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“A Internet é a primeira coisa que a humanidade criou que não entende – o maior experimento sobre anarquia que já tivemos.”

Assistindo a um episódio antigo da série que estou revendo atualmente (tenho mania de rever as séries como se fossem filmes, emendando episódios e construindo uma linha do tempo própria), me deparei com um roteiro no qual a exposição da vida privada nas redes sociais é o pivô de crimes, deixando clara a vulnerabilidade humana nesta nova realidade mundial hiperconectada. A citação no episódio The Internet Is Forever [5.22], em Criminal Minds, relembra mais do que o receio das novas mídias, mas a necessidade de que nos apercebamos de que o que divulgamos nas redes ficará lá para sempre.

Juras de amor, reclamações ao chefe, críticas aos pais, corujice dos novos pais, tudo está lá e nos marcará no futuro, deixando um legado muito mais rico, mas não necessariamente mais preciso do que o que nossos ancestrais deixaram em outros tempos.

Digo isso porque contar tudo da vida privada nas redes sociais não quer dizer que deixamos um diário de vida mais real e justo, mais próximo do que efetivamente fazemos de bom e louvável no mundo. Muitas vezes, ao contar absolutamente tudo, estamos apenas nos mostrando como migalhas, fragmentos da cultura da sociedade de consumo na qual estamos inseridos e da qual somos replicadores.

Nas redes sociais, sobretudo no Twitter, vejo celebridades que começam a se inserir e comentem outros erros. No final de semana uma jornalista respeitada, âncora de um programa de TV, tuitou uma foto na qual dizia que estava num determinado bar com sua família e amigos. Cliquei para ver, curiosa porque o tal bar a meu conhecido e notei que o tuíte já tinha comentários. Leitores perguntavam por que ela estava tuitando notícias enquanto curtia o bar… Observando a timeline da colega (numa atitude investigativa meio stalker, admito) entendi: apesar de falar que estava no bar e posar sorrindo com as pessoas queridas na foto à mesa, ela enviara links sobre economia e política pelo Twitter. Qual o problema? Ora, quem está feliz com a família num sábado à noite não tuita notícias de economia!

E como concluímos que alguma coisa vai errado e nos sentimos no direito de opinar e questionar a pessoa? Ora, ela tornou esta realidade, ainda que relativa (porque poderia ter tuites automáticos programados do seu perfil, uma estratégia que uso, por exemplo, do perfil de meu blog), uma notícia pública chancelada por seu perfil pessoal. A pergunta que deixo aqui para vocês é: precisava contar tanto?

Não tenho respostas prontas, mas deixo uma outra frase de Criminal Minds, citando George Bernard Shaw, para nos ajudar a refletir juntos:

“O único grande problema da comunicação, é a ilusão de que ela foi alcançada.”

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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