Orquestra de Câmara Miller, um grupo autogerido de instrumentistas voluntários


Quem acompanha um pouco música erudita sabe das dificuldades que os artistas passam no Brasil e acompanhou a situação dos músicos da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo que foram demitidos no início de fevereiro sob a alegação da secretaria Estadual de Cultura de que não tem recursos no orçamento para pagar os profissionais. A alegação é de que o gasto com salários dos músicos da Banda Sinfônica gira em torno de R$ 7 milhões e que este dinheiro garante a manutenção de 140 polos e 15 mil vagas do projeto Guri, que dá aulas de graça de iniciação musical para 53 mil crianças e jovens no estado.

Foi neste contexto que vi que um novo amigo é músico e está envolvido num projeto bonito que lembrou muito do que contamos aqui sobre economia criativa, solidária e contemporânea.

Trata-se da Orquestra de Câmara Miller, um grupo auto-gerido de instrumentistas voluntários que atua sob a direção artística da maestrina Gretchen Miller.

O grupo ensaia regularmente nas noites de terça-feira em São Paulo, e aceita novos instrumentistas voluntários de nível intermediário ou avançado.

Natural dos Estados Unidos, Gretchen Miller formou-se em violoncelo pela University of Arizona e pela Guildhall School of Music de Londres. Fundou e regeu a Orquestra Filarmônica Infanto Juvenil de São Paulo, a qual se apresentou nos Estados Unidos e na Alemanha. Foi regente da Orquestra Sinfônica Jovem Municipal e da Orquestra Sinfônica Infanto Juvenil da Escola Municipal de Música de São Paulo. Atualmente, leciona música de câmara na Faculdade Santa Marcelina e é diretora artística do Amacordas.


Vejam o que o violinista Felipe Lemus Duarte Corrêa me contou dessa nova experiência:

Como você se envolveu?

Até ano passado, éramos vinculamos a uma instituição que mantinha a maestrina, mas no começo do ano a maestrina foi desligada e todos seguimos com ela!

Como funciona?

No grupo temos duas características que tornam os ensaios e o ambiente bem leves: somos todos amadores (o que permite a todos respeitarem os limites de cada um, sabendo das capacidades técnicas) e somos voluntários, o que torna todo o ambiente mais acolhedor uma vez que nos unimos por opção para fazer música!

Tem um sentido especial nesta resistência?

Gosto muito de participar porque acredito que boa música pode ser feita com qualquer nível e qualquer pessoa! Basta querer! E lá todos se esforçam para que o nível seja bastante interessante!

E o local onde vocês ensaiam? Como é?

Estamos ensaiando num espaço muito bom, tradicional da cultura alemã conhecida como “casa das maçãs”, chamado Sociedade Philarmonica Lyra! Lá são realizados diversos concertos e é sede de ensaio de outros grupos musicais, como O Conjunto de Bandolins de São Paulo. Uma casa de cultura alemã que realiza concertos aos domingos e após esses servem um saboroso almoço tradicional alemão! Parece casa de vovó!

Gostou? Então vem conhecer!

O primeiro concerto será dia 1 de abril, 11 horas, na Legião da Boa Vontade (Av. Rudge, 700 – Bom Retiro, São Paulo). É gratuito e não precisa pegar ingresso antecipado: é só aparecer!

Programa:

  • Corelli – La Folia
  • Bragato – Graciela y Buenos Aires (solista Gretchen Miller)
  • Shostakovich – Five Pieces
  • Holst – Saint Paul’s Suíte
  • Gardel – Por una Cabeza de Piazzolla
  • Rademés Gnattali – Canções Populares Brasileiras

Quer participar? Entre em contato com Gretchen Miller.

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.