O trabalho infantil artístico tem que ter limite?

Pergunta difícil de responder, não é mesmo, amigos?  Mas foi esta mesma questão  – se o trabalho infantil artístico tem que ter limite e se crianças precisam de menor jornada nas gravações e atuações ou nenhuma jornada? – que movimentou ontem a conversa online na fanpage do projeto Promenino, uma ação da Fundação Telefônica Vivo, que está com uma iniciativa muito simpática nas redes sociais, convidando todos a participar deste debate e se aperceber de que “é da nossa conta a reação ao trabalho infantil e adolescente”.

A situação atual no Brasil e no mundo me entristece. Basta vermos matérias recentes na TV, como a do Profissão Repórter (dividido em duas partes, que podem ser vistas aqui e aqui), A Liga ou do CQC, para nos sensibilizarmos e percebemos que não é fácil e que temos muito que assumir para reagir como sociedade.

Vejam A Liga:

Vejam CQC sobre Celebridades Mirins:

E a respeito das celebridades mirins, o papo de ontem deixou uma questão praticamente clara: “É um trabalho que não foi escolhido pela criança. Escolheram por ela.”

Tivemos dois depoimentos especiais de pessoas ligadas ao trabalho artístico infantil que abro aspas e repito aqui:

“A glamourização das atividades artísticas (principalmente às ligadas à tv) muitas vezes tira o foco do que é adequado a cada faixa etária, ao bem-estar da criança. Se dá dinheiro, status, reconhecimento, a mãe se desdobra, a escola é conivente e os vizinhos aplaudem. Muitas crianças se divertem, dá pra ver que têm inclinação para o ofício, mas é o que Ticiano Sampaio disse: a escolha dela é relativa; ela não tem todos os dados pra saber se aquilo será bom pra ela (a longo prazo). As agências – ou o sindicato – que poderiam exercer uma fiscalização e dar um suporte para este tipo de trabalho, não agem nesse sentido. Na verdade, me parece que a saída, como para tudo, é: regulamentar e fiscalizar. Mas, em se tratando de trabalho artístico, nem os adultos contam com uma proteção efetiva. Mas estes, ao menos, realmente podem escolher.”
Lívia Lisbôa, atriz e diretora de teatro em São Paulo. 
E tomo a liberdade de reproduzir abaixo o texto enviado por Bia Borin, atriz e preparadora de elenco infantil:

“Sou atriz e faço publicidade e também sou preparadora de elenco infantil. São poucos os pais que são severos com agências, cobrando seus direitos, até porque a agência não quer o pai ou responsável por perto, eles dão trabalho. Eu como preparadora tento criar um ambiente descontraído e lúdico para a criança ficar confortável, segura, mas as muitas produtoras vêem isso como simples recreação e não querem gastar seu dinheiro com este tipo de trabalho. Dei aulas de teatro para crianças durante muitos anos e são poucas que desejam fazer publicidade, tv, etc. Tenho um filho, e já fiz um filme publicitário com ele, mas exigi que ficássemos pouco tempo no set: fiquei 1h30, foi incrível! Porém, quando ele for mais velho não vou obriga-lo a trabalhar comigo, de jeito nenhum. Porque e isso que vejo em demasia: os pais obrigam a criança, e elas para deixarem seus pais orgulhosos, serem mais “amadas”, se submetem. Além do apelo hoje que ser famoso é ser “mais”, ser superior. Acredito que o olhar atento dos pais, bem como o desejo vir da própria criança, somadas as agências competentes que não exploram mas DEFENDAM as crianças, faria com que não tivéssemos tantos absurdos. Enquanto isso não acontece, o ambiente e “os fins”…. Não, não justificam os meios.”

Meu super obrigada a cada um e a este grupo que se formou sem planejamento, mas com muita coisa em comum. Este movimento acontecerá nos próximos meses, buscando conscientizar as pessoas “comuns” (como eu e muitos de vocês, os que não são especialistas em educação, direito ou outras áreas ligadas ao trabalho infantil), mas que querem muito mudar esta realidade e cuidar da infância, no Brasil e no mundo.

Espero sinceramente contar com vocês nas conversas, online ou offline, da campanha “É da nossa conta! Trabalho infantil e adolescente”, da Fundação Telefônica Brasil que aconterão na fanpage, no Twitter, no Google+ e no site da rede Promenino. Todas as terças e quintas, das 15h às 16h, temos um encontro para falar do tema no Facebook da rede Promenino e no Twitter usando a hashtag #semtrabinfantil.

E deixo um novo convite: nesta sexta-feira, às 13h, planejamos um hangout (de apenas meia horinha) via Google + para podermos conversar ao vivo sobre o tema da semana, trabalho infantil artístico.  Quem puder e quiser participar, basta avisar a mim por aqui ou no Twitter (@samegui) para ser incluído no papo.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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