O verdadeiro sentido do Sete de Setembro (por @caixazero)

A fantasia de Pedro Américo para a Independência - Uma tela gigantesca, de 4,15m de altura por 7,60m de comprimento, mostra um valente Dom Pedro I erguendo sua espada no ar, às margens do riacho Ipiranga, acompanhado por uma tropa de alazões e oficiais bem alinhados, a declarar a independência do Brasil de Portugal. É o quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, hoje no acervo do Museu Paulista, conhecido como Museu do Ipiranga. O ano da cena era 1822. O resto, quase tudo ficção. (Vale ler a matéria completa de Marco Tomazzoni, iG São Paulo)

“Obviamente, o dia da Independência, celebrado neste Sete de Setembro, é algo para se comemorar. Afinal, é a data do nosso nascimento como país. No entanto, para quem gosta de História, é sempre interessante pensar na nossa origem.”
Rogerio Waldrigues Galindo no blog
Caixa Zero, em texto que continua a seguir:

A maioria dos países americanos nasceu de revoluções. A mais famosa é a dos Estados Unidos, em 1776. Os habitantes das 13 colônias não apenas se libertaram da Inglaterra, mas estabeleceram um novo padrão de governo para a época.

É preciso lembrar: no século 18, ainda não era nem mesmo comum que os países tivessem uma Constituição. No mais das vezes, o rei era a lei, e pronto.

Com o Iluminismo, a ideia de que todos (inclusive o rei) deveriam ser iguais na obediência a algo maior (a lei) começou a ganhar força.

Foi o que aconteceu nos EUA. Além de instaurar uma República, como voto popular para escolha do presidente, os Estados Unidos decidiram ser fiéis a uma Constituição.

Criaram um importante modelo democrático para a humanidade traduzindo em prática algumas ideias que os franceses só tinham colocado no papel. E foram avanços importantes no caminho da democratização do poder e do freio aos poderosos.

De certa maneira, os países hispânicos também tiveram suas revoluções, com Bolívar, San Martín, etc. Implantaram repúblicas e se viram livres do jugo de um povo estrangeiro.

No Brasil, a nossa Independência foi, ao mesmo tempo, nosso erro original. Por que, ao contrário de ser uma revolução, foi uma contrarrevolução.

Foi assim: Portugal, como outros países europeus, não queria mais reis poderosos, sem limites. Quis ter uma Constituição. E fez a sua revolução: a revolta constitucionalista do Porto.

O monarca, D. João VI, correu para lá para tentar não perder a coroa nem o poder. Negociou, se manteve no trono, mas perdeu força. As Cortes, o Paralamento, passaram a impor certas restrições ao poder real.

Enquanto isso, por aqui, o filho do imperador enfrentava um dilema. Ou aceitava as mesmas restrições de poder ou tinha de se impor aos burgueses. D. Pedro I não era homem de ceder a ninguém.

Criado na época do Absolutismo, Pedro nunca aceitaria ser um rei “mandado” por outros, nem dividir o poder com ninguém. As Cortes mandaram-no voltar, ele disse que ficava (para o bem geral da Nação…)

Quando tentaram de vez lhe impor o freio, gritou: Independência ou morte. Mas a independência que lhe interessava, mais do que a da colônia, era a sua. A independência de governar como bem entendesse.

Nossa Independência é uma contrarrevolução. Foi feita por um príncipe violento, brutal, antidemocrático, que não queria perder seu poder. Foi feita para que o povo não mandasse. Para que se submetesse a um déspota.

Assim nascemos. E durante muito tempo nosso país sofreu ainda (sofre? ainda?) com esse erro original. Nossos governantes sempre acreditaram que o povo existe para eles. E não o contrário. Não faz nem 20 anos, uma ministra não disse que o povo era só um detalhe?

É preciso celebrar o 7 de setembro. Mas é preciso lembrar o que ele significa.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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