecendo. Reúnem-se em seu esconderijo secreto, no vasto forro do imenso vestiário do colégio Elite, e lá traçam um plano de ação para libertar um dos amigos. Depois de uma série de investigações e deduções, chegam a uma organização criminosa: a Pain Control, que deseja, manipulando fórmulas químicas, controlar a dor da humanidade e, as sim, a duração e a qualidade da vida humana.
O responsável por essa organização é o Dr. Q.I., um tresloucado cientista que usa os estudantes para testar suas teorias extravagantes e autoritárias para dominar toda a humanidade.
Na sociedade almejada pelo Dr. Q.I., não há lugar para qualquer contestação, não há espaço para a desobediência nem para a revolta. O Dr. Q.I. deseja uma humanidade obediente e servil, como carneirinhos lanudos, gordinhos e felizes. É contra essa cultura de submissão e de aceitação passiva de uma sociedade controlada por um poder absoluto que os Karas lutam.”

Muitos amigos me contaram que tiveram sua visão sobre a cilada das drogas formada por esta obra, que tinha o claro propósito de chamar a atenção para a coragem de seus personagens jovens e tentar mostrar que é na adolescência que começa o uso de drogas.

Gostei também de encontrar, na internet, palavras do autor sobre a obra:

Uma novela de mistério é aquela que se destina ao raciocínio, à razão. Na novela de suspense, o autor oculta certas informações não do leitor, mas da personagem. É o caso de uma criança que entra em casa despreocupadamente, quando o leitor sabe que um louco armado com uma faca está atrás da porta, a sua espera. Neste caso, o apelo não é ao raciocínio, não é à razão, é à emoção.
Na série iniciada por A Droga da Obediência, procurei utilizar as duas técnicas. Há alguns dados do enredo básico que levarão ao tal final-surpresa, mas há também muitos fatos perigosos conhecidos pelo leitor e desconhecidos pelas personagens, de modo a criar o tal clima de suspense.
Quanto à forma, procurei usar dois aspectos básicos da técnica cinematográfica. Em primeiro lugar, temos a estrutura em cenas justapostas, com cortes bruscos, bruscas entradas e retomadas de ação já a partir da ação anterior, sem perdas de tempo com descrições, e flash-backs estruturados da mesma forma. Em segundo lugar, o foco narrativo, na terceira pessoa, explica a ação como se fosse o olho único de uma câmera de cinema. O narrador só fotografa o que está exposto a esse olho único, a esse único ponto de vista. Assim, ele não sabe tudo, ele não enxerga todos os ângulos. Um exemplo: o narrador descreve dois homens sentados na mesa de um restaurante. Um deles tem um revólver, sob a mesa, apontado para o outro. Como a tomada de cena é frontal, o narrador não verá o revólver; para tanto, será necessário um corte ou um travelling para debaixo da mesa.
Creio que o ponto de vista único de uma câmara cinematográfica é o mesmo de todos nós, de todo mundo. Ninguém vê, ao mesmo tempo, mais do que um ângulo cinematográfico. Mas, tal como faço nesta série, todos vêem um só ângulo mas imaginam os ângulos que não estão ao alcance de sua observação. É o caso do escuro. Uma criança tem medo do escuro porque, não podendo enxergar nada, cria em sua imaginação perigos que poderiam estar ocultos pela escuridão. Tememos o escuro quando crianças, porque tememos o que nossa própria imaginação elabora a partir do que os olhos não estão vendo.
Assim, neste livro, como nos outros da série “Os Karas”, eu não descrevo apenas o que a câmara vê; eu descrevo o que ela vê e o que ela infere do que não vê, complementando o que ela desconhece. Ela (ou o narrador) infere o que não pode ver. A forma, não é, deste modo, uma simples descrição como seria se eu me ativesse apenas ao olho único da câmara cinematográfica. Usando ainda a linguagem do cinema, seria o que chamam de inner-shots, para configurar pensamento e introspecção.
A história é protagonizada por cinco adolescentes normais, estudantes de uma escola de elite. São extremamente corajosos, mas não são infalíveis. Eles erram, tropeçam, enganam-se o tempo todo, mas têm a capacidade de reconhecer os próprios erros e procurar a solução por novos caminhos. Criados do modo como foram, esses cinco adolescentes – os Karas – conseguiram uma grande identificação com os leitores.
Neste livro, como nos outros, acontecem algumas ações que podem ser consideradas violentas. Minha intenção, porém, foi deixar todas as ações violentas para os antagonistas das histórias. As ações dos protagonistas são sempre não-violentas, sempre baseadas na inteligência, na pertinácia, no amor, no trabalho. Desse modo, eu pretendi mostrar ao leitor que o caminho da civilização não é violência dos Rambos, ou John Waynes.”

Aproveitando para fazer *jabá* (e pressão): Giorgio #aos11 prometeu retomar o vlog #lerfazbem com suas indicações literárias!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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