Basta dizer ‘eu sou contra e quero uma mudança’ (Bob Geldof por @bibianamaia) #avidaquerNoSWU

“O problema do individualismo é que só funcionamos juntos. Precisamos estar juntos para sobreviver, mas o ser humano ás vezes é fantástico e noutras estúpido.” Bob Geldof 

Os muito ligados na web ou na política não deixaram passar um movimento de mudança que começou em Nova York e vai ganhando adeptos e versões em outros locais desde seu início. As mobilizações começaram no dia 17/09/2011 e em 1º/10 o protesto mobilizou entre cinco a dez mil pessoas, numa onda de protestos semelhantes. Occupy Wall Street (‘Ocupe Wall Street’) começou como um movimento de protesto contra a influência empresarial na sociedade e no governo dos Estados Unidos e a impunidade dos responsáveis e beneficiários da crise financeira mundial. Parece utópico, não é mesmo? De certa forma é uma utopia, mas  é também uma forma de “aproveitar” a onda iniciada com a Primavera Árabe (os movimentos de países árabes pela democracia que marcaram o ano de 2011). Estes movimentos foram citados por Bob Gelfof em sua apresentação no último painel do Fórum Global de Sustentabilidade SWU 2011 e a jornalista e blogueira Bibiana Maia (do blog Semente que voa) reuniu no texto que publicamos abaixo parte das reflexões deste que é um dos pioneiros nos movimentos de ativismo social multimídia. Famoso por seu rock n’ roll e por ter idealizado o Live Aid e o Live 8, Bob Geldof foi uma das celebridades mais esperadas no Fórum Global de Sustentabilidade. No último dia de evento o músico começou sua palestra com um tom duro, para acordar que ainda não está preocupado com os impactos que estamos provocando no planeta.

“Nos tornamos distantes do ciclo que nos faz ser seres humanos.”

Geldof criticou o atual modelo de desenvolvimento que acredita em um crescimento econômico eterno. Esta idéia errada reforça o individualismo, algo que vai contra a nossa natureza. Segundo sua visão, as mudanças atualmente são encaradas de forma negativa, mas são características dos homens.

“A mudança faz parte da nossa ordem natural. Pensam que não mudamos, mas todos os dias ao acordar somos diferentes. Estas modificações podem ser boas ou ruins, isto depende do que requer a sociedade.”

Ele também criticou as táticas utilizadas quando a produção é maior do que a demanda. Tudo para evitar a perda de dinheiro, ao afirmar que “somos tão engenhosos que produzimos mais comida do que precisamos, mas pagamos impostos para armazenar e queimar estes alimentos enquanto existem 30 milhões de pessoas no mundo com fome.” O compositor acredita que o sistema atual reforça os problemas sociais ao invés de tentar solucioná-los. Precisamos levar a mudança às estruturas. “O que somos e o que podemos produzir não estão ligados com a fome e a educação, por exemplo. As estruturas políticas e sociais reforçam a fome. Para resolver esses problemas devemos buscar estas estruturas.” E, soco no estômago, Geldof não poupou ninguém ao afirmar que o que tornará nossa sociedade melhor são as ações políticas e não a caridade provocada pela culpa.

“A caridade é criticável. Diante do sofrimento o máximo que fazemos é colocar a mão no bolso. Se vinte pessoas doam é apenas bom, agora se um milhão doa estamos fazendo política”

Sobre o movimento Occupy Wall Street, Geldof defendeu o novo modelo de protestos. Em sua visão, não é necessário um programa, só precisa estar contra o que está estabelecido. “Esta é uma nova forma de democracia e protesto. Precisamos apenas dizer ‘eu sou contra e quero uma mudança’.” Bob Geldof deixou claro que nós é que precisamos efetuar esta mudança, e que as ferramentas da nossa sociedade não têm culpa dos problemas que causamos. E, finalizando, para deixar a todos nós com pulgas atrás da orelha:

“O dinheiro é um agente amoral. A questão é como você usa no bem comum.”

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook