Once Upon A Time

No final de semana passado, enquanto esperava que as urnas fechassem e os resultados das eleições começassem a ser divulgados, escrevi no Facebook que já que votar e crer na democracia exige uma dose de fé no impossível, fecharia a tarde com maratona de Once Upon A Time.

Um dos comentários ao meu update me fez notar que eu nunca tinha falado da série aqui. Que falha!

Raramente temos novas propostas na TV e esta série é uma “novelinha” completamente nova e interessante por seu viés criativo. Tem também a grande qualidade de ser um entretenimento para a família toda sem ser infantilizado, o que o faz ainda mais raro. Pais que optam por não expor as crianças e pré-adolescentes a tramas adultas, como as das novelas atuais, ficam sem alternativa na programação televisiva, vendo a TV comum da família (normalmente a da sala) virar refém dos canais infantis. Mas estes canais, que no tempo do meu filho mais velho eram livres de comerciais (nascido em 2000, Enzo viu muita TV Cultura e Discovery Kids sem qualquer comercial), são vistos por mim com muita reserva por seu apelo ao consumismo e pela programação excessivamente baseada em costumes e comportamentos “não-brasileiros”.

Não creio a TV tenha que ser sempre nacional refletindo tanto nossos hábitos e práticas a ponto de nos tornar fechados para a cultura mundial. Tampouco creio que TV tenha que ser a grande fonte de entretenimento e lazer para as famílias, tanto que aqui raramente vemos programas no final de semana, por exemplo, optando por passear, conversar, jogar e brincar nestes dias livres. Mas ter opção é importante sim. E quando esta opção pode trazer à tona conversas interessantes, reflexões sobre o comportamento humano, convites para debater a ética na prática e estimular o interesse pela leitura e pelo estudo livre, daí ela está dentro do que eu creio como bom para as famílias.

Com Once Upon A Time encontrei isso.

Por girar em torno de personagens clássicos dos contos de fada que estão vivendo em nosso tempo (na fictícia Storybrooke, uma cidadezinha do Maine de vida simples e monótona), a série nos permite conversar sobre as decisões éticas de cada um, considerando nosso conhecimento anterior da personalidade de cada um, afinal, são figuras das quais ouvimos falar desde muito pequenos. Mesmo sem saber quem são na realidade – uma maldição que acabou com os finais felizes os deixou também esquecidos de quem eram no mundo dos contos de fadas – eles se reunem de acordo com afinidades e continuam atuando de certa forma dentro de seu padrão.

Os personagens principais são os herois bonzinhos e manipuláveis Branca de Neve (Ginnifer Goodwin) e Príncipe Encantado (Josh Dallas), mas quem dá graça à história são a Rainha Má (Lana Parrilla) e Rumpelstiltskin (Robert Carlyle), que tentam evitar que Emma, filha de Branca e de Encantado, salve-os. Emma Swan ( Jennifer Morrison, de House) se envolve com as histórias de muitos dos personagens que encantaram a infância de todos nós em histórias sobre Gepeto e Pinocchio, o Chapeleiro Maluco, os Sete Anões, Bela e a Fera, a Fada Azul, Chapeuzinho Vermelho e sua avó. A mistura de realidade atual e da história por trás da história de cada um (quem imaginava que o Chapeleiro teria uma filha ou que a família da Chapeuzinho tinha um segredo ligado ao lobo?) encantam-nos a cada capítulo, que se desenrola como uma história à parte, sem deixar de nos ligar à verdadeira rivalidade de Once Upon A Time, a que liga Emma e Regina: o filho Henry (Jared S. Gilmore), a quem Emma deu para adoção ainda bebê e que foi adotado pela Rainha Má e aparentemente é a única pessoa que conhece as histórias.

No entanto, adianto: é uma história para sonhadores. Os meninos assistem comigo, mas meu marido, fã de seriados de ação como 24 Horas e Falling Skies, não acha a menor graça.

😉

P.S. E sobre a maratona: o seriado é um dos que estreou neste mês no Netflix, aquele sistema de streaming do qual falo às vezes aqui porque acho a relação custo-benefício boa. Pude ver os últimos episódios, que não tinha visto na TV (passa na Sony), ficando em dia para esperar a segunda temporada!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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