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Sempre me perguntei se essas versões da época da minha mãe funcionariam com as crianças da nova geração.
Manu #aos2 viu comigo a versão de 1959 de A Bela Adormecida sem piscar, com sobressaltos de emoção e genuíno interesse na história.

Admito que como mãe de meninos, fazia muito tempo que eu não teria filmes de princesas. Vi os novos (Merida, Tiana, Elsa e Anna são presenças constantes por aqui), mas os antigos não. 

  
Adorei Malévola e a percepção do “beijo de amor verdadeiro”, bem como a explicação para a reação exacerbada materializada na vingança dela contra o rei, tanto quanto gostei da ideia de que ela poderia “repensar” suas escolhas.

Achei moderno, bom, significativo.

Mas hoje o filme antigo me mostrou também uma percepção dos valores que ficam, que independem da época, pois são universais e por isso atemporais.

  
– a Identificação de Felipe e Autora, precipitada, mas que felizmente ainda acomete alguns casais, é linda e traz a necessidade da juventude de reagir aos pais e de viver suas próprias vidas, o que é maluco, arriscado e imprescindível para o amadurecimento! 

– as maluquinhas das fadas madrinhas, que são como nossas amigas, irmãs, mães, tias e avós, a rede de mulheres sempre pronta a nos apoiar e proteger

– as brigas dos reis, os pais, que ainda se achavam os protagonistas da história dos seus filhos, num jogo adulto que deixa o viés da crítica ao vazio existencial na discussão do “castelo com 30 quartos” e o “vinho guardado por 16 anos”
  
– a força que o abandono e o desamor dão ao mal. As pessoas em situação de vulnerabilidade social são, como a antiga Aurora e a Malévola atual, ex-crianças privadas de afeto, de laços emocionais fortes, de estrutura social com bons vínculos

  
E por fim, claro, há a luta do bem e do mal, que muitos veem nos personagens (a bruxa, a princesa), mas na verdade está nas escolhas de cada um, a cada momento.

  
Os contos de fadas são eternos (esse, de Charles Perrault, com certeza), as musicas eruditas também (a trilha sonora do filme é composta de canções adaptadas do balé The Sleeping Beauty, de Tchaikovsky, um dos favoritos da minha mãe) e eu descobri que as versões de Walt Disney também são para sempre. 

🙂

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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