One day at a time – Uma série maravilhosa e escondida na Netflix

É de praxe ver listas pelas redes sociais de filmes e séries legais que estão disponíveis na Netflix e ninguém está vendo, e uma delas é com certeza a sitcom One Day At a Time!

One Day at a Time (Um dia de cada vez) é um remake de uma série que foi muito popular dos anos 70 que durou nove temporadas na CBS (de 1975 e 1984), que contava a história de uma mãe solo que se mudava para Indianápolis com as duas filhas adolescentes.

Três décadas depois o mesmo produtor Norman Lear, Deu uma repaginada na série, mas desta vez sendo protagonizada pela família cubano-americana Alvarez, que acaba de chegar a Los Angeles.

A série conta a história de Penelope, seus dois filhos adolescentes Elena e Alex,  sua mãe Lydia.  À trama juntam-se o vizinho Schneider e Dr. Berkowitz, o patrão do consultório médico onde ela trabalha.

Pelo enredo parece ser um dramalhão, né? Mas na verdade é uma sitcom das boas, veja o trailer:

O que faz dessa série ser tão boa?

A mãe contemporânea: Justina Machado interpreta Penélope Alvarez, filha de imigrantes cubanos, é a mãe de Alex e Elena, bem como a filha de Lydia. Trabalha fora como enfermeira. Ex-sargento que serviu no Afeganistão. Por causa do estresse pós traumático da guerra e a nova realidade de ser mãe solo, ela luta para se adaptar a nova realidade. Vemos Penélope admitir que precisa tomar antidepressivos, seu questionamento sobre crer em Deus, que sua mãe luta para aceitar. Além disso sabe montar um rifle em 13 segundos!

A avó tradicional:  Rita Moreno, é a avó Lydia, além de ser uma das onze artistas ganharam um Oscar, um Emmy, a Grammy, e Tony Award, ela é o alívio cômico da série, ela é o elo sobre a cultura latina (pois ela é uma imigrante cubana) e como essa identidade cultural, vai se alterando  de geração em geração. A atriz tem 86 anos e interpreta uma mulher com 73 vigorosa que dança salsa (OK isso é bem estereotipado) e sempre se recorda de como foi se mudar para um novo país e criar seus filhos.

Neta engajada: Elena Alvarez é a filha de Penélope. Ela é vegetariana e feminista, e ela se preocupa com a sustentabilidade, por ser a segunda geração americana da família, questiona muito as tradições ancestrais. Elena é a pessoa que “sempre defende os mais fracos”. É capitã da equipe de debate e adora estudos sociais. Na série, ela é mostrada como um adolescente que ainda está se encontrando. Ela não tem muitos amigos e, em geral, é considerada muito estranha.

Nem criança, nem adolescente: Alex Alvarez é o filho de Penélope e o irmão mais novo. Ele ainda não assimilou direito a separação dos pais e se sente um pouco o peso de ser homem da casa, ele valoriza a aparência e a popularidade na escola . Isso o torna facilmente influenciado por seus amigos. Ele tem um relacionamento de amor e ódio com a irmã mais velha, mas prova ser um irmão solidário e atencioso quando precisa.

Um bom amigo por perto: Schneider, filho do dono do prédio onde a família mora. O personagem é o oposto de Penelope, ele é um rapaz classe média alta, que já teve um histórico de  essencial para estabelecer o contraste entre a realidade dele e a de Penelope. Cada dia ele aparece com um problema mais supérfluo do que o outro, que vira ‘nada’ comparado à existência muito mais complicada dos inquilinos. Mas ele tem um importante papel na família (como uma figura paterna) e ao mesmo tempo a família Alvarez também exerce um apoio para ele, em seu (tardio) amadurecimento.

Empatia: Um das coisas mais adoráveis da série é o amor que gira ao redor de todos os personagens. Mesmo em meio às brigas, aos preconceitos e a tanto sofrimento, é possível sentir o carinho presente em todas as cenas. Com muita calma e dedicação entre os familiares, eles conseguem superar os obstáculos que vão aparecendo ao longo do caminho, a ingrediente secreto da série, é a empatia. Os melhores momentos da série giram em torno da máxima: “Eu não concordo necessariamente com você, mas estou aqui para você, e sempre o amarei”.

 

Você também conhece uma família assim: Todo mundo conhece uma história que uma mãe, pelo bem da sua família decide se separar e recomeçar a sua história, que tem apoio dos pais já idosos e que a família se ajuda, as vezes não em termos financeiros, mas em amor, a identificação é imediata. One Day At A Time, apresenta temas difíceis como depressão, solidão, estresse pós-traumático, desafios de ser mãe solo, despertar a sexualidade adolescente, a tradição versus a modernidade, religião, feminismo e sororidade. Dá uma aula de feminismo como ele realmente é, num mundo que as mulheres e homens devem ser tratados de forma igual, como salários, oportunidades e esperanças.

E ninguém está assistindo?

Nem faço ideia de quantos lançamentos a Netflix tem mensalmente, então entendo que eles promovam mais umas do que outras e infelizmente “One day at a time” caiu no grupo de pouca promoção! Diferentemente de outro clássico revisitado The Fuller House. E a baixa visualização pode pôr em risco a renovação para uma possível terceira temporada:

Nessa semana Gloria Calderón Kellett, produtora da série, fez um pedido especial aos fãs no seu perfil pessoal do twitter:

“GRANDE favor: se você quer dar apoio para mim e para o show [One Day at a Time], então POR FAVOR assista e peça aos seus amigos e familiares para que assistam pelo menos quatro episódios pelos próximos dias. A Netflix decide o que permanece baseado em visualizações. Eu amo esse show e eu amo escrever sobre essa família com que todos nós podemos nos identificar. POR FAVOR ASSISTA! Obrigada”

Achei a estratégia dela excelente, se a empresa não divulga como deveria, ela fez por meios próprios sua divulgação e parece que está dando certo! Mas mesmo assim eu faço o pedido de Gloria o meu, por favor assistam One Day at a Time, não por pelo risco do cancelamento, mas pelo o que ela representa no contexto atual, que não se furta de falar de assuntos polêmicos como racismo, xenofobia, a importância do voto e as lutas da imigração, bem como o depressão, homofobia e a discussão sobre porte de armas. Com humor e drama, assim como é a vida real.

Avaliação: One Day at a Time é uma daquelas séries que deixam a ente com um sorriso no rosto e mesmo assim faz pensar.
Censura: 14 anos (mas dá pra todo mundo assistir)
Teste de Bechel: Passa (Não sabe o que isso significa? Leia aqui)
Disponível: Duas temporadas na Netflix

 

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Christina Santos

Christina Santos, química, com especialidade em pesquisa e desenvolvimento de cosméticos, adora gatos e pipoca e tem grande interesse em meio ambiente, e sustentabilidade corporativa.