Os ídolos infantis e o caso Bruno-Eliza

“O ídolo tem que estar sempre atento para o que diz e o que faz, pois tem o olhar de todo o público que o elegeu como um exemplo a ser seguido.
Quando este ídolo desaponta, a decepção é imensa e irrecuperável.”
Cybele Meyer

Hoje no Mãe com filhos um texto (Ídolos são exemplos) debatia o caso Bruno (goleiro do Flamengo, sob investigação no caso do sumiço de sua ex-amante Eliza) sob o ponto de vista das crianças que o tinham como ídolo e agora apagam o nome dele das camisetas do time.

[Tá, eu não ia comentar este caso não, e nem vou]

Eu sou contra os pais estimularem os filhos a terem ídolos porque eu não creio que estas figuras tão distantes (são distantes, não convivemos com elas, vemos apenas no noticiário e nas revistas especializas) podem ser exemplos para nossas crianças. No lugar disso, professores, além dos familiares, são os verdadeiros exemplos que os nossos filhos devem ter. Além de serem palpáveis e terem um vínculo afetivo verdadeiro (e recíproco) com a criança, eles são, no geral, figuras cujo sucesso podemos alcançar. Ao desejar ser como “o goleiro do Flamengo” ou o “artilheiro do Corinthians” as crianças acabam mesclando o sonho do estádio gritando seu nome com a vida fácil que mostram nas revistas, com muitas festas, “maria chuteiras” e dinheiro a rodo, esquecendo-se de que para alcançar o sucesso até eles treinaram muito e abriram mão de muitas facilidades em prol do trabalho que levou ao sucesso.

Por outro lado, entendi perfeitamente a posição de Cybele sobre uma figura pública assim ter “obrigação” de manter uma certa postura. É esta postura que eu vejo em atletas como Rogério Cenni e Raí (que citei no post O estádio de futebol também pode ser parceiro da educação!) e até mesmo em Robinho (que citei em Cartão vermelho ao trabalho infantil) e que devemos valorizar e estimular como conduta consciente entre todos, famosos ou não.

E termino com palavras que uma leitora deixou lá no texto que deu origem ao post:

“Gosto muito do Lobão e ele não era lá um símbolo de coisa boa, gosto do Cazuza, Janis Joplin, Led Zeppelin, entre outros ídolos atormentados pelas drogas e excessos, nunca usei drogas, mesmo adolescente soube dividir minha admiração pela obra da vida pessoal dos meus ídolos. Daí a importância dessas pessoas se empenharem mais em serem exemplos para os filhos…”

Rogéria Thompson de certa forma retratou minha experiência de vida (e até de “gosto musical”) e o resultado positivo que estes possíveis ídolos (que na verdade foram apenas meus cantores ou compositores favoritos) tiveram na minha vida. Portanto, acho que o importante é ensinarmos nossas crianças a estabelecer neles as bases para que sejam bons cidadãos – independentemente dos craques ou cantores cuja atuação profissional eles “admirem”.

P.S. Sobre os detalhes e até as questões jurídicas do caso Bruno-Eliza, sugiro a leitura do post Apedrejando a mulher de moral duvidosa. E sobre a conversa com filhos sobre a violência contra mulher indico este: Pra não dizer que não falei do Bruno.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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